União da Ilha

Grupo: Especial
Fundação: 07 03 1953
Cores: Azul, Vermelho e Branco
Presidente: Ney Filardi
Vice presidente: Djalma Falcão
Carnavalesco: Alex de Souza
Interprete: Ito Melodia
Mestre de bateria: Odilon e Riquinho
Diretor de carnaval: Márcio André
Diretor de harmonia: Almir Frutuoso
Diretor de barracão: Luis Carlos
Mestre sala: Ubirajara
Porta bandeira: Cristiane Caldas
Rainha de bateria: Bruna Bruno
Endereco: Estrada do Galeão, 322 – Cacuia – Ilha do Governador – CEP 21391-242
Telefone: (21) 3396-8169 - (21) 2253-6447 (Barracão)
Comissão de Frente: Sérgio Lobato
Telefone: Barracão 07 - Cidade do Samba
História


Da Cacuia para a Sapucaí

O Grêmio Recreativo Escola de Samba União da Ilha do Governador foi fundado em 7 de março de 1953 por Maurício Gazelle, Joaquim Lara de Oliveira (o Quincas), Orphylo Bastos e mais 59 sócios. A idéia de criar uma escola de samba, na Ilha do Governador, mais especificamente no bairro do Cacuia, nasceu numa terça-feira de carnaval, dia 5 de março de 1953.

A idéia somou-se à de outros representantes da localidade, do time de futebol União Futebol Clube. Juntos os dois grupos fundaram no armazém de Maurício Gazelle a escola de samba União, hoje União da Ilha do Governador. Suas cores são azul, vermelho e branco.

A madrinha da União da Ilha é a escola de samba Portela, daí a Ilha ter em seu brasão o desenho da Águia, uma sugestão de Natal, presidente da Portela que fez história. O autor do desenho do brasão da bandeira foi Edson Machado.

A União da Ilha tem uma das mais tradicionais ala de compositores. Destaca-se entre os nomes de seus poetas populares o do saudoso Didi (Adolfo de Carvalho Baeta das Neves, procurador da República). Didi foi vencedor de samba-enredo em várias escolas, assinando sempre com pseudônimo ou, em outras ocasiões, dispensando sua assinatura nas composições.

Didi, ganhou 24 sambas-enredos, número superior aos decompositores recordistas como Paulão Brasão, Silas de Oliveira e David Correia.

A União da Ilha iniciou suas apresentações no Cacuia. De 1954 a 1959 foi vencedora dos desfiles do lugar. Em 1960 ao ser registrada na Associação das Escolas de Samba do Estado da Guanabara a União da Ilha foi desfilar no 3º grupo das agremiações, na Praça Onze, conquistando o terceiro lugar. Em 1961 foi classificada em segundo lugar indo para o segundo grupo. Passou ao grupo 1, mais tarde chamado de grupo especial, no carnaval de 1974. Em seu primeiro desfile, entre as mais tradicionais escolas de samba da cidade, foi a nona colocada.

Um dos presidentes da escola, cuja presença foi de extrema importância, foi o senhor Jucy Curvello (in memória), pois foi o presidente que pôs a União da Ilha no Grupo Especial. Isso aconteceu no ano de 1974 com o enredo "Lendas e Festas das Yabás", onde permaneceu até o ano de 2001.

De 1977, com o enredo "Domingo", a 1980, quando tirou em segundo lugar com o enredo "Bom, Bonito e Barato", a União da Ilha fez grandes desfiles se consagrando definitivamente como uma das escolas de samba mais simpáticas do grupo especial.

E a União sagrou-se campeã por seis anos seguidos, de 54 a 59, no carnaval da Ilha do Governador. Com vontade de alçar maiores vôos, entrou na Associação das Escolas de Samba, passando a desfilar no carnaval carioca. A decisão de 'atravessar o mar' e chegar ao Rio se faria presente na maioria dos sambas da escola, que sempre faz referência à marcha dos componentes da Ilha rumo à Sapucaí. Como nos sambas:

"Vou me libertar no perfume desse mar" (2000)
"Assim a Ilha vem pra festa atravessando o mar azul" (1999)
"Eu vou nas ondas desse mar" (1995)
"Minha alegria vem nas ondas desse mar" (1994)
"Sob o clarão da poesia, cruzo o mar da alegria" (1993)
"Sonhando o mar atravessei" (1990)
"O menino iluminado hoje atravessa o mar" (1988)
"Novamente cruza o mar a alegria" (1987)
"A minha alegria atravessou o mar" (1982)

Sambas cantados pelo grande intérprete Aroldo Melodia!

A Ilha manteve-se algum tempo entre o segundo e o terceiro grupos e, em 75 quando sagrou-se campeã, passou a desfilar no grupo principal. No fim da década de 70, a Ilha começou a mostrar seu diferencial. Com enredos como "Domingo", "O Amanhã", "O que será?", "Bom, bonito e barato" e "É hoje" a escola levou para a Sapucaí desfiles leves, baratos e animados. Esta seria a marca registrada da União da Ilha, mantida até hoje. Suas fantasias costumam ser leves, sem grandes esplendores, facilitando o desfile para o componente. A escola também consegue estabelecer uma ótima comunicação com o público, sendo consideradas uma das mais simpáticas do carnaval carioca.

O último bom resultado da Ilha foi obtido em 94, com Abrakadabra, em que chegou em 4º lugar, sua última participação no Desfile das Campeãs. Desde então, não vem obtendo boas colocações. Em 2000, com "Pra não dizer que não falei das flores", a União da Ilha chegou em 8º lugar, abordando um dos períodos mais nebulosos dos 500 anos do Brasil: a ditadura militar, de 64 a 85. No ano de 2001, a escola obteve o 13º lugar do Grupo Especial, sendo assim rebaixada ao Grupo de Acesso A.

Em 2002, fez um desfile muito entusiasmado e eufórico, que conteve erros que foram corrigidos pela nova direção da escola no ano seguinte.

Em 2003, Carnaval que ficou conhecido como o "Ano do Milagre", grande aposta da escola, muito bem recebido pela mídia, mas que não levou a escola de volta ao Grupo Especial, causando comoção na escola e surpresa.

Mas esse milagre não afetou a vontada da União da Ilha de melhorar sempre e com determinação e competência vai participa do desfile de 2009 e enfrenta os desafios de 2010 no Grupo Especial.

Ano do enredo: 2014
Título do enredo: "É brinquedo, é brincadeira, a Ilha vai levantar poeira"
Descrição do enredo:

Abra o baú da memória, pegue um brinquedo e invente uma história. Relembre a alegria desta herança. Levante a poeira, volte a ser criança.

Sonhe! Deixe para trás a realidade. Sua lembrança é a porta da felicidade. De origem diversa. Antigo ou moderno. Pelo encanto que desperta, ele será sempre eterno. Pode ser o tipo que for: de qualquer tamanho, matéria, forma ou cor.

Quer saber onde ele é feito? Em uma fábrica fantástica! E depois, presente na vitrine ou naquele comercial de TV. Como se lhe dissesse: “-Me compre, eu quero você!”

E não serve só pra divertir. Ele tem tanto para ensinar, quanto temos para aprender. A cada dia descubra novidades. Com cada pecinha montada, crie novas prendas, novas cidades.

Assim vivendo e aprendendo, nem sempre ganhando, nem sempre perdendo. Lembre que jogar era o seu viver. No meio da garotada, com a sacola do lado, só jogava pra valer.

Surgem novas formas de competição. Avance no tempo e irá conhecer, numa tecnologia de última geração, o invencível herói, você pode ser.

E se caso pegar algo na estante, verá que ele também está aqui. Fala, pensa, anda e age como gente. Atua nos palcos e nas telas; saídos de algum livro ou gibi.

Saia por aí como um livre petiz! No campo ou na cidade, no morro ou no asfalto. Pra lá do seu quintal por esse imenso país.

Brinque com o que a terra lhe dá: barro, madeira, palha, lata… Seja um pequenino travesso; párvulo; piá. Menino ou menina; pirralho; moleque. Um maroto cazuza; guria ou guri. Garoto ou garota; fedelho; pivete; baixinho; erê; curumim; bacuri. Pequerrucho grande, insulano brincante. Folião errante; um gaiato pimpolho.

Olha a União da Ilha aí meu povo, segura a marimba! Empina pipa, vá brincar de roda; de pique-esconde. Correr e pular, que a brincadeira não tem hora.

“-Ciranda cirandinha vamos todos cirandar…”

Molecada simbora!!!

A reinação terminou.

Encerrada a viagem,

redescubra a importância

de uma bela infância.

Dignidade e respeito.

Amor e proteção.

Afinal de contas,

lembre que ser criança…

NÃO É BRINQUEDO NÃO!

 

Argumento do enredo

Brincar é coisa séria!

Em 2014, desfilaremos brinquedos e brincadeiras, numa incursão pelo universo infantil.

O enredo resgatará a memória afetiva da melhor fase de nossas vidas.

É também um resgate da identidade da União da Ilha do Governador. Escola que se caracterizou por desfiles leves e “brincalhões”.

Então, vamos nos divertir? Até porque a “hora do recreio” que desfrutamos a cada ano, é brincar carnaval.

Mostraremos um pouco de história e a importância de fatos referentes à infância.

Nem sempre destinado a crianças, alguns brinquedos foram utilizados por antigos povos em rituais e como objetos de adivinhação. Como entretenimento, há registros desde a antiguidade.

O conceito da palavra criança surgiu no Renascimento. Período que florescia a crença na humanidade e na sua capacidade.

Ao “inventar a infância” a modernidade cria a idade de ouro de cada indivíduo, fase em que a vida deveria ser perfeita, protegida e tranquila. Mas na realidade sempre se esteve afastada desse ideal.

Pintores e gravuristas em várias épocas retratavam com riqueza de detalhes, deixando um registro importante. Levando o adulto a prestar mais atenção no universo lúdico. E sua inseparável relação (desde a Idade Média) com a história do comércio e da evolução técnica de fabricação.

Brincando, a criança é conduzida ao imaginário. Experimenta, descobre, cria, exercita suas habilidades, desenvolve o intelecto e as relações afetivas. Estimula a curiosidade, a iniciativa e a autoconfiança. Contar, ouvir histórias, dramatizar, jogar com regras entre as outras atividades constituem meios prazerosos de aprendizagem. Além disso, expressam suas criações e emoções, refletem medos e alegrias, devolvem características importantes para a vida adulta. Brinquedos despertam vocações, pois muitos evocam na brincadeira o primeiro passo para uma carreira.

Considerados muitas vezes como frívolos, sem importância, foram aos poucos ganhando destaque entre educadores.

“o desenvolvimento da criança acontece através do lúdico. Ela precisa brincar para crescer, precisa de jogo como forma de equilíbrio com o mundo”.

Quem disse isso foi Jean Piaget, psicólogo suíço, pedagogo considerado um dos mais importantes pensadores do século XX. Piaget publicou os primeiros artigos dobre a criança, o pensamento infantil e o raciocínio lógico.

A inteligência se constrói a partir do “jogar-brincar”.

Brincar deriva do latim vinculum, que significa laço, união e criação de vínculos.

Diferente de outras línguas que ligam brincar diretamente com jogar, como em italiano – giocare; espanhol – jugar; francês – jouer; inglês – play (jogar, tocar…), etc.

O faz de conta refere-se ao “mundo do imaginário, da fantasia”, “Fantasia é criar pela imaginação”, segundo Antônio Houaiss.

A começar pela literatura infantil, passando pelo teatro, aos desenhos animados na televisão e no cinema, os personagens oferecem imagens que são muito significativas para a criança, e como algo de sucesso atraí a atenção da garotada, logo se tornam brinquedos.

A falta de espaço imposta pela vida urbana nos faz refletir sobre um ideal de infância com liberdade. Seria utopia? Causa perdida? Seria um lugar imaginário? Ou este lugar poderia ser encontrado em algum subúrbio ou por rincões espalhados pelo Brasil?

Vamos reviver algo que pode ser o passado ou o presente das crianças brasileiras, com suas tradições, características regionais, contato com a natureza.

O brinquedo artesanal é reflexo do ambiente em que ele foi construído e é o momento em que o objeto vira arte. E as brincadeiras são heranças de uma cultura popular miscigenada, com predomínio rural.

A preservação destas brincadeiras é muito importante para a manutenção folclórica do país.

Moral da história…

Cuide da criança que habita em você. Assim, saberá cuidar e respeitar as demais. Sem felicidade nada disso faria sentido, nem o último lançamento ou a velha cantiga de roda; nada é mais importante que um sorriso.

Vamos brincar? 

RECADO AOS COMPOSITORES

MUITA INSPIRAÇÃO NA LETRA E PRINCIPALMENTE NA MELODIA E BRINQUEM À VONTADE!!! FAÇAM UM SAMBA ALEGRE E COMOVENTE

 
Ano do enredo: 2013
Título do enredo: "Vinicius, no Plural Paixão, Poesia e Carnaval"
Descrição do enredo:


Vinicius de Moraes cuja pluralidade é reconhecida em suas obras, pensamentos e paixões receberá por ocasião do seu centenário nossa homenagem. Para compreender melhor o homem e o poeta, resolvemos criar um diálogo imaginário, tomando como respostas seus poemas, contos e entrevistas.                                      
por Alex de Souza 

A INFÂNCIA

ILHA – Poeta,  fale um pouco da sua infância, suas memórias da nossa Ilha do Governador.

POETA - Era um menino valente e caprino. Um pequeno infante, sadio e grimpante. Esse ei-ou que ficou nos meus ouvidos são os pescadores esquecidos... as barcas da Cantareira...o mar com o seu marulhar ilhéu. Éramos gente querida na ilha, e a afeição daquela comunidade manifestava-se constantemente. Quero rever Governador, a Ilha! Que minha amiga Rachel de Queiroz pensa que é dela, mas não se engane, é nossa. Quero repalmilhar a praia de Cocotá, onde dez anos fui feliz. Era indizivelmente bom.

A POESIA
ILHA - Quando nasceu a poesia na sua vida?

POETA - A poesia paterna, que encontrara numa gaveta velha em casa, foi a minha grande e decisiva influência. Desejei imenso fazer versos assim, versos de amor. Eu havia sempre laborado na arte da poesia, desde os mais verdes anos. Às vezes, em meio aos brinquedos com os irmãos, na Ilha do Governador, fugia e ia me ocultar no quarto, a folha de papel diante de mim. Era tão estranho aquilo! Eu de nada sabia ainda, senão que tinha nove anos e Cocotá era o meu mundo, com sua praia de lodo, seu cajueiro e seus guaiamuns. Mas sabia vibrar em presença da folha branca que me pedia versos, viva como uma epiderme que pede carinho. O menino dentro de seu quarto dentro da Ilha, dentro da baía, dentro da cidade, dentro do país, dentro do mar, dentro do mundo. Com as lágrimas do tempo e a cal do meu dia eu fiz o cimento da minha poesia.            Linha por linha, como psicografado, o poema - o meu primeiro poema - começou a brotar de mim. Amava era amar. Amava a mulher. A mais não poder. Por isso fazia seu grão de poesia E achava bonita a palavra escrita. Por isso sofria. Da melancolia de sonhar o poeta que quem sabe um dia poderia ser. Eu mostrava meus sonetos aos meus amigos - eles mostravam os grandes olhos abertos. A poesia é tão vital para mim que ela chega a ser o retrato de minha vida. Portanto julgar minha poesia seria julgar minha vida. E eu me considero um ser tão imperfeito... Pensei que nunca poderia ser poeta.

ILHA - E os Poetas ?

POETA - Me liguei muito a Bandeira, Drummond, Pedro Nava e outros...

COLÉGIO SANTO INÁCIO

ILHA - Religião?

POETA - Família católica, colégio de padres, aquele negócio de confessar aos domingos, de comungar. Mas acho que a vocação para o pecado era maior.

ILHA - Reza?

POETA - Sempre. Um homem como eu, que está sempre apaixonado, vive em prece.

LIVROS

ILHA - Com 19 anos publica o primeiro livro, Caminho para a distância; o segundo, Forma e exegese, que até ganhou um prêmio numa disputa acirrada com Jorge Amado, tinham um cunho espiritual...

POETA - Era o “Inquilino do Sublime”, como disse o Otto Lara Resende.

O BRASIL

ILHA - Poeta, escritor, jornalista, como diplomata conheceu o mundo, mas conheceu também um Brasil real. Mesmo assim, quando estava fora, lhe batia certa nostalgia?

POETA - Sim, não há dúvida: são saudades da pátria, e, sobretudo do que na pátria é pobre e diferente. São doces os caminhos que levam de volta à pátria. Não à pátria amada de verdes mares bravios, a mirar em berço esplêndido o esplendor do Cruzeiro do Sul; mas a uma outra mais íntima, pacífica e habitual.
Vontade de mudar as cores do vestido (auriverde!) tão feias. De minha pátria, de minha pátria sem sapatos e sem meias, pátria minha. Tão pobrinha! Amada, idolatrada, salve, salve! Pátria minha... A minha pátria não é florão, nem ostenta lábaro não; a minha pátria é desolação. De caminhos, a minha pátria é terra sedenta. E praia branca; a minha pátria é o grande rio secular. Que bebe nuvem, come terra e urina mar.
Atento à fome em tuas entranhas e ao batuque em teu coração.
Não te direi o nome, pátria minha
Teu nome é pátria amada, é patriazinha
Uma ilha de ternura: a Ilha
Brasil, talvez.
Pátria minha, saudades de quem te ama…

ILHA - Em 42, você viajou com o escritor americano Waldo Frank pelo Nordeste e Norte do Brasil. Esta viagem mudou sua visão política ao descobrir o Brasil?

POETA - Descobrir o Brasil, exatamente. Pela mão de um americano... Mas essa viagem representou para mim, em um mês, uma virada de 360 graus. Saí um homem de direita e voltei um homem de esquerda. Foi o fato de ter visto a realidade brasileira, principalmente o Nordeste e o Norte, aquela miséria espantosa, os mocambos do Recife, as casas de habitação coletiva na Bahia, o sertão pernambucano, Manaus. A barra me pesou mesmo. Eu tenho um envolvimento político bastante grande, mas nunca o expressei em minha poesia, exceto quando surgiu como uma coisa válida, como em “Operário em construção”, “Os barões da terra”,  “Mensagem à poesia”.

ILHA - Como você vê o Brasil?

POETA - Eu digo sempre uma coisa: tenho uma grande fé no Brasil. Uma fé meio estúpida, meio instintiva, por causa do povo. Realmente, a minha fé no Brasil não vem das instituições, nada disso. Agora, eu acredito neste povo. E cada vez que eu voltava ao Brasil, de alguma viagem ao exterior, essa crença aumentava, compreende? E como essa crença é um bem gratuito, eu prefiro tê-la a não tê-la.

ORFEU
ILHA - Contam que a visita que fez com o escritor americano Waldo Frank, o mesmo que viajou com você pelo Norte e Nordeste, e à favela da praia do Pinto, que havia no Leblon, deixou-o enfeitiçado com o ritmo e a sensualidade dos negros sambistas. Frank teria dito que eles pareciam gregos antes da própria cultura grega. E naquele carnaval de 1942, a ideia enfim brotou de uma batucada no Morro do Cavalão, em Niterói, foi isso?

POETA - Pus-me a ler, por desfastio, num velho tratado francês de mitologia grega, a lenda de Orfeu - o maravilhoso músico e poeta da Trácia. Curiosamente, nesse mesmo instante, em qualquer lugar do morro, moradores negros começaram uma infernal batucada, e o ritmo áspero de seus instrumentos - a cuíca, os tamborins, o surdo - chegava-me nostalgicamente de envolta com ecos mais longínquos ainda do pranto de Orfeu chorando. O interesse que tinha pelo mito do Orfeu – o poeta- músico, que eu considerava, num plano ideal, o grande criador.

ILHA - Orfeu da Conceição (título sugerido por João Cabral de Mello Neto), Uma tragédia carioca, acabou resultando no seu encontro com Tom Jobim. Lúcio Rangel indicou e você pergunta a Paulinho Soledade, que também lhe falara a respeito.

POETA - Paulinho, estou precisando de um maestro que me ajude numas músicas que vou fazer. Você tem algum?

ILHA - Paulinho responde: Tom Jobim, mas tem um problema: ele é moderno...

ILHA - Trechos de Orfeu da Conceição.

 O morro, a cavaleiro da cidade, cujas luzes brilham ao longe.
São demais os perigos desta vida

Para quem tem paixão, principalmente.
Toda a música é minha, eu sou Orfeu!
 Eurídice...                                                                                                                            
Se todos fossem iguais a você Que maravilha viver!                                                            
Eurídice morreu.          
No interior do clube Os Maiorais do Inferno, num fim de baile de
terça-feira gorda.                                                                                    
E viva a orgia! É o reinado da folia! É hoje o último dia! E viva!                               
Amanhã é Cinzas! Hoje é o último dia! E viva Momo! E viva a folia!  
Sem Eurídice não há Orfeu, não há música, não há nada. O morro parou, tudo se esqueceu. O que resta de vida é a esperança de Orfeu ver Eurídice, de ver Eurídice nem que seja pela última vez! Desceu às trevas, e das grandes trevas ressurgiu à luz, e subiu ao morro onde está vagando como alma penada procurando Eurídice… Tudo morre que nasce e que viveu
Só não morre no mundo a voz de Orfeu.

CINEMA
ILHA - Sua paixão por cinema vem de criança. Defensor do filme mudo, você foi de censor a crítico. Roteirista de diversos filmes. Nessa sua paixão por cinema, como foi levar Orfeu para as telas, ainda que decepcionado com o resultado?

POETA - Sou apaixonado por cinema. Só Deus sabe como gosto de uma boa fita, o prazer que me traz “ver cinema”, discutir, ponderar, escrever, até fazer cinema na imaginação. Nesta adaptação construo o filme como eu o faria. Ao contrário de minha peça, em que a "descida aos infernos" de Orfeu situa-se numa gafieira, no 2º ato, estou transpondo o carnaval carioca para o final do filme, como o ambiente dentro do qual a Morte perseguirá Eurídice.

ILHA - Um dos grandes sucessos do filme foi “A Felicidade”, que dizia:

Tristeza não tem fim
Felicidade sim                                                                                                                           
(...)A felicidade é como a gota                                                                                                  
(...)E cai como uma lágrima de amor                                                                                    
A felicidade do pobre parece                                                                                           
A grande ilusão do carnaval                                                                                        
(...)Pra tudo se acabar na quarta-feira

BOSSA NOVA
ILHA - Fale-me de sua música.

POETA - Não falo de mim como músico, mas como poeta. Não separo a poesia que está nos livros da que está nas canções. Era uma insatisfação minha verificar que a poesia de livro atingia um número tão reduzido de pessoas. Dizem, na minha família, que eu cantei antes de falar. E havia uma cançãozinha que eu repetia e que tinha um leve tema de sons. Fui criado no mundo da música, minha mãe e minha avó tocavam piano, eu me lembro de como me machucavam aquelas valsas antigas. Meu pai também tocava violão, cresci ouvindo música. Depois a poesia fez o resto. A música começou mesmo na década de 50, quando voltei de meu primeiro posto diplomático no exterior, em Los Angeles. Agora, eu sempre fazia minhas  músicas, antes, mesmo sozinho, mas sem nenhum intuito de editar ou ver cantar. Aos 15 anos tive uma experiência interessante: eu me liguei a uma dupla vocal, que havia aqui, chamada Irmãos Tapajós, e comecei a compor com eles.

ILHA - Durante os cerca de quatro anos em solo americano, você se apaixonou pelo jazz, que futuramente seria uma das raízes fundamentais para a Bossa Nova. Tom Jobim teve uma formação semelhante e João Gilberto, no interior da Bahia, também se interessava pelo mesmo estilo musical e, coincidentemente, teve as mesmas influências dos músicos cariocas. E o marco foi “Chega de saudade”, com Elizeth Cardoso e depois gravado por João Gilberto.  Você acha que a influência do jazz foi boa para a bossa nova?

POETA - Acho que foi uma influência muito boa. Com a influência do jazz, abriu tudo isso, você podia introduzir qualquer instrumento num conjunto de samba, os instrumentistas improvisavam, as harmonias melhoraram muito e se enriqueceram, os instrumentistas tornaram-se excelentes e conheciam profundamente seus instrumentos, como é o caso de Baden e Tom. A influência foi benéfica porque houve uma descaracterização de nossa música. O samba estava sempre presente na bossa nova. Além disso, a bossa nova trouxe mais alegria e bom humor à nossa música, que andava muito voltada para a tristeza, a dor de corno, a fossa, naquela época do Antonio Maria. Eram músicas muito bonitas, o chamado samba de boate. Com a bossa nova a coisa ficou mais sadia, mais otimista, os sentimentos eram mais de comunicação, mais legais. Bossa nova é mais um olhar que um beijo; mais uma ternura que uma paixão; mais um recado que uma mensagem.

Vai, minha tristeza
E diz a ela que sem ela não pode ser
Diz-lhe numa prece
Que ela regresse
Porque eu não posso mais sofrer
Chega de saudade
A realidade é que sem ela
Não há paz, não há beleza
É só tristeza e a melancolia
Que não sai de mim
Não sai de mim
Não sai

Tanto assim que eu sou um dos pouquíssimos compositores brasileiros que atravessou essas gerações todas. Eu fiz música com o Pixinguinha, o Ary Barroso, com o pessoal da geração do Antonio Maria, o Paulinho Soledade; depois peguei o Tom, o Baden, o Carlos Lyra, o Edu, o Francis e, em 69, o Toquinho. E mesmo com caras mais jovens que o Toquinho eu já fiz música, como o Eduardo Souto Neto, o João Bosco.

AFROSSAMBAS E BAIANICES

ILHA - Em meados de 62, quando começa a compor com Baden Powell, surge uma grande virada com os ritmos baianos ...

POETA - O Baden tem uma produção muito boa, e foi ele quem me introduziu o elemento africano, o que não havia antes na bossa nova - eram todos brancos, arianos.

ILHA - Naquela altura da vida você retomou um caminho de fé?

POETA - Num plano assim de vida, não. Restou talvez uma certa religiosidade, própria de meu temperamento. Por exemplo, eu me interesso por candomblé, certas superstições. Isso é sinal de que tem algum fogo na cinza.

ILHA - Época dos afrossambas e você acabou virando... O branco mais preto do Brasil. Na linha direta de Xangô.

POETA - Quando digo que eu sou o branco mais preto do Brasil, digo a verdade. A minha comunicação com a raça negra é imensa. Sinto atração por ela, a todo momento descubro a sua vitalidade. A contribuição do negro à cultura brasileira é importantíssima. Só a contribuição rítmica que eles trouxeram; a magia do mundo negro, já me liga a eles definitivamente.

ILHA - Maysa e Elis Regina fizeram sucesso com “Canto de Ossanha”, num LP que exaltava com outros “Cantos”, outros orixás.

POETA - Amigo sinhô sarava, Xangô me mandou lhe dizer: - Se é canto de Ossanha, não vá! Que muito vai se arrepender. Pergunte pro seu orixá.  Amor só é bom se doer.

ILHA - E essa africanidade toda rendeu até palavrão. Uma nova forma de xingar os militares da ditadura?

POETA - Te garanto que na Escola Superior de Guerra não tem milico que saiba falar Nagô:

Eu saio da fossa xingando em nagô. Vou lhe rogar uma praga, eu vou é mandar você: Pra tonga da mironga do kabuletê.

ILHA – Em seu período baiano, você fez amizade com uma das mais famosas Ialorixás...

POETA - Ela é a Mãe Menininha do Gantois
Que Oxum abençoou, Tatamirô!

ILHA - Por encomenda, você e Toquinho fizeram a trilha da novela O bem amado, uma das faixas de maior sucesso foi “Meu pai Oxalá”.

Atotô Abaluayê  Atotô babá

Atotô Abaluayê  Atotô babá

Meu pai Oxalá é o rei Venha me valer

O velho Omulu

Atotô Abaluayê

ILHA - Voltando à Elis Regina, ela venceu o festival da canção de 1965, música sua e de Edu Lobo,  onde, além do primeiro lugar, você ainda faturou o segundo de quebra com Elizeth Cardoso. Vamos recordar uns trechinhos de “Arrastão”?

Ê! Tem jangada no mar Hoje tem arrastão! Todo mundo pescar Olha o arrastão entrando no mar sem fim. Traz Iemanjá pra mim Ê! É a rainha do mar Valha-me meu Nosso Senhor do Bonfim Nunca, jamais se viu tanto peixe assim.

ILHA - Essa onda afro, que começa com Baden em 1962, onde se destaca também “Berimbau”...

Capoeira me mandou Dizer que já chegou para lutar Berimbau me confirmou Vai ter briga de amor Tristeza, camará

ILHA -...se estende quase dez anos depois na sua temporada baiana, com uma nova parceria, para os íntimos o Toco.

POETA - Encontrei novamente um parceiro pra valer, e ele é um jovem paulista de 24 anos, com uma pinta de menestrel medieval conhecido pelo apelido de Toquinho, e simplesmente “janta” o violão.

ILHA - "Tarde em Itapuã", seria dado para o Caymmi musicar. Mas você lhe deu um voto de confiança e rendeu um dos maiores sucessos dessa parceria.

O dia pra vadiar
Um mar que não tem tamanho
É bom
Passar uma tarde em Itapuã
Ao sol que arde em Itapuã
Ouvindo o mar de Itapuã
Falar de amor em Itapuã

CARIOCA

ILHA - Belas mulheres sempre inspiram, não é?

POETA - As muito feias que me perdoem
Mas beleza é fundamental.

ILHA - A menina que passa acabou gerando a mais cantada música brasileira no mundo que é a “Garota de Ipanema”. Enquanto a menina passava você acabou tirando parte da letra definitiva num comentário com o Tom. Qual foi o comentário?

POETA - Você notou que quando ela passa o ar fica mais volátil? Eu acho que nem os egípcios, nem o próprio Einstein saberiam explicar por quê.

Olha que coisa mais linda
Mais cheia de graça
É ela menina
Que vem e que passa
Num doce balanço
A caminho do mar
Moça do corpo dourado
Do sol de Ipanema
O seu balançado é mais que um poema
É a coisa mais linda que eu já vi passar
(...)
Ah, se ela soubesse
Que quando ela passa
O mundo inteirinho se enche de graça
E fica mais lindo
Por causa do amor

ILHA – “Carta ao Tom 74” mostra o saudosismo daquela época.

POETA - Rua Nascimento e Silva, 107 Você ensinando pra Elizete As canções de Canção do amor demais (...) Ah, que saudade Ipanema era só felicidade (...)Nossa famosa garota nem sabia A que ponto a cidade turvaria Esse Rio de amor que se perdeu

VINICIUS PARA CRIANÇAS
ILHA - Você lançou um livro de poemas infantis dedicado aos seus filhos. Desde a década de 70 tinha o desejo de musicar esses versos e transformá-los em um álbum. Foram dois álbuns com canções inspiradas em alguns dos poemas e interpretadas por grandes nomes de MPB, delas se destacam:

“A casa” 
Era uma casa muito engraçada. Mas era feita com muito esmero, na rua dos bobos, número zero. 

“Aquarela”                                                                                                                                                
Numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo. Vamos todos numa linda passarela de uma aquarela que um dia enfim, descolorirá.

“O pato”                                                                                                                                      
Lá vem o Pato Pata aqui, pata acolá Lá vem o Pato Para ver o que é que há.

“A arca de Noé”                                                                                                                          
E abre-se a porta da Arca desconjuntada. Colorida maravilha, brilha o arco da aliança. Aos pulos da bicharada toda querendo sair. De par em par: surgem francas, conduzidos por Noé. Do prudente patriarca Ei-los em terra benquista

PAIXÕES
ILHA - O Drummond disse que você havia nascido sob o signo da paixão. Vamos ao ponto: Amor ou Paixão?

POETA - Eu ainda acho que o amor que constrói para a eternidade é o amor paixão, o mais precário, o mais perigoso, certamente o mais doloroso. Esse amor é o único que tem a dimensão do infinito.
 Eu sou um namorador inveterado.
Eu possa lhe dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure
Labareda
O teu nome é mulher
Quando a luz dos olhos meus
E a luz dos olhos teus
Resolvem se encontrar
Ai, que bom que isso é, meu Deus
Que frio que me dá
O encontro desse olhar
Eu não ando só
Só ando em boa companhia
Com meu violão
Minha canção e a poesia
Para viver um grande amor
E cada verso meu será
Pra te dizer
Que eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida

ILHA – Boemia...

Onde anda a canção
Que se ouvia na noite
Dos bares de então
E por falar em paixão
Em razão de viver
Você bem que podia me aparecer
Nesses mesmos lugares
Na noite, nos bares
Onde anda você

ILHA - Sua alma boêmia tinha em seus versos sempre a companhia da lua ...

O poeta se deixa em prece
Ante a beleza da lua.
Vagabunda, patética, indefesa
Ó minha branca e pequenina lua!
Lua linda!
Uma volúpia infinda!
Linda lua!
 lua amada
lua ardente
tão presente
Como se fosses minha namorada!

ILHA - Quero lhe apresentar aos nossos poetas da Ilha.

POETA -A bênção, todos os grandes
Sambistas do Brasil

ILHA - Qual a receita de um bom samba?

POETA - Mas pra fazer um samba com beleza
É preciso um bocado de tristeza
Senão, não se faz um samba não
Fazer samba não é contar piada
E quem faz samba assim não é de nada
O bom samba é uma forma de oração
Porque o samba nasceu lá na Bahia
E se hoje ele é branco na poesia
Ele é negro demais no coração
Ponha um pouco de amor numa cadência
E vai ver que ninguém no mundo vence
A beleza que tem um samba, não

ILHA - E as tantas amizades que você fez?

POETA - A gente não faz amigos, reconhece-os.

ILHA - Seus parceiros?

POETA - Meus principais parceiros, Antonio Carlos Jobim, Carlinhos Lyra e Baden Powell, são pra mim o Pai, o Filho e o Espírito Santo...

ILHA - E o Toquinho?

POETA - Amém.

E há Pixinguinha. Pixinguinha, eu acho que é o próprio Deus em pessoa.

Isso sem falar em Ary Barroso.
Edu lobo e Francis Hime.

ILHA - Você poderia definir qual seu estilo?

POETA - Infelizmente, eu não tenho estilo. Um amigo meu costuma dizer que eu sou muitos. Se fosse um só, não me chamaria Vinicius de Moraes, no plural.

ILHA – E agora o Vinicius showman. Para comemorar seu centenário e a eternidade de suas obras, vamos fazer surgir um grande palco com alguns de seus grandes shows: Boite Au Bon Gourmet, com Tom e João Gilberto; no mesmo local, com Carlos Lyra e Nara Leão, na comédia musical Pobre menina rica; Boite Zum Zum, com Caymmi e quarteto em Cy; Toquinho e Clara Nunes, no teatro Castro Alves,  em Salvador; Maria Medalha e Maria Creusa, em Milão; Bethânia e Toquinho, no La Fusa, em Mar Del Plata; com Joyce, em Punta Del Leste; Tom, Toquinho e Miúcha, no Canecão e inúmeros outros...

ILHA – Já que celebrar é alegria de viver, o que é a vida pra você?

POETA - A vida é arte do encontro
Embora haja tanto desencontro pela vida
Quem já passou por essa vida e não viveu
Pode ser mais, mas sabe menos do que eu
É melhor ser alegre que ser triste
Alegria é a melhor coisa que existe
É assim como a luz no coração

ILHA - Você, um poeta dentro da vida... Ela tem sempre razão?

POETA - Sei lá, sei lá
Só sei que é preciso paixão

ILHA - E a morte?

POETA - Eu morro ontem
Nasço amanhã
Ando onde há espaço:
– Meu tempo é quando.
Quem vai pagar o enterro e as flores
Se eu me morrer de amores?
Amigos meus, está chegando a hora Em que a tristeza aproveita pra entrar E todos nós vamos ter que ir embora Pra vida lá fora continuar Prontinha pro show voltar E em novo dia A gente ver novamente A sala se encher de gente Pra gente comemorar
E no entanto é preciso cantar Mais que nunca é preciso cantar É preciso cantar e alegrar a cidade Quem me dera viver pra ver E brincar outros carnavais
A bênção, que eu vou partir
Eu vou ter que dizer adeus

ILHA - Calma poeta, tenho uma última pergunta:
Um repórter lhe perguntou se você tinha medo da morte. O que respondeu?

POETA – Não, meu filho. Eu não estou com medo da morte. Eu estou é com saudade da vida.

ILHA - Até mais Poeta...te vejo na Ilha.

POETA - Saravá!

 
Ano do enredo: 2012
Título do enredo: De Londres ao Rio: Era uma vez... Uma Ilha...
Descrição do enredo:

Argumento

"Once upon a time", ou "ERA UMA VEZ"... é a forma mais popular, desde 1380, de iniciar histórias em língua inglesa. E se tornou convencional na abertura de narrativas a partir de 1600, da mesma forma que terminam com um: "E VIVERAM FELIZES PARA SEMPRE". Prevalecem em contos de fadas para crianças e na tradição oral de recontar mitos, fábulas e folclore.

A cada quatro anos o mundo se une para o grande momento do esporte e para celebrar a paz. A cidade anfitriã faz em sua abertura uma representação artística de sua história e sua cultura. No ano de 2012, Londres será a sede desse evento.

A União da Ilha fará uma versão bem carioca e carnavalesca dessa festa. E também uma contagem regressiva para os jogos olímpicos do Rio de Janeiro.

Em vermelho, branco e azul, as mesmas cores do Reino Unido, a Ilha falará da Ilha que sambará ao batuque da Ilha. Saint George, padroeiro da Inglaterra, estará ao lado de São Sebastião do Rio de Janeiro, ambos padroeiros da nossa escola.
O fogo que atravessou nosso último carnaval nos uniu, assim como o fogo olímpico une as nações. Superamos as dificuldades, assim como cada atleta supera seus limites para atingir o pódio.

Era uma vez uma Ilha feita de alegria e muito samba que vai contar histórias de outra Ilha. Incendiando a avenida misturando irreverência e tradição, vamos acender a pira com o fogo da paixão e transformação. Foi dada a partida! A festa vai começar!!!

Sinopse

... Onde vivia um povo valente e guerreiro. Um dia, apesar de ser defendida com bravura, um grande império a conquistou. O imperador invasor fundou uma cidade que cresceria até se tornar uma das mais importantes do mundo.

Capital de um país e depois de um reino que se tornaria unido. Sua história é feita de reis e rainhas, príncipes e princesas, e de heróis errantes.

Nobres cavaleiros cruzaram terras para defender a sua fé. Vestidos e armados com as armas de um santo guerreiro e com sua cruz estampada na bandeira, seguiram em sua saga de bravos, pondo sob as patas de seus fiéis ginetes o mais temível dragão.(1)

Nesta terra, a fantasia e a realidade se confundem. Em sua tradição, narram contos onde espadas são encantadas e cálices são sagrados. Histórias de távolas redondas, fiéis escudeiros e magos a serviço de um só Rei.

Nos palcos encenam histórias de amores impossíveis, comédias, dramas e tragédias. Onde nesta noite de verão, há somente uma questão: ser ou não ser? Nas ambições por um trono, até as "rosas" guerreiam. (2)

Em uma era dourada, conquistaram os mares e a Coroa aliou-se a corsários e piratas em busca de inesgotáveis tesouros. Dominaram por séculos boa parte do planeta.

Lançaram, sob a ótica da ciência, um novo olhar sobre fatos naturais e a todo vapor se tornaram condutores revolucionários, pondo o progresso nos trilhos e no campo do pensamento. Publicaram temas que nos deram arrepios e nos levaram a um delirante país das maravilhas.

Seus artistas brilharam nas telas e sob as luzes da ribalta. Com swing (3) encurtaram medidas, mudaram comportamentos e deram uma chance à paz e ao amor.

Inventaram com a bola nos pés a nossa maior paixão.
Hoje convidam a todos para um encontro onde pessoas do mundo inteiro mostram o que é superação, exaltando a cultura de paz. Saudemos aqueles que ultrapassam seus limites e dentre esses os nossos patrícios que sempre nos enchem de orgulho.

Era uma vez... A nossa Ilha, onde também vive um povo valente e guerreiro, que defende com bravura a sua bandeira. Que todo ano vem para conquistar o coração de um lugar que cresceu até se tornar um dos mais importantes da terra e que em breve será o próximo anfitrião. A Ilha é a pista para esse sonho aterrissar e a porta de entrada das nossas vitórias.

Nessa grande paródia carnavalesca, vamos adiantar os ponteiros do relógio e imaginar que a festa é aqui e agora. Acender a chama da paixão, incendiar de alegria toda a cidade e renovar as esperanças. 

Contos de fadas são como o carnaval, e sempre nos levam ao imaginário, sendo assim, esta história não poderia terminar diferente: "E viveremos felizes para sempre".

Alex de Souza
Carnavalesco

(1) Referência á oração de São Jorge, Padroeiro da Inglaterra.
(2) Citações ás peças de Willian Shakespeare. O maior dramaturgo de língua inglesa.
(3) Swinging London foi uma expressão utilizada nos anos 60 para descrever a vanguarda londrina. Swinging representaria algo com arrojo, moderno, etc.

 
Ano do enredo: 2011
Título do enredo: Mistérios da Vida
Descrição do enredo:

Texto do carnavalesco Alex de Souza

O meio científico ainda comemora os 150 anos da primeira publicação do livro A ORIGEM DAS ESPÉCIES, livro este que causou uma verdadeira revolução no mundo com a Teoria da evolução. A aventura vivida pelo naturalista inglês Charles Darwin à bordo do H.M.S. Beagle, o navio britânico, que em aproximadamente cinco anos, deu a volta ao mundo e que tinha a missão de mapear a América do Sul, onde aportaram nas cidades de Salvador e Rio de Janeiro. E que nas Ilhas Galápagos, no Equador, desperta o jovem cientista para a elaboração de suas futuras teorias.

Esta expedição científica será revivida pela escola de samba União da Ilha do Governador, exatamente pelo espírito de aventura presente em tantos dos seus carnavais. O enredo mostrará muito mais que uma viagem de navio, viajará através da história da origem da vida, a evolução das espécies, por meio da SELEÇÃO NATURAL.

Seguindo a sequência do diagrama desenhado por Darwin, um dos pais da biologia moderna e da consciência ecológica, que mostra como grupos descenderam de outros, numa ramificação que ele compara a uma ÁRVORE DA VIDA.

Em sua teoria, o homem perde o status de grande senhor do mundo, como o superior a todos, mostrando que toda a vida está relacionada a um só ancestral. O grande recado é de que cabe a nós também uma maior responsabilidade quanto à preservação do planeta.

Confira a sinopse

Ela é insulana por NATUREZA. Já foi domingueira, mística, curiosa, nostálgica, carnavalesca, assombrosa, profana, biriteira, circense, mágica, mandingueira, infantil e por fim: AVENTUREIRA.

E mais uma vez, prepara as malas para outra de suas aventuras.  Embarca no carnaval de 2011 a bordo do navio Beagle para atravessar o mar e ancorar na passarela trazendo memórias da maior de todas as viagens. Na companhia do jovem naturalista Charles Darwin, parte da Inglaterra para desbravar os sete mares e dar uma volta ao mundo. Mapeando a América do Sul, chega ás costas brasileiras e se encanta com as belezas das nossas florestas tropicais.

Prossegue a viagem contornando o continente. São desembarques fascinantes por tantas terras, tantas ilhas, que as maravilhas da natureza encontradas no caminho são coletadas e catalogadas, assim como vestígios de um passado remoto, que lhes despertam o interesse em desvendar suas origens. Segue seu curso, até retornar sua terra natal.

Com seus diários de bordo, anotações e constatações, ele chegará a uma teoria revolucionária que mudaria o rumo da história. Através dela partiremos para a grande viagem de fato: a que nos leva para a origem de tudo, ao grande mistério: a história da vida.

Que começa na água, de uma única célula, que se dividiu, cresceu e se multiplicou. Logo surgiu vida nos oceanos. Seres com coluna, ossos e crânio desenvolvido, criaram barbatanas, para nadar com velocidade. Dominaram as águas do mundo.

Algumas formas se aventuraram pela Terra. Brotaram, se ramificaram, floresceram e frutificaram.

Seres animados chegam à superfície, estes possuem asas, antenas, geram larvas, passam pela metamorfose, zumbem, se alimentam de néctar.

Daquelas criaturas aquáticas, algumas desenvolveram a capacidade de engolir ar na superfície da água, barbatanas viram patas, e passeiam na terra com sua pele molhada e pegajosa.

Seus descendentes criaram pele escamosa e seca e romperam seu elo com a água. Rastejam, silvam, tem cascos, e por um tempo dominaram o mundo com suas formas colossais, destes muitos foram exterminados, mas geraram outros cujas escamas viraram penas.

Criaturas aladas que dominaram os céus, com seus cantos, seus encantos, suas cores fascinantes.

Outro ramo começou a crescer em grande número na Terra. Diferentes de outros viventes, seus corpos quentes, que desenvolveram pelos e garras, ganharam resistência, velocidade, em todo ambiente, do ártico aos trópicos, na água, na terra e no ar.

Do alto das árvores alguns desceram e se apoiaram em duas patas, inteligentes, foram evoluindo, evoluindo, e evoluíram para o quê?

Para achar que é sobre os demais, um ser superior?  Para poder pensar que tudo pode destruir?

Esta é  a grande revelação, sob a luz da ciência, do modo de vermos o mundo. Que não estamos separados do mundo natural. Somos todos frutos de uma mesma árvore: A ÁRVORE DA VIDA e a ela devemos PRESERVAR.

Colorindo com toda a sua simpatia outra vez na passarela, tão bonita e tão singela, chega a ILHA, trazendo FELICIDADE e cheia de ALEGRIA para celebrar a VIDA. Vamos cantar sambar e EVOLUIR, ao som do samba no rufar da bateria porque HOJE é carnaval. Quanto ao futuro pergunto através dos meus versos: o QUE SERÁ o AMANHÃ, como vai ser o meu destino? Responda quem puder o que irá me acontecer, o meu destino será como DEUS quiser...
 
 
Alex de Souza (Carnavalesco)

 
Ano do enredo: 2010
Título do enredo: Dom Quixote de La Mancha, o cavaleiro dos sonhos impossíveis
Descrição do enredo:

União da Ilha canta Dom Quixote

O enredo da União da Ilha, "Dom Quixote de La Mancha, o cavaleiro dos sonhos impossíveis", de autoria da carnavalesca Rosa Magalhães - que ganhou cinco títulos com a Imperatriz Leopoldinense -, eleva a escola de Cacuia a posição de destaque do Carnaval carioca. O enredo (aqui ilustrado por foto de reprodução de Dom Quixote, de Pablo Picasso, de 1955) sobre a figura criada por Miguel de Cervantes oferece muitas oportunidades de criação, como se pode ver no texto de Rosa Magalhães sobre o enredo, divulgado pela União da Ilha:

"Num lugar da Mancha, de cujo nome não quero lembrar-me, vivia um fidalgo. Tinha em casa uma ama e uma sobrinha. Orçava em idade, o nosso fidalgo, pelos cinquenta anos. Era rijo de compleição, seco de carnes, enxuto de rosto, madrugador e amigo da caça...

É pois de saber, que este fidalgo, nos intervalos que tinha de ócio, que eram muitos, se dava a ler livros de cavalaria com tanto empenho e prazer, e era tanta paixão por essas histórias, que chegou a vender parte de suas terras para comprar livros de Cavalaria. O que mais admirava era os "Os quatro de Amadis de Gaula", primeiro livro de cavalaria que se imprimiu na Espanha.

E o pobre cavaleiro foi perdendo o juízo. Sua imaginação foi tomada por tudo o que lia nos livros - feitiçarias, contendas, batalhas, desafios, amores e disparates inacreditáveis. Foi assim que acudiu-lhe a mais estranha idéia, que jamais ocorrera a outro louco nesse mundo. Pareceu-lhe conveniente fazer-se cavaleiro andante, em busca de aventuras e viver tudo o que havia lido sobre o assunto".

Assim começa a saga de um cavaleiro que se tornou imortal. Escrito por Miguel de Cervantes, a princípio era uma crítica aos romances de cavalaria. Porém sua importância foi além dos limites que imaginara. É considerado o primeiro romance da era moderna e escolhido como o melhor livro já escrito até os dias de hoje.

Voltando ao nosso herói, ele escolheu um nome, Quixote de La Mancha, batizou seu magro cavalo de Rocinante, tomou um vizinho, lavrador pobre e bastante simplório, como seu fiel escudeiro. E para cavaleiro andante nada mais lhe faltava a não ser uma dama. Foi então que se lembrou de uma aldeã por quem já fora enamorado, embora ela nunca tenha sabido, chamada Aldonza Lorenzo. Pôs-lhe então o nome de Dulcinéia del Toboso.

Assim, armado e montado em Rocinante, acompanhado pelo escudeiro Sancho Pança montando seu burrico russo, Dom Quixote resolve sair em busca de aventuras, que devo dizer não foram poucas.

Investiu contra os moinhos de ventos, achando que eram gigantes, obra do grande feiticeiro Fristão, tomou rebanho de ovelhas por exércitos inimigos, e fez o mesmo com uma manada de touros. De um barbeiro, levou-lhe a bacia dourada, pois achava que era o elmo de Mambrino, colocou-a na cabeça e esta bacia passou a fazer parte de sua indumentária enferrujada e antiga, pertencente a seu bisavô.

Enquanto Dom Quixote se aventura pelo mundo, sua sobrinha, ajudada por amigos, resolve destruir todos os livros de cavalaria dele e bloqueia a porta do seu escritório, para parecer que esta sumira como que por encantamento. No afã de levá-lo de volta para casa, o noivo da moça se disfarça de cavaleiro da Branca Lua e desafia Quixote para um torneio. Caso ele perdesse, teria que se refugiar em casa por um período de um ano, esquecendo-se das aventuras de cavaleiro andante.

Quixote é vencido por seu oponente e, como era fidalgo de palavra, volta para casa, para júbilo de todos, e aos poucos vai recobrando a sensatez e esquecendo-se das aventuras do grande D. Quixote de la Mancha.

"Quixote encanta pela loucura da luta por ideais dos quais a razão desistiu. Os humanistas domesticados pela razão cínica viraram técnicos em acomodação".

Quixote, como Cervantes, foi-se em agitação criativa e penúria material. Quatro séculos após a sua vinda, restam o quixotesco de anedota, frases divertidas, fugaz admiração. Do ideal, apenas a glória do derrotado. Venceu o pragmatismo de Sancho.

Mas vale a pena ler, quimeras são sempre divertidas, a infância ou a loucura ainda mora na essência das nossas almas quixotescas...

"Sonhar,
Mais um sonho impossível
Lutar
Quando é fácil ceder
Negar quando a regra é vender...
Voar num limite improvável
Tocar o inacessível chão".

Rosa Magalhães
Carnavalesca

Bibliografia consultada:
- Dom Quixote de la Mancha - de Miguel de Cervantes - Ilustrações de Gustave Doré - Tradução - Viscondes de Castilho e de Azevedo - Lello e irmão editores - Porto - 2 volumes - s/data

- Dom Quixote de la Mancha - de Miguel de Cervantes, tradução de Ferreira Gullar - editora Revan - 2002

- Artigo - Quatro séculos do maluco beleza - Alcione Araújo - Revista Argumento número 8 pág 117

- Sonho impossível - Musical Mano of la Mancha - de Dale Wasserman, Joe Darion, Mitch Leigh - tradução Chico Buarque de Hollanda

Ano: 2014
Título do samba enredo: "É brinquedo, é brincadeira, a Ilha vai levantar poeira"
Compositores do samba enredo: Paulinho Poeta, Régis, Gabriel Fraga, Carlinhos Fuzileiro, Canindé e Flávio Pires
Letra:


Levanta a poeira,
Vem nessa brincadeira que eu quero ver
Nesse baú da memória,
São tantas histórias.. É só escolher
Desperta, encanta sua alma de infância
Sem forma nem cor fabrica esperança
Na vitrine vejo o meu olhar no seu olhar
Perder ou ganhar, ganhar ou perder
Se conectar, jogar e aprender
Um super-herói pode ser você

Vem no reino da ilusão, me dê a sua mão
E pegue na estante, um livro fascinante
Personagens da imaginação (é tão bom, é tão bom)

Brinque com o que a vida lhe dá
O barro vira ouro no chão
Vem reciclar a saudade, de ioiô nas mãos de Iaiá
Nas travessuras ao léu, por esse imenso país
Vai colorindo o céu em um bailado feliz
Meu carnaval é o quintal do amanhã
Tá na hora, vamos simbora
Amar é dar proteção ao maior tesouro da nação!

Hoje a Ilha vem brincar... Amor!
Vem sorrindo cirandar que eu vou
Dar meia volta, volta e meia no seu coração
Ser criança não é brinquedo não!

 
Ano: 2013
Título do samba enredo: "Vinicius, no Plural Paixão, Poesia e Carnaval"
Compositores do samba enredo: Ginho, Júnior, Vinícius do Cavaco, Eduardo Conti, Professor Hugo e Jair Turra
Letra:


Surgiu, ao som do mar, um poeta
Que brincava na areia
Na Ilha um menino, sempre a sonhar
Fez da sua vida um poema
E viveu a declamar
"Como é bom se apaixonar"!
Ó pátria amada, recebe esse menestrel!
Voz do morro na folia, Orfeu chegou, raiou o dia!
Levou a bossa no "Tom" d'alegria
Se é canto de Ossanha menina, então não vá!
Um berimbau vai ecoar...
Vem, meu camará!

"Menininha me chamou...vou pra Bahia
Sou da linha de Xangô...caô, meu guia
Odoyá...Yemanjá!
À bênção meu Pai Oxalá!"

Ê jangada...na luz da manhã já vai navegar
Segue pra Itapoã, no brilho do sol... é bom vadiar!
Um jeitinho que fascina
Num doce balanço que não tem igual
Quando abrir a Arca de Noé...
Um riso de criança em cada olhar
Enfim, o que importa é amar
A noite é sua passarela
O show não pode parar

Onde anda você..."Poetinha"?
Saudade mandou te buscar
A Ilha é paixão na Avenida
Mais que nunca é preciso cantar!

 
Ano: 2012
Título do samba enredo: De Londres ao Rio: Era uma vez... Uma Ilha...
Compositores do samba enredo: Marquinhos do Banjo, Alberto Varjão, Eduardo, Alan das Candongas, Márcio André Filho, Carlinhos Fuzil, Fabiano Fernandes, Aloisio Villar, Cadinho e Roger Linhares
Letra:


Uma história vou contar
Tem lendas, mitos e magias
Era uma ilha onde um povo valente vivia
Que um grande império conquistou
Virou cidade das realezas
O Reino Unido e seus heróis
"Peguem as armas", diz a voz
De um Santo Guerreiro
Os bravos vão lutar, cruzar fronteiras
Com sua fé estampada na bandeira

Vou botar molho inglês na feijoada
Misturar chá com cachaça
Ser ou não ser, eis a questão
Tem choro e riso nesse palco de ilusão

Vão dominar o mar e grandes tesouros
Guiados pelos olhos da Ciência
Lindos contos vão brotar ...
A luz do cinema é a arte a brilhar
Olha bicho, paz e amor suingou
Batuquei meu samba com rock'n roll
Na minha terra tem o Reino da Folia
Futebol que contagia... É gol!!!
É a vitória um momento divinal
Acesa a chama pela paz universal

A minha Ilha é ouro e prata
Tem o bronze da mulata
Canta meu Rio em verso e prosa
Com a Cidade ainda mais Maravilhosa

 
Ano: 2011
Título do samba enredo: Mistérios da Vida
Compositores do samba enredo: Gugu das Candongas, Marquinhos do Banjo, João Paulo, Marco André Filho, Arlindo Neto e Ito Melodia
Letra:

Minha alegria vai cruzar o mundo
Aventureira vai cruzando o mar
Trazendo Darwin na memória
Mais uma história vou desvendar
Um relicário de beleza natural
É o esplendor do carnaval
Que maravilha, nessa terra vou desembarcar
O show da Ilha vai começar

No fundo do mar, eu vi brotar
Se multiplicar a vida
Mistérios vão se revelar
Nas águas que vão me levar...a caminhar

A Terra abriu um sorriso
E o paraíso vai me ver chegar
Seres estão antenados
Pequenos alados bailando no ar
Lindos animais na passarela
E lá no céu, a mais linda aquarela
Do alto surgiu diferente
Não sei se é bicho, não sei se é gente?
Somos frutos do mesmo lugar
A árvore da vida vamos preservar

Hoje eu quero brindar...com a Ilha
Nessa avenida dos sonhos, brilhar
O meu amanhã, só Deus saberá
A vida vamos celebrar

 
Ano: 2010
Título do samba enredo: Dom Quixote De La Mancha, o cavaleiro dos sonhos impossíveis
Compositores do samba enredo: Grassano – Gabriel Fraga – Márcio André Filho – João Bosco – Arlindo Neto – Gugu das Candongas – Marquinhus do Banjo – Barbosão – Ito Melodia – Léo da Ilha
Letra:

VOLTOU A ILHA
DELIRA O POVO DE ALEGRIA
NESSA FOLIA SOU FIDALGO, SOU LEITOR
CAVALEIRO SONHADOR
MEU MUNDO É DE MAGIA
VOU CAVALGAR NO ROCINANTE
MEU ESCUDEIRO É SANCHO PANÇA
SE DULCINÉIA É MEU AMOR
QUEM EU SOU?
SOU DOM QUIXOTE DE LA MANCHA

O GIGANTE MOINHO ME VIU DEU NO PÉ
O POVO GRITA..OLÉ
NESSE FEITIÇO TEM CASTANHOLA
A BATERIA HOJE DEITA E ROLA

VESTI A FANTASIA, FUI À LUTA
VENCI MANADAS, REBANHOS
FIZ DE UMA BACIA, MEU ELMO DE GLÓRIAS
MEUS LIVROS SE PERDERAM PELA HISTÓRIA
ENFIM, FUI VENCIDO PELO BRANCA LUA
VOLTEI PRA CASA ESQUECENDO AS AVENTURAS
O TEMPO FICOU COM MEUS IDEAIS
QUIMERAS SÃO IMORTAIS

A ILHA VEM CANTAR
MAIS UM SONHO IMPOSSÍVEL... SONHAR!
QUEM É QUE NÃO TEM, UMA LOUCA ILUSÃO
E UM QUIXOTE NO SEU CORAÇÃO

Notícias
 
Mais resultados para busca por: União da Ilha
0
SOSAMBA.COM.BR | COPYRIGHT © 2010 TODOS OS DIREITOS RESERVADOS