Mancha Verde

Grupo: Especial
Fundação: 18 10 1995
Cores: Verde, Branco e Vermelho
Presidente: Paulo Serdan
Vice presidente: Luiz Carneiro Filho
Carnavalesco: Fernando Dias
Interprete: Fredy Vianna
Mestre de bateria: Mestre Caju
Diretor de carnaval: Paolo Bianchi
Diretor de harmonia: Comissão de Harmonia
Mestre sala: Fabiano Dourado
Porta bandeira: Jéssica Gioz
Rainha de bateria: Viviane Araújo
Endereco: Av. Abrahão Ribeiro, 503, Barra Funda
Telefone: 0/xx/11 3361-2146
História

A Mancha Verde, ainda como torcida, foi fundada em 1983, resultado da fusão de três antigas torcidas organizadas - Império Verde, Inferno Verde e Grêmio Alviverde.

No começo do ano de 1995, a Mancha Verde (Palmeiras) decidiu participar do Carnaval, acertando sua participação junto à UESP, e alterando seu estatuto. Porém, devido à uma briga entre torcedores da Mancha e da torcida Independente, do São Paulo Futebol Clube, a justiça decretou, ainda naquele ano, a extinção do então Grêmio Recreativo Esportivo Cultural Torcida Mancha Verde como pessoa jurídica.

Como os integrantes da torcida continuaram se reunindo após isso, para que continuassem a poder fazê-lo de modo oficial, em 18 de outubro de 1995 assinaram a oficialização do Grêmio Recreativo Cultural Bloco Carnavalesco Mancha Verde. Embora a Mancha como escola de samba tenha sido criada com novos CNPJ e estatuto, seus integrantes a consideram como a continuação da torcida extinta. Anos mais tarde, seria criada a torcida Mancha Alvi-Verde, desvinculada juridicamente da antiga torcida e então somente escola de samba.

Em 1996, ano de seu primeiro desfile, com um enredo alertando para a destruição da natureza, ficou em segundo lugar no Grupo de Espera (subindo para o Grupo Especial dos Blocos), em seu primeiro desfile oficial. No ano seguinte, cantando a "Noite paulistana, um convite ao prazer", vence pela primeira vez o concurso dos blocos do carnaval paulistano.

Em 1998, tendo como enredo a palmeira, árvore indiana que veio para o Brasil, torna-se bicampeã do Grupo Especial dos Blocos Paulistanos. Tudo levava a crer que a Mancha Verde poderia ter sucesso semelhante a Gaviões da Fiel, escola também oriunda de torcidas organizadas.

Na tentativa do terceiro título consecutivo, o já consagrado bloco alviverde acaba em segundo lugar, com o enredo "Vinho, o néctar dos deuses". Mesmo assim, foi consolidando-se como uma promissora escola de samba, tendo inclusive o seu samba cantado por Quinho, famoso intérprete de sambas-enredo.

Em 2000, a Mancha Verde estreia com escola de samba. Cantando um enredo questionador sobre os 500 anos do Brasil ("Brasil, que história é essa?"), fica em segundo lugar no Grupo 3 Oeste do carnaval de São Paulo, ficando atrás apenas da Lavapés, a primeira escola de samba paulistana. Este resultado eleva a escola ao Grupo 2.

Cantando os orixás no carnaval de 2001, vence pela primeira vez como escola de samba e ascende ao Grupo 1A, prosseguindo a sua vertiginosa senda de vitórias em apenas seis desfiles. No ano seguinte, homenageando a Força Sindical, vence o Grupo 1A e se aproxima do Grupo Especial do Carnaval de São Paulo.

Em 2003, uma nova meta a ser alcançada pela surpreendente e jovem escola de samba: chegar à elite do samba de São Paulo. Exaltando a cor mais brilhante no coração palmeirense - verde -, a Mancha Verde mostra a sua força perante as escolas de maior tradição que compunham àquele grupo (como Tom Maior, Pérola Negra e Unidos de São Lucas). Por razões até hoje contestadas, a escola fica em terceiro lugar, meio ponto atrás da vice-campeã Imperador do Ipiranga e um atrás da campeã Acadêmicos do Tatuapé, as escolas que voltaram ao Grupo Especial.

Mas, ao invés do arrefecimento, o aguerrimento. Consertando os equívocos e aperfeiçoando as virtudes, a Mancha provou ser uma escola estruturada no carnaval de 2004. Cantando "A saga italiana em terra paulistana", faz um desfile sem erros e conquista, enfim, o tão sonhado título do Acesso e sobe ao Grupo Especial paulistano, ao mesmo tempo em que a co-irmã Gaviões da Fiel caiu ao Acesso.

Em 2005, ano de sua primeira participação no grupo especial no Carnaval de São Paulo, terminou na 12ª colocação.

Em 2006, a Mancha Verde forma, juntamente com a Gaviões da Fiel, o Grupo Especial das Escolas de Samba Desportivas. O regulamento da Liga prevê que caso duas escolas, que sejam ligadas a agremiações desportivas, estejam no Grupo Especial, as mesmas formariam um outro grupo, que só teria escolas de samba ligadas a torcidas de futebol. Após muita polêmica, a Gaviões consegue, dias antes do carnaval, uma liminar que lhe garante o direito de disputar o Grupo Especial, porém tal direito é negado à Mancha Verde, pois a Gaviões argumentou na justiça que tendo sido convidada pela Liga em finais dos anos 80, não teria esta o direito de impedi-la de disputar agora. Já Mancha tentou provar que por ser uma pessoa jurídica diferente, não seria ligada a nenhuma torcida organizada. O juiz, porém, usou como base para indeferir tal pedido o texto que constava no então site da entidade, que acabou funcionando como uma confissão da tese contrária. A Mancha foi assim obrigada a desfilar sozinha no Grupo de Escolas de Samba Desportivas, onde torna-se campeã. Porém às vésperas do desfile, a Mancha conseguiu negociar com a Liga a transferência do desfile, da madrugada de domingo para segunda, inicialmente a data prevista, para a madrugada de sábado para domingo, junto com as escolas do Grupo Especial, sendo também avaliada pelos mesmos jurados deste grupo. Essa avaliação lhe garantiu a sétima colocação geral, muito embora a Liga não reconheça esta classificação.

Em 2007, a Mancha Verde novamente foi colocada sozinha num grupo à parte, sendo obviamente declarada campeã deste grupo, e inclusive participando do desfile das campeãs, onde desfilou logo após a Gaviões da Fiel. Em relação ao Grupo Especial, obteve a décima-primeira colocação.

Em 2008, o Grupo Especial das Escolas de Samba Desportivas deixou de existir, fazendo com que Gaviões da Fiel e Mancha Verde voltassem a disputar com as outras escolas o título do Grupo Especial no carnaval.

Em 2009, falando sobre o estado de Pernambuco, com o tema Pernambuco: uma nação cultural!, a escola terminou na 10º colocação.

Em 2010, a Mancha Verde teve como enredo Aos Mestres com Carinho! Mancha Verde "ensina" como criar identidade! e teve também a volta do intérprete Celsinho que veio do Camisa Verde e Branco e também o carnavalesco Cebola, que estava na Mocidade Independente no carnaval carioca em 2009. No final, conseguiu ficar em 4º Lugar, à frente de escolas como Gaviões da Fiel e X-9 Paulistana. Não se sagrou campeã por apenas um ponto: 269, contra 270 da Rosas de Ouro. Ficou em 4ºlugar,a sua melhor colocação em toda a sua história.

Ano do enredo: 2014
Título do enredo: "Bem Aventurados sejam os perseguidos pela justiça dos homens, pois deles será o reino dos céus"
 
Ano do enredo: 2013
Título do enredo: "Mário Lago - O Homem do Século XX"
Descrição do enredo:


Contar a vida de Mario Lago é, antes de mais nada um delicioso desafio. O tempo em que viveu, o século XX,  não foi suficiente para conter a sua obra cultural e intensidade social.

Foram muitas histórias na Lapa e no Rio de Janeiro boêmios. Muita influência do pai músico do municipal e do avô anarquista. Muitos parceiros de música e bebedeiras. Uma convivência familiar intensa nos 50 anos que viveu ao lado de Zeli. Foram muitos combates, corajosos e engajados na vida política conturbada da era Vargas e da Ditadura militar.

E muita, muita produção cultural. Foi necessário eleger, priorizar algumas destas produções de forma a tornar este enredo representativo. Mostrando um pouco de sua obra literária, foram 11 livros no total, em um pouco de sua obra teatral na qual atuou ou escreveu 31 peças, desde o teatro de revista da década de 30 até a década de 80. Atuou em 38 filmes como autor, como roteirista e co-autor, desde o cinema novo. Na música, especialmente no samba, foi figura constante com seus inúmeros parceiros em suas 88 composições ou co-autorias. Atuou intensamente no rádio, seja como comentarista ou narrador no dia-a-dia das radionovelas, sensação das décadas de 30 e 40, na era de ouro do rádio brasileiro. Na televisão atuou em 53 telenovelas.

Mario Lago está imortalizado para sempre na vida cultural do Brasil. O tempo passou lento e preguiçoso pela sua vida. O tempo parece jamais envelhecer sua obra, talvez por conta de sua relação com o tempo, talvez por conta do acordo que ele com o tempo fez.

"Fiz um acordo de coexistência pacífica com o tempo; nem ele me persegue, nem eu fujo dele. Um dia, a gente se encontra". - Mário Lago

"Eu não sou saudosista. Não fico lamentando: ‘ah, o meu tempo’.

Meu tempo é hoje." -  Mário Lago

Pré sinopse do enredo

Mario Lago nasceu na histórica Rua do Resende, no Rio de Janeiro, em 26 de novembro de 1911, filho único de Antônio Lago, um jovem compositor, maestro e violinista de sucesso, de uma família de músicos; e de Francisca Maria Vicência Croccia Lago, jovem descendente de calabreses, oriunda também de família de músicos. A família de Mario Lago, fazia valer sua influência italiana. Desde criança, a arte exerceu absoluto fascínio sobre Mario Lago; uma atração igualada apenas pela política, pela boemia e pela família. A influência do Pai que foi primeiro violino da Orquestra do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, foi intensa. Este, mudou-se de Piracicaba em 1906 e passou a dedicar-se a música atuando como regente em teatros de revista. Chegou a ser convidado para ser regente de coros no Teatro Colon de Buenos Aires. Suas composicões mais famosas foram as canções "O dia nasce", com Abadie Faria Rosa; "Penso em ti", com Aníbal Pacheco e Celestino Silva e "Estilização" e a modinha "Modinha".

Com sete anos de idade, em 1918, é internado, vítima da epidemia de gripe espanhola que assola o Rio de Janeiro e parte do Brasil. É curado, e deixa o hospital. Ainda em 1918, começa a estudar piano com a esposa de Villa-Lobos, Lucila. Desiste anos depois alegando que o piano o exigia muita disciplina - Era um preguiçoso assumido. (compôs o samba ‘salve a preguiça, meu pai).

Teve uma intensa convivência com o avô o anarquista, Giuseppe Croccia, defensor de ideias desenvolvimentistas. Dividia com ele o quarto e durante muitas noites ouviu seus discursos inflamados, o que, com certeza colaborou para sua formação política progressista e engajada. Em 1920, Giuseppe foi intusiasta da obra de desmonte do Morro do Castelo, no centro do Rio, local que se destinaria às exposições do 1º Centenário da Independência do Brasil e à Exposição Internacional. Mario Lago acompanhou as obras e toda a movimentação em torno da comemorações do centenário com diversas delegações de outros países.  Foi matriculado no tradicional Colégio Pedro II. E aos doze anos de idade, o adolescente Mário já liderava uma greve estudantil no Colégio contra a obrigação recém-instituída de levar canecas de casa. Nessa instituição modelar de ensino teve a influência de outro anarquista, o professor de português José Oiticica, que volta e meia ia preso, enquanto seus alunos vibravam com as peripécias da Coluna Prestes, expressão maior da rebeldia militar tenentista. Nascido e criado na região central do Rio de Janeiro, Mario Lago teve sua formação intelectual e social extremamente influenciada pelo universo da região do bairro boêmio da Lapa, na região central do Rio de Janeiro. O bairro da Lapa  com seus famosos cabarés e restaurantes, era freqüentado pela fina flor dos artistas, intelectuais, políticos, diplomatas e malandros. Daquela época até hoje, a Lapa continua a pulsar. Quando a noite se vai, o burburio dos engravatados começa a surgir e os raios de sol começam a aparecer, subindo em uma de suas vielas ou becos aparece o malandro, chapéu panamá, calçado brilhoso, terno impecável e mulher a tira-colo, partindo para o descanço merecido de uma noite bem vivida. Ficou conhecido como Lagartão da Lapa, pelo tipo esguio, pela lingua afiada... Foi neste ambiente que Mario Lago formou sua personalidade, fugindo do Colegio Pedro II, tradicional reduto da elite carioca. Era lá que vivia sua aventuras vespertinas, ainda adolescente.

"Eu já freqüentava a Lapa. A Lapa não foi conseqüência, não. A Lapa foi ponto de partida. Porque eu morava perto. Eu com 16 anos já estava freqüentando a Lapa... E protegido por um malandro cuja vida tinha sido salva por meu pai, então ele me protegia, o Felipe Bonitinho. Então ele me protegia porque papai salvou a vida dele. Papai era diretor da Orquestra do Clube do Joá, que ficava em cima, na esquina, e ouviu dois caras combinando que iam fechar Felipe Bonitinho. Quando Felipe Bonitinho chegou, papai saiu do palanque e foi falar com ele: "Vai embora, porque tão querendo matar você". Eu comecei a freqüentar a Lapa, aí eu tava na bilheteria conversando com o pessoal: "Mário Lago, Mário Lago...", e um cara olhando pra mim, eu já tava invocado... Eu quase mandei ele pastar, eu já tava invocado... Aí saiu todo mundo, ele chegou e disse: "Posso sentar aí", perguntou, "Você é parente do maestro Lago?". Eu digo: "sou filho". "Sabe que seu pai salvou minha vida?". E contou a história. E o mais engraçado é que, quando contei isso a papai, ele disse: "não me lembro"... Foi depois daí que eu comecei a freqüentar a Lapa, porque eu era estudante, no Pedro II. Eu conheci então a grande palavra do estudante, que é gazeta, né?... Até fui reprovado por isso. Eu queria mais ficar ali do que no Pedro II. Comecei ali... Papai era de teatro, maestro... Quer dizer, minha vivência em casa era sempre de música, de maestro e tal...

Depois, lá pela década de  40, é que eu mergulhei fundo, três anos de freqüentador da Lapa. O passo já ia sozinho, Café Nice, depois que o Nice fechava ia pros cabarés da Lapa. Fui amigo de tudo que era vagabundo, era tudo amigo meu. Às vezes, mas eles não era do cabaré que eu freqüentava. Tinham três cabarés, o Royal Pigalle, um outro que eu não me lembro o nome e o Novo México, perto dos Arcos.

"Não, era um outro tipo de vida... A única coisa violenta que eu vi foram duas: a prisão do Madame Satã, que não era fácil pra prender.. Nunca foi preso por menos de seis guardas, jogava muito com a perna, né?... E a briga dele com Geraldo Pereira. O Madame Satã era uma moça e o Geraldo Pereira também era uma moça, quando não estava de porre. Quando estava de porre, ele saía procurando briga. E lá na Lapa ele cismou com o Madame Satã, cismou... ficava dizendo "Você é viado!...", "Tá bem, seu Geraldo...". Até que o Geraldo disse: "Vou lhe dar uma porrada...". Aí ele disse: "ah, não vai não...". E o Madame Satã só dava rabo de arraia na barriga do Geraldo, que tinha um câncer no intestino.. Estourou o cano. Porque quando ele foi dar uma porrada: "Ah, não vai não, seu Geraldo...". O Madame Satã era difícil de pegar, chinelinho de salto alto, tamanquinho todo florido e tal... - Você presenciou essa briga? "Presenciei, as duas, foram as únicas coisa realmente violentas que eu vi ali".

A vida política iniciada na Colégio e influenciada pelo avô anarquista, manifesta-se com a arte e através da imprensa. Em 1926, publica seu primeiro poema, ‘Revelação’ na revista Fon Fon, publicação sobre a vida cotidiana da sociedade brasileira que durou décadas. Ainda deste ano passa a escrever para o o Jornal ‘O Radical’, o único jornal que, num longo período da vida pública brasileira,  jamais deixou de combater o jogo político brasileiro. Começa ai a se expor como um combativo contestador da ordem política vigente.

Sua atuação política lhe custa a liberdade, com seis prisões no total, sendo a primeira em 1932:  Em 21 de janeiro, já na Juventude Comunista, é preso pela primeira vez. Após um comício na porta da fábrica de tecidos Mavilis, da América Fabril... Adota o codinome de Pádua Correia, uma homenagem ao nome com o qual sua mãe queria batizá-lo - Mário de Pádua Jovita Correia do Lago - e que acabou encurtado para Mário Lago, por decisão pai. Ao ser solto, é conduzido por policiais até a fronteira com o Uruguai e ameaçado de morte. Passa dois meses como clandestino no Uruguai, e retorna ao Brasil. Ao voltar ao Brasil, ainda em 32, entra para o Bola Preta, tradicional cordão carnavalesco do Rio de Janeiro, que existe até hoje, do qual carrega os estandarte e para o qual compõe hino: ‘Braço é Braço’ .

Em 1933, termina a faculdade de Direito e estagia em um escritório de advogados por três meses; quando desiste da profissão. Neste ano estreia como autor de teatro de revista, com a peça ‘Flores à Cunha’, escrita exatamente para provocar o general e  político Flores da Cunha, que apoiava Getúlio Vargas em sua ‘revolução’. O teatro de revista foi um genêro popular no Brasil, um veículo de difusão de modos e costumes, como um retrato sociológico, ou como um estimulador de riso e alegria através de falas irônicas e de duplo sentido. O teatro Recreio, na praça Tiradentes no Centro do Rio era sua ‘casa’.

Em 35, iniciou sua vida de letrista e compôs a marcha ‘Menina, Eu Sei de Uma Coisa’  com Custódio Mesquita, gravada em por Mário Reis.

Em 1936 escreve para o teatro de revista a peça o ‘Sambista da Cinelândia’,  encenada pela companhia teatral Casa de Caboclo, no Theatro Phenix, que ficava na esquina da Avenida Rio Branco com a Rua Almirante Barroso Estreou em 22 de abril de 1936, sendo que a interpretação do samba-título era de Jurema de Magalhães, num quadro em que interpretava uma sambista de morro que era recrutada para trabalhar numa emissora de rádio. Era um contraponto à até então repressão ostensiva da polícia ao sambista, quando então o samba como genêro, passa a ser mais aceito pela sociedade.

Sambista, desce o morro/ Vem pra Cinelândia, vem sambar/ Que a cidade já aceita o samba/ E na Cinelândia só se vê gente a cantar/ Hoje está tudo tão mudado /E acabou-se a oposição/ Escolas há por todo lado/ De pandeiro e violão/ O morro já foi aclamado/ E foi um sucesso colossal/ E o samba já foi proclamado/ Sinfonia nacional/

Sua músca ‘Nada Além’ sobre as dores do amor se torna sucesso no ano de 1938.

Nada além/ Nada além de uma ilusão/ Chega bem/ E é demais para o meu coração/ Acreditando em tudo que o amor/ Mentindo sempre diz /E vou vivendo assim feliz/ Na ilusão de ser feliz/ Se o amor Só nos causa sofrimento e dor/ É melhor/ Bem melhor a ilusão do amor/ Eu não quero e não peço/ Para o meu coração/ Nada além de uma linda ilusão

E Orlando Silva grava em maio de 1938, a música de Mario Lago: ‘Enquanto Houver Saudade’

Não posso acreditar/ Que algumas vezes/ Não lembres com vontade de chorar/ Daqueles deliciosos quatro meses/ Vividos sem sentir e sem pensar/ Não posso acreditar/ Que hoje não sintas/ Saudade dessa história singular/ Escrita com as mais suaves tintas/ Que existem pra escrever o verbo amar/ Enquanto houver saudade/ Pensarás em mim/ Pois a felicidade/ Não se esquece assim/ O amor passa mas deixa/ Sempre a recordação/ De um beijo ou de uma queixa/ No coração.

No auge da sofisticação dos cassinos cariocas e aproveitando os astros da música no rádio, João de Barro e Mário Lago escreveram em 1939, Banana da Terra e o roteiro dessa comédia musical que apresenta alguns clássicos: começando com Carmen Miranda cantando 'O Que É Que A Baiana Tem', do até então desconhecido Dorival Caymmi. O sucesso é tão grande que Carmem adota a baiana estilizada e, meses depois, segue para Hollywood passando por ''A Jardineira'' na voz de Orlando Silva; ''Tirolesa'' com Dircinha Batista; e ''Sei Que é Covardia'' com Carlos Galhardo. Com Roberto Roberti, em 1940, Mario Lago compõe outro grande sucesso nas marchinhas de carnaval: ‘Aurora’, que. continua sendo hoje, 72 anos depois, uma das mais tocadas nos bailes de carnaval Brasil afora. ‘Aurora’ é gravada pela dupla Joel e Gaúcho. A música tem repercussão internacional na interpretação de Carmem Miranda. O filme Segure o Fantasma (Hold that ghost), da dupla Abbot & Costello, inclui versão em inglês da marchinha apresentada pelas Andrew Sisters.

Se você fosse sincera/ Oh, oh, oh, Aurora/ Veja só que bom que era/ Oh, oh, oh, Aurora/ Um lindo apartamento/ Com porteiro, elevador/ Um ar refrigerado/ Para os dias de calor/ Madame antes do nome/ Você teria agora/ Oh, oh, oh, Aurora.

O diretor teatral Joracy Camargo convida Mario Lago a subir ao palco no lugar do galã principal da peça "O Sábio". Assim, em 1942,  por acaso, Mário Lago torna-se ator. Logo em seguida atua em uma das mais expressivas obras de Nelson Rodrigues, ‘O Beijo no Asfalto’, uma crônica da vida cotidiana da classe média baixa carioca, que seria atual nos dias de hoje. Mario Lago faz o papel de Aprígio, pai de Selminha, a protagonista da obra.

Ainda em 1942, é gravado um de seus maiores sucesso na área musical, a marchinha carnavalesca  ‘Ai que saudades da Amélia’. Que hoje, 7 décadas mais tarde, ainda é referência em nosso cancioneiro, sendo regravada em diversos estilos musicais, utilizada em comerciais de rádio e televisão, E, no dia-a-dia é usada como menção à mulher perfeita, mesmo anos após a mulher brasileira ter passado pela sua revolução profissional. Amélia existiu, era empregada doméstica na casa de Almeidinha, irmão de Aracy de Almeida, que foi parceiro musical de Mario Lago, e que sugeriu o tema que resultou na marchinha.

Nunca vi fazer tanta exigência/ Nem fazer o que você me faz/ Você não sabe o que é consciência/ Nem vê que eu sou um pobre rapaz/ Você só pensa em luxo e riqueza/ Tudo o que você vê, você quer/ Ai, meu Deus, que saudade da Amélia Aquilo sim é que era mulher/ Às vezes passava fome ao meu lado/ E achava bonito não ter o que comer/ Quando me via contrariado Dizia: "Meu filho, o que se há de fazer!"/ Amélia não tinha a menor vaidade/ Amélia é que era mulher de verdade

Era início de 1944 e a convite de Oduvaldo Vianna foi ser autor, ator, diretor e apresentador na recém-criada Radio Pan-Americana em São Paulo. Como parceiro, o amigo de sempre, Oswaldo Louzada; a emissora iria ao ar somente depois do carnaval. Mário aproveitou para passar a folia no Rio e, na chegada, na manhã de sábado, uma surpresa agradável: "Atire a primeira pedra", nova parceria com Ataulfo Alves, já estava na boca do povo. Na temporada paulista, o mesmo de sempre: cabarés, mulheres, prisão por desobedecer a determinações da censura.

Acabou voltando para o Rio e em 1945, entrou para a Rádio Nacional, então responsável pela febre que assolava o país, a radionovela. Cantores e locutores eram sobrepujados em popularidade pelo rádio-teatro. Mário, ainda estava longe dessa seara. O emprego na Radio Nacional não foi muito longe. Novamente, desobediência à censura. Dessa vez, não deu prisão, mas demissão. E Mario Lago se transfere para a rádio Mayrink Veiga. É quando estreia no cinema em ‘Asas do Brasil’ um filme da Cia. Atlântida,  com participação de Oscarito, sobre a vida dos pilotos de avião brasileiros, que teve a colaboração da Força Aérea Brasileira. No mesmo ano, a música de sua autoria, ‘Atire a Primeira Pedra’ é gravada.

Covarde sei que me podem chamar/ Porque não calo no peito essa dor/ Atire a primeira pedra, ai, ai, ai/ Aquele que não sofreu por amor/ Eu sei que vão censurar meu proceder/ Eu sei, mulher/ Que você mesma vai dizer/ Que eu voltei pra me humilhar/ É, mas não faz mal/ Você pode até sorrir/ Perdão foi feito pra gente pedir.

Em 23 de março de 1947, conhece Zeli Cordeiro, filha do dirigente comunista Henrique Cordeiro, em um comício do Partido Comunista no Largo da Carioca, no Rio. Em novembro, os dois se casam. E permanecem casados por 50 anos. Mario, apesar da vida boêmia, soube como poucos preservar a família, o casamento, a união com os filhos. Primeiro livro de Mário Lago, "O povo escreve a história nas paredes", escrito em 1948, reúne poemas políticos que abordam temas como o direito à terra, a defesa dos trabalhadores, a luta em defesa do petróleo brasileiro, entre outros. Ele inclui ainda paródias do próprio Mário para algumas de suas músicas mais famosas, como Amélia. Também lidera a campanha: ‘O nosso petróleo é nosso", de tons nacionalistas.

Em 1949, Mario Lago é preso pela segunda vez,  na redação do jornal clandestino "A Classe Operária" editado pelo PC do B, é então afastado da rádio Mayrink Veiga. Chamado pelo dramaturgo Dias Gomes, Mario Lago passa a trabalhar para a Rádio Bandeirantes de São Paulo. Em 1950 candidatou-se a deputado estadual pelo Partido Social Trabalhista, de São Paulo. Durante um discurso, chama o governador de São Paulo, Ademar de Barros, de calhorda. Em consequência disso, foi demitido da Rádio Bandeirantes, pois Ademar de Barros era o dono da emissora. Voltou para a Rádio Nacional no Rio de Janeiro. Foi um dos narradores da novela cubana ‘O Direito de Nascer’. Em 1951 foi ao ar pela Rádio Nacional o maior fenômeno de audiência em radionovelas em toda a América Latina: era O Direito de Nascer. Texto original de Felix Caignet com tradução e adaptação de Eurico Silva. O original possuía 314 capítulos o que correspondia a quase três anos de irradiação. No elenco estavam Nélio Pinheiro, Paulo Gracindo, Talita de Miranda, Dulce Martins, Iara Sales, entre outros. Direito de Nascer surpreendeu a todos os críticos e a todas as previsões que afirmavam que o rádio-teatro era um gênero em decadência e que o público brasileiro não se interessava por longas tramas. Neste ano escreve a novela ‘Presídio de Mulheres’, sucesso da radionovela por 5 anos.

Sua primeira aparição na TV como ator, foi na TV Rio, com o programa ‘Câmera um’, de Jacy Campos em 1954.

Em abril de 1954, é preso pela terceira vez, em sua casa, em Copacabana, no Rio, pelo Departamento de Ordem Política e Social (Dops) e levado para a ilha das Flores. É transferido para o presídio Fernandes Viana, na Frei Caneca, e fica preso por 58 dias. É demitido da Rádio Nacional pelo Ato Institucional n° 1, junto com mais 35 colegas da emissora.Ficou dois anos sem trabalhar. Quando voltou, estava sem dinheiro e sua família passava dificuldades. Ajudado por Dercy Gonçalves, saiu da rádio direto para a TV. "Deixa esta besteira de partido para lá. É hora de pensar no leite das crianças", disse Dercy. Em 1965, Trabalha no filme ‘O Padre e a Moça’, de Joaquim Pedro, baseado no poema de Carlos Drummond de Andrade abrindo uma sequência de atuações marcantes no cinema. A chegada de um jovem padre sacode o imobilismo de uma pacata cidadezinha de Minas Gerais. E entre o padre e uma bela jovem da cidade surge uma atração, de início casta, e que se transforma em paixão ardente.

Sua estreia na teledramaturgia na TV Globo  se deu na novela O Sheik de Agadir foi uma telenovela de Glória Magadan exibida na Rede Globo de 18 de julho de 1966 a 17 de fevereiro de 1967 às 21h30. Com direção de Henrique Martins e Régis Cardoso. Teve 155 capítulos e foi baseada no romance Taras Bulba, de Nicolai Gogol. Mario Lago fez o papel de Otto Von Lucken. Em 1967, atua no clássico  filme ‘Terra em Transe’ de Glauber Rocha no papel de Captain. Grande clássico do Cinema Novo, o filme faz duras críticas à ditadura exatamente em seu auge.

O ano de 1968 foi intenso não só pela produção cultural mas também pela conturbada situação política que viveu Mario Lago. Adapta, para a TV Tupi de São Paulo, o seriado ‘Presídio de Mulheres’. Atua no filme  ‘Bravo Guerreiro’, de Gustavo Dahl, e na peça ‘Os Inconfidentes’’  encenado no teatro municipal do Rio de Janeiro, que tem direção de Flávio Rangel, poesia de Cecília Meireles e música de Chico Buarque. Vale a pena registrar o que o grande artista e compositor manifestou em discurso, numa das sessões, no final da peça. O texto foi gravado por um agente do SNI, Serviço Nacional de Informações:

"Acabamos de apresentar um espetáculo que fala e luta pela liberdade. Lutar pela liberdade é uma obrigação que o homem tem diante da vida, uma luta permanente como o próprio texto diz: uma voz se despediu, uma outra nasceu. A mocidade estudantil brasileira luta juntamente com todos pelas liberdades gerais, mas também tem as suas lutas específicas por mais verbas, para que se estude melhor; contra os aumentos das anuidades, para que todos possam freqüentar as escolas... Os atores apóiam a luta dos estudante. À saída do teatro os senhores encontrarão vários estudantes recolhendo fundos para essa luta que eles estão travando. Que as palmas que nos foram dadas se transformem em contribuição para essa luta tão importante. Muito obrigado".

No dia 14 de dezembro, um dia após a edição do AI-5, é preso pela quarta vez,  antes de entrar em cena, na peça "Inspetor, Venha Comigo". É libertado no dia 31 de dezembro.

No ano seguinte, em 25 de fevereiro, é preso pela quinta vez, por ter feito a tradução de um livro sobre a Guerra do Vietnã. Volta à prisão meses depois, (a sexta vez) quando da visita do senador norte-americano Nelson Rockfeller ao Brasil. Em 1971,  Mario Lago atua em ‘São Bernardo’; um drama brasileiro, dirigido por Leon Hirszman e com roteiro baseado no romance de Graciliano Ramos. É história de um mascate consegue se transformar em um próspero fazendeiro, só que ele é um homem torturado constantemente por suas obsessões e desconfianças. Como ator de telenovela, e em um grande sucesso de Janete Clair, ‘Selva de Pedra’, Mario Lago é Sebastião, pai de Cristiano Vilhena (Francisco Cuoco), que, seduzido pelo poder, põe em risco sua felicidade ao lado da mulher, Simone (Regina Duarte). É o ano de 1972. Em 1974, Mario Lago escreve ‘Foru Quatro Tiradentes na Conjuração Baiana’, sobre a Revolução dos Alfaiates, na Bahia. Proibida pela Censura, teve uma única leitura pública, com participação do próprio Mário, ao lado dos atores Oswaldo Loureiro, Wanda Lacerda, Francisco Milani e Milton Gonçalves, entre outros. E está sendo produzida desde 2012 no teatro. Mário Lago, publica em 1975, a pesquisa folclórica ‘Chico Nunes das Alagoas’. Sobre o maior repentista brasieliro. Na visão de Mario Lago,  Chico era um vagabundo, mas poeta; irresponsável, mas poeta; cachaceiro, mas poeta; pornográfico e grosso, mas poeta. Tudo que se falar dele tem que acrescentar "Poeta", porque ninguém o foi mais do que ele.

No mesmo ano, atua na novela de Janete Clair, ‘Pecado Capital’.  Primeira novela em cores transmitida às 20h, Pecado Capital buscou tratar com realismo o universo suburbano carioca a partir de um triângulo amoroso formado por um taxista, um viúvo rico e uma jovem operária que sonha em melhorar de vida. Mário Lago  trabalhou nas duas versões da novela, no mesmo papel: Dr. Amato, o advogado.

Como Atílio, Mario Lago vive um grande momento de sua carreira de ator, na novela ‘O Casarão’ de 1976,  que mostrou a decadência social de toda uma geração que dependeu da cultura cafeeira no interior de São Paulo. Um grande sucesso embalado pela música fascinação de Elis Regina. Por esta atuação, recebe o prêmio de melhor ator pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA). Neste ano Publica o livro autobiográfico "Na rolança do tempo". Inventada por Mário, a palavra rolança também vira verbete de dicionário.

No ano de 1979, Mario Lago atua como Alberico Santos, um homem sofisticado, típico morador do bairro de Copacabana, sobrevive das lembranças do passado e conta com a ajuda da filha para solucionar seus problemas financeiros. Com Dancin’ Days, o autor Gilberto Braga inaugurou o seu estilo dramatúrgico, marcado pela crônica de costumes e pela discussão dos valores da classe média e das elites urbanas. Mário Lago e 35 companheiros são anistiados (alguns "in memorian") e reintegrados à Rádio Nacional, em 1980. O regime militar cada vez mais dava sinais de desgaste e alguns sinais de abertura foram possíveis. Talvez tarde de mais, para muitos que deram as vidas pela liberdade e democracia. Mario Lago não perdeu a sua vida por esta luta mas a luta ganhou muito com a presença ostensiva de Mario Lago. Na década de 80, a luta pela democracia se intensifica com a população indo às ruas ao lado de artistas e políticos liberais e progressistas. E claro lá estava Mario Lago ao lado da luta pela liberdade e direito de decidir o futuro do país através do voto direto: Diretas já. Em 1984, Mario Lago escreve um livor infantil, ‘O Monstrinho Medonhento’. A história do monstrinho é constituida por duas partes bem distintas. A primeira conta a vida de Medonhento como monstro - e o embate entre o bem e o mal, o monstruoso e o humano; a Segunda fala da vida do monstrinho transformado em menino, com a questão do conflito entre progresso e destruição da natureza.

Vive em 1985 Compadre Quelemem, em uma obra prima da televisão brasileira, ‘Grande Sertão Veredas’. Baseada na obra homônima de João Guimarães Rosa. A trama tem como eixo central a relação entre Riobaldo e Reinaldo/Diadorim tendo a terra como o grande tema da história. O vaqueiro Riobaldo narra sua vida num bando, cheia de combates, vinganças, longas viagens, amores e mortes. No mesmo ano atua como o Padre Lara, em ‘O Tempo e o Vento’ a maior obra da teledramaturgia brasileira até então. A minissérie é baseada na primeira parte da trilogia homônima de Érico Veríssimo, O continente. Mais de cem anos estão retratados no romance, de 1777 a 1895, período repleto de transformações sociais, políticas e culturais, essenciais para a formação do estado do Rio Grande do Sul. Ambas são produções especiais que comemoraram os 40 anos da TV Globo.   No ano de 1988, o Brasil é impactado pelo assassinato de Chico Mendes, um ativista e sindicalista acreano que lutava pela melhoria de vida do povo da floresta bem como pela disseminação da economia sustentável na Amazônia, lutando contra grilheiros de terra e latifundiários. A repercursão do crime correu mundo afora e mais uma vez, lá estava Mario Lago lutando pela apuração isenta de todos os fatos, buscando a punição dos assassinos e mandantes.

Mario Lago atua ainda em ‘O Salvador da Pátria’ novela que retrata de uma certa forma , em 1989 a vida política do país naquele momento tão intenso politicamente, com a realização da primeira eleição direta para presidente em mais de 30 anos.

‘Causos e Canções de Mário Lago’, dirigido por Mário Lago Filho, estreia no  Teatro Café Pequeno, Rio de Janeiro, tendo, depois, saído em excursão pelo Brasil por quase 10 anos.

Em 2001 a rua onde mora é fechada para comemorar seus 90 anos. Artistas e Autoridades o reverenciam. Mario Lago desafia o tempo e diz querer chegar aos 100 anos.

Morre em 2002, em sua casa. Foi velado no Teatro João Caetano, onde estreou como autor, numa despedida regada a samba e cerveja, de acordo com a antiga tradição da boemia.

E não para por ai... Em 2006, o concurso Nacional de Marchinhas carnavalescas é criado na Fundição Progresso, na Lapa, RJ com o prêmio Mario Lago.

A Casa da Moeda lançou, no dia 25 de novembro de 2011, a medalha comemorativa aos 100 Anos de Nascimento de Mário Lago. Seus netos Juliana Lago e Mário Lago Neto descaracterizam os cunhos da medalha ao lado do Chefe de Gabinete da CMB, Carlos Henrique Silva Boiteux.

Mario Lago está imortalizado para sempre na vida cultural do Brasil. O tempo passou lento e preguiçoso pela sua vida. O tempo parece jamais envelhecer sua obra, talvez por conta de sua relação com o tempo, talvez por conta do acordo que ele com o tempo fez.

"Fiz um acordo de coexistência pacífica com o tempo; nem ele me persegue, nem eu fujo dele. Um dia, a gente se encontra". -  Mário Lago "Eu não sou saudosista. Não fico lamentando: ‘ah, o meu tempo’.

Meu tempo é hoje." - Mário Lago

 
Ano do enredo: 2012
Título do enredo: Pelas mãos do mensageiro do axé a lição de Odú Obará: a humildade
Descrição do enredo:

Autor: Tiago de Xango 
Carnavalesco: Comissão de Carnaval 
Laroiê Exu!

Para todo lado que olho encontro dor e destruição
Vejo águas invadindo a terra e tremores sacudindo o chão matas são consumidas pelo fogo, enchentes castigam o povo.
Tenho muitas dúvidas e também ma certeza que a minha fé responderá o que acontece com a natureza pois sou Babalorixá, represento a humanidade busco no jogo de búzios, resposta para tanta calamidade para isto, invoco o Orixá mensageiro, único e verdadeiro que traduz as palavras do senhor do destino e faço uma pergunta que a resposta nem imagino.

Diga-me com sua sabedoria e franqueza o que fizemos para despertar a ira da natureza? Num primeiro momento, minha indagação fez o mensageiro gargalhar mas, depois questionou sobre a soberba do homem e começou a relatar...
Queres saber o que está acontecendo? São meus irmãos que se cansaram e agora estão se defendendo,
porém. vejo que você tem um bom coração, não é um qualquer és um mensageiro do axé, isto eu pude perceber,
por este motivo, você merece aprender. Me perguntou sobre o jogo de búzios e seu significado. Falei que nossa religião não tem fim, estamos num contínuo aprendizado. deixei o mensageiro dos Orixás feliz com minha curiosidade
e para a minha felicidade, pediu que prestasse atenção pois me daria uma importante lição, que não desperdiçarei de jeito algum falará da criação do mundo pelo Deus Supremo Olorúm.

O criador viveu no Orun, o espaço infinito trabalhando na mais bela criação, no seu feito mais bonito
um mundo maravilhoso, onde pudesse depositar tudo que tinha de precioso. Habitará o universo com seu sopro sagrado, e com seus filhos, que sempre estiveram ao seu lado. poderosos Orixás que tinham nas mãos, algo mais valioso do que qualquer riqueza pois dominavam todos os elementos da natureza.

Olorum criou o mundo para os homens, mesmo sabendo que cairiam em perdição
pois são seres falhos, fadados a imperfeição, pensando nisso, criou o Orixá responsável pelo destino, que tem a sabedoria como ponto forte conhecedor da vida e da morte, sempre está por perto, quando o homem sente-se perdido, ensina o caminho certo. Foi abençoado com a eternidade, para absorver sabedoria e ganhar maturidade com sua experiência, aprendeu que no mundo nada é novo, tudo é repetido, podemos viver hoje a mesma situação que outro já tenha vivido, sendo assim, nomeou 16 príncipes para ajudá-lo (foi uma sábia decisão) batizou-os de Odús e a cada um deles, deu uma missão.

Colecionem histórias de um determinado assunto e deste tema tenha domínio total contem para o máximo de pessoas que puderem, pois isto é fundamental. Desta forma, os homens ficarão atentos e vigilantes, saberão como lidar com a situação que vocês já viveram antes.

Com o passar do tempo, os Odús viraram divindades e continuaram ajudando o Senhor do Destino em suas atividades.
Hoje, para consultá-los, só existe um lugar único e verdadeiro pois eles são representados pelos 16 búzios do tabuleiro
após ouvir esta bela história, pedi ao Orixá Mensageiro que me desse uma explicação entre os príncipes do destino e os problemas do mundo, onde está a relação?

A sua resposta pesou na minha consciência, disse-me que não tinha terminado a história e pediu-me paciência.
Como os Orixás também são regidos pelos 16 Odús, jogou os búzios no tabuleiro que mostrou que quem me responderá, é Xangô, o Orixá Justiceiro, através de Odú Obará, o príncipe da riqueza e da prosperidade que também tem outra importante qualidade, preste atenção nesta lição de humildade...

Entre os 16 príncipes, Obará era o mais simples e vivia na pobreza diferente de seus irmão que moravam em castelos e esbanjaram riqueza. Todos os anos, visitavam um Babalaô que tinha grande sabedoria ouviam dele conselhos sobre suas missões e ganhavam presentes de grande valia. Porém, numa destas viagens, os 15 Odús tomaram uma triste decisão movidos pela vergonha, ignoraram Obará e partiram sem o irmão.

Logo na chegada, o sábio Babalaô, percebeu que algo estava diferente pela primeira vez, não respondeu aos seus questionamentos, pois uma lição tinha em mente ao invés de objetos valiosos, deu a eles abóboras como presente
tal atitude deixou os 15 Odús indignados, foram embora sem demonstrar que estavam revoltados

Na jornada de volta perceberam que o caminho de volta era longo e cansativo lembraram que estavam próximos a casa do irmão e resolveram pedir comida e abrigo e numa atitude digna de um coração bondoso Obará recebeu os seus irmãos, feliz e orgulhoso antes de entrarem na casa, achando que não carregavam nenhuma fortuna deixaram as abóboras de fora (uma a uma). Falou a sua esposa que preparasse para os visitantes, o melhor alimento ele questionou e disse: se fizer isso, faltará para o nosso sustento.

Para acabar com a discussão, pediu que não discordasse, pois era a sua decisão. Depois de alimentados e descansados, os príncipes resolveram seguir em frente deixando para Odú Obará as 15 abóboras de presente.
Feliz pela visita e com a sensação de missão cumprida falou a sua esposa que estava com fome, que preparasse uma comida ela logo avisou, que abóbora foi a única coisa que restou sério, pediu a ela para colocar a água para aquecer
"se só temos abóboras, é isto que vamos comer". Ao cortá-las, ele teve várias surpresas maravilhosas
as abóboras estavam recheadas de ouro e pedras preciosas Obará, se tornou o mais rico entre os 16 Odús, virou exemplo de prosperidade tudo graças a sua humildade, diferente dos seus irmãos que tiveram tudo na mão e não deram valor receberam a lição de Babalaô, que usou de sabedoria e justiça quanta coisa os 15 príncipes perderam em nome da vergonha, da ganância e da cobiça.

Esta história melhorou a minha compreensão, e aproveitando o momento, o mensageiro me mostrou uma outra lição
disse que Olorum presenteou a humanidade com a mais valiosa riqueza representada pelos Orixás, regentes das forças da natureza. O homem ganhou tudo o que pudesse imaginar, mas, infelizmente não soube aproveitar. As palavras do mensageiro foram duras, mas tive que concordar disse-me: Compreende agora porque o mundo está de pernas para o ar? O homem ganhou presentes de todo o Orixá, da riqueza de Oxum a vida de Oxalá ganhou o corpo de Nanã, o vento de Iansã e o amor de Iemanjá teve nas mãos a riqueza de Oxum, a força de Exú e a perseverança de Obá não deu valor a justiça de Xangô, a esperança de Oxumaré e os segredos de Ewá desprezou os presentes dos Ibejis, de Ossaim, Oxóssi e Obaluaiê o resultado de tanto desrespeito não foi difícil de prever afinal, tudo de ruim que o homem plantou, agora começou a colher ignorou as divindades, achou que o mundo foi criado para o seu bel prazer demonstrou a cobiça e arrogância, usou a natureza com ganância destruiu sem consequência, sem peso na consciência esta falta de respeito, deixou os Orixás revoltados todos os desastres, são um reflexo da forma que foram tratados Neste momento, caí em prantos e pedi perdão, pelos erros do homem, culpa da sua imperfeição e aos Orixás por tanto desprezo e destruição
por isso, imploro, Agoiê meu pai, me dê um caminho que eu possa percorrer mostre-me o meu castigo, eu aceito a punição coloque-me na trilha da retidão, pois quero aprender a lição!

O mensageiro faz uma pausa com quem ouve uma instrução e diz quem responde o meu clamor, é o Olorum que percebeu que o amor tocou o meu coração que sou um homem de fé e tenho sede de perdão falou que para reverter este quadro, a humanidade precisa de atitude, pois esta é uma grande virtude disse que sou um mensageiro do axé e que por assumir toda culpa pelos erros da humanidade demonstrei compaixão e amor ao próximo, tive um ato de humildade
por isso, não me aplicou um castigo, aceitou o meu perdão e me deu uma única missão, de assumir meu papel, pois do axé sou mensageiro, pediu que espalhasse a humildade pelo mundo inteiro, mostrasse a todos as perdas que a ganância e a cobiça podem causar esta conscientização, ao máximo de pessoas devo passar pois, quem sabe esta situação mude, a humanidade compreenda e tome outra atitude e assim, nossa relação com os Orixás será de harmonia (tenho certeza) e o mundo não sofrerá mais com a revolta da natureza "Obrigado Pai, por mostrar o meu caminho e me dar compreensão" com o exemplo de Obará, a prendi a lição, sinto-me fortalecido para cumprir minha missão. Levarei aos quatro cantos a conscientização e a esperança, esta será minha trajetória carregarei este ensinamento no coração e na memória vou espalhar o que aprendi, para toda humanidade Afinal, a prosperidade provém da humildade.

Aproveitando esta linda lição a Mancha Verde, humildemente, aos Orixás pede perdão e assume o seu papel diante do mundo inteiro de trabalhar por dias melhores e do axé ser mensageiro mostrar a todos que a cobiça e a ganância só trazem destruição onde houver desrespeito com a natureza, levaremos a conscientização. Lutaremos por um novo tempo de harmonia entre os Orixás e toda a humanidade e assim como o Odu Obará, seguiremos nossa trajetória no caminho da "humildade"

 
Ano do enredo: 2011
Título do enredo: “Uma Idéia de Gênio”
Descrição do enredo:

Abram-se os portões da passarela do samba!
Que soe a sirene de novo
Vem chegando a escola que é o verdadeiro orgulho de um povo,
Fazendo tremer a arquibancada numa festa sem igual
Lá vem a Mancha Verde, razão do meu carnaval
Retribuindo este carinho, com um enredo "genial".

Fiz surgir "tudo e todos" com um sopro de amor,
Sou o maior de todos os gênios
Eu sou o Criador!
Dei ao homem o privilégio de guiar o seu caminho
de seguir sozinho, de dar asas à sua imaginação.
Curioso e com sede de transformação
escreveu e reescreveu a sua história
Mudou sua trajetória, destacando-se dos demais
Conheçam agora estas mentes geniais.

Sou gênio, não acredito em verdade absoluta
Penso, pesquiso, questiono, esta é a minha conduta
Não me importo se poderosos vão gostar ou não
ignoro qualquer oposição, em nome da minha razão.
Contra tudo e contra todos eu provei
que a terra gira em torno do astro rei
fui humilhado, por muitos desacreditado,
mas o tempo mostrou-se aliado da persistência
e hoje sou reconhecido, sou o "pai da ciência"

Eureca, eureca!!
Expliquei o que não tinha explicação!!
Viajei pela esfera do conhecimento,
ao pedido do rei encontrei um argumento,
é de "ouro" a minha imaginação.
Minha genialidade encontrou resposta (quem diria)
Esta descoberta virou uma teoria.

Revoluciono, transformo o impossível numa idéia real
Ficar parado para mim não é normal.
Sou um milagre da inteligência, o maior nome da física e da ciência
Tecnologia, astronomia, filosofia,
Fui o melhor em vários ramos de atividade
Meus feitos e descobertas mudaram o rumo da humanidade.
Vou atrás de respostas, pesquiso, me aprofundo
Sou gênio, tenho poder de mudar o mundo.
Antes de mim, era tudo manual, tudo era muito lento
Mas a minha inteligência acabou com este tormento
Criei um método de impressão que difundiu o conhecimento.
E numa coincidência genial, que em minha mente vai ficar guardada
O primeiro livro impresso foi a Bíblia sagrada.

Dei um "rumo" para quem viajava em busca de novidade
Criei conceitos sobre a luz e a gravidade
E para facilitar a vida de todo mundo
Fiz um aparelho que dividiu o dia em hora, minuto e segundo.
Sou inventor, artista, engenheiro, cientista
Sou o maior de todos, sou gênio universalista
"Estupendo", sou autor de inventos geniais
Meus códigos são estudados até os dias atuais
Sou a prova de que pessoas especiais partem, mas suas idéias são imortais.

Elétrico, mecânico ou a vapor, fiz um "mundo movido a motor"
Minha máquina possante, encurtou distâncias, facilitou a locomoção
Meu aparelho mágico, propagou a voz, revolucionou a comunicação.
Não preciso muito para dar mostras da minha capacidade
Inventei o para-raios apenas com uma pipa, uma chave e uma dose de curiosidade.
Desde Ícaro, o homem sonha em voar, alcançar a imensidão
Mas, como Deus é brasileiro...
Sorry!
É filho desta terra o gênio da aviação.
Abri janelas para novas idéias, tornei a tecnologia pessoal
Hoje estou em toda parte, no mundo moderno sou ferramenta essencial.
Dou valor a minha genialidade pois ela é um presente de Deus
Remédios que curam, transplantes que salvam, são alguns dos feitos meus
Pesquisei, fotografei e mapeei o homem por dentro
Na medicina, sou avanço, esperança e alento.
Descobri o que o mundo precisava e então as inventei
Melhorar a vida das pessoas foi o que sempre procurei
Tirei todos da escuridão, mostrei do que sou capaz
Criei a "lâmpada elétrica" e aposentei o lampião a gás".

Não enxergo as coisas de uma forma normal
Minha inspiração vem da vida real.
Sobre o mundo tenho a minha própria visão
E faço da "arte" meu instrumento de inspiração
Ser ou não ser? Eis a questão...
Minha vida de tão real até parece ficção
Na literatura mostrei casal símbolo do amor eterno
Sou o maior dops escritores, criador do homem moderno.
Desenhei, pintei, retratei a figura humana como ninguém
Dos limites da perfeição artística fui além.
Minha escultura é a prova de que para a genialidade não existe limitação
Nas igrejas das Minas Gerais, criei maravilhas em pedra-sabão.
Mostro o mundo com outros olhos, esta é a minha sina
Em minhas mãos até os horrores da guerra se transformaram em obra-prima.
Com irreverência, a história da musica revolucionei
Na nobreza da europa, fiz sucesso, encantei
No Brasil tornei o clássico popular
Levei as minhas canções para todo lugar.
No cinema, genialidade "em dobro" com um só ideal
Reproduzir na grande tela, a ficção e a vida real
Mentes brilhantes que não encontramos em toda parte
Loucos sonhadores, pais da sétima arte.

Sou único, sou gênio, sou louco
crio, componho, faço de tudo um pouco.
Minha insanidade deu as mãos ao brilhantismo
Sou o "genial Salvador" mestre do surrealismo.
Meus devaneios permitiram que eu viajasse além da imaginação
de dar a volta ao mundo num balão,
de ir do centro da terra às profundezas do mar
pousar num universo que só uma mente genial pode chegar.
Minha ousadia não tem limite, minha criatividade não respeita barreira,
Levar "mundos e personagens" para grande tela, é a marca registrada de minha carreira.
Da pré-história e de outro planeta, mostrei fantásticas criaturas
Fui a locais desconhecidos com um corajoso caçador de aventuras
Por isso, afirmo sem o menor constrangimento...
Sou um louco visionário, gênio a favor do entretenimento.

Minha genialidade permite que eu rompa o limite entre o racional e a ilusão
De viajar pelo mundo lúdico da imaginação
De transformar em real os desejos do coração.
Por isso, faço da distante terra das mil e uma noites, minha fonte de inspiração
Quando a lâmpada mágica encontrar, o gênio vou libertar
E para aqueles que conhecem os meus ideais
O primeiro pedido é facil de imaginar...
"Quero viver num mundo que eu possa me orgulhar!"
Seria um mundo sem espaço para guerras, nem atritos
se somos todos irmãos para que tantos conflitos?
Um lugar que valorisasse a igualdade, sem descriminação de sexo, cor e idade.
Onde não tenha espaço para fome, que em todas as partes, milhares de vidas consome.
Onde eu conviva com o próximo em comunhão, sem problemas com credo ou religião.

O meu segundo pedido é um direito que não abro mão
"Quero viver num mundo com liberdade de expressão"
Por que sou carnavalesco, criador de ilusão
Sou figura importante do carnaval,
Transformo uma simples idéia, num espetáculo sem igual.

E para finalizar, não poderia deixar de fazer um pedido especial...
Ver a Mancha Verde campeã do carnaval!

Escrito por Pedro Alexandre (Magoo)

 
Ano do enredo: 2010
Título do enredo: 'Aos mestres com carinho! Mancha Verde ‘ensina’ como criar identidade!'
Descrição do enredo:

MANCHA VERDE “Aos Mestres, Com Carinho: Mancha Verde ensina a criar identidade” 
A Escola de Samba Mancha Verde completa 10 anos de história. E nesta data importante, faz uma homenagem tanto aos mestres que a ajudaram em sua trajetória, quanto aos que através dos tempos, impulsionaram com o ensino, a criação da identidade de povos pela cultura e socialização.

Em razão da auto-descoberta pelo aprendizado, denominamos a revelação do “eu” como sujeito “pensamento”. Esse “eu” torna-se testemunha do fenômeno que tem lugar em si mesmo.

Identidade
Termo de origem latina, formado a partir do adjetivo “idem” (com significado de “o mesmo”) e do sufixo “dade” (indicador de um estado ou qualidade). Sendo qualificadora daquilo que é idêntico ou o mesmo, sendo, portanto, identificadora de algo que permanece. No pensamento grego, Sócrates e Platão destacam-se pela sua preocupação em definir o que são as coisas, ou seja, em descobrir e fixar as essências das coisas, restabelecendo o ponto de vista da verdade na filosofia. No sentido socrático e platônico, a definição parte do principio da identidade e permanência dos entes e, para ultrapassar o problema da unidade e da multiplicidade, Platão recorre ao “mundo das idéias”, sendo que o ser verdadeiro não está nas coisas, mas sim fora delas. Nesta linha de pensamento, a identidade encontra-se nas idéias, pelo fato destas não estarem sujeitas ao movimento e à multiplicidade. Generalizando, em termos filosóficos, a identidade traduz coincidência de uma substância consigo mesma e o primeiro principio lógico do pensamento é o princípio da identidade, o qual compreende o sentido da lei suprema do ser (princípio metafísico) e o da lei suprema do pensamento (princípio lógico). “Penso, logo existo”.

História do Ensino
Há 2400 anos, morria Sócrates. Filho de escultor e de uma parteira, ele foi mais do que um filósofo, na época em que a Grécia era o centro do universo. Nas ruas de Atenas, dedicava-se a ensinar a virtude e a sabedoria. Revolucionário, rejeitava o modelo vigente, segundo qual, o conhecimento devia ser transmitido “de cima para baixo”. Seu método era dialogar com pequenos grupos em praças e mercados. Usava a consciência da própria ignorância (“só sei que nada sei”) para mostrar que todos nós construímos conceitos. Acreditava que era preciso levar em conta o que a criança já sabia para ajuda-la a crescer intelectualmente. Na época, essas práticas representavam uma ameaça, porque tiravam o mestre do pedestal para aproxima-lo do discípulos – exatamente o contrário do que faziam os sofistas, estudiosos e viajantes profissionais que cobravam caro por uma educação elitizada. Por isso, Sócrates foi levado a julgamento e punido com a condenação à morte bebendo cicuta, veneno extraído dessa planta. Vários séculos se passaram, até que suas idéias fossem colocadas em seu devido lugar: o de primeiro professor da civilização ocidental. Professor, palavra de origem latina, é aquele que professa ou ensina uma ciência, uma arte, uma técnica, uma disciplina. É o mestre. Como tal, deve dar exemplo, ser respeitado e imitado.

Povos Primitivos
Os feiticeiros, curandeiros e esconjurados, falavam com os espíritos e transmitiam os conhecimentos para as crianças e para o resto da tribo. Para suprir as necessidades do dia-a-dia, como alimentação e vestuário, as crianças imitavam os adultos.
China
A educação era baseada na “decoreba”. As classes – sempre barulhentas, com todos repetindo em voz alta os textos de Confúcio e seus discípulos – funcionavam em qualquer sala vaga em residências particulares.

Grécia
Os anciãos educavam os jovens a qualquer hora e qualquer lugar. O mestre era o exemplo a ser admirado. Mulheres tinham direito à educação, para se tornarem boas mães de guerreiros. No século V a.C., os sofistas – estudiosos profissionais – cobravam cara para transmitir conhecimentos, adquiridos em viagens e leituras.

Roma
O lar, era o centro da educação. As escolas elementares funcionavam em ruas, praças ou entrada de templos. Só apareceram como edifícios próprios para o ensino com a expansão do Império Romano sobre a Grécia, para imposição dos costumes. Os preceptores, muitas vezes escravos, não mereciam atenção das autoridades.

Século VIII
Ênfase na educação religiosa, como forma de combater o paganismo dos gregos. O imperador Carlos Magno, editava várias capitulares sobre a educação. A de 787, ordenava que os sacerdotes e monges estudassem as letras. Dois anos depois, todo mosteiro abadia era obrigado a ter a própria escola, para ensinar salmos, músicas, canto, aritmética e gramática.

Século XI
Em 1088, surge a primeira universidade do mundo, em Bolonha (Itália), com ensino independente da igreja. Dois séculos depois, 74 instituições de ensino são criadas por papas e monarcas, estendendo aos membros da universidade os provilégios do clero, como isenção de serviço militar, impostos e taxas.

Século XIV
Na sociedade asteca, sacerdotes controlavam a educação. As calmecas eram escolas especiais que treinavam meninos e meninas para tarefas religiosas. As crianças menos disciplinadas iam para telpuchcallis, ou “casa da juventude”, onde aprendiam histórias, tradições, artesanato e normas religiosas. O renascimento marca a retomada dos valores da literatura e da filosofia grega. Petrarca e Boccaccio, entre outros, davam aulas particulares para complementar o salário da universidade. Vittorino da Feltre, o primeiro mestre moderno, funda a “Casa Amena”, onde ensinava literatura e história, ao invés de línguas. Esportes e jogos mesclavam os estudos.

O ensino no Brasil

Antes de Cabral
Não há registros sobre a educação na “Ilha de Vera Cruz” antes da chegada das caravelas portuguesas à costa da Bahia. Sabe-se, porém, que os curumins eram instruídos por muitos adultos (pais, tios, avós), principalmente entre os tupis-guaranis. Em algumas tribos, o pajé era o responsável por passar valores culturais.

Século XVI
Jesuítas chefiado pelo Padre Manoel Nóbrega, chegavam em 1549 para catequizar e educar os índios e dar aulas para os filhos dos colonos. A educação era baseada na hierarquia e na religião. Os filhos da nobreza e da classe dominante, estudavam em Lisboa, Londres, Paris e Rom. Sob a direção do sacerdote Vicente Rijo (ou Rodrigues), o primeiro mestre-escola do Brasil, foi fundada em Salvador, a primeira “escola de ler e escrever”, o coleio de São Salvador, posteriormente rebatizado Colégio dos meninos de Jesus na cidade de Salvador, com “boa capela, livraria e alguns trinta cubículos. O edifício era de pedra e cal de ostra, construído pelos próprios religiosos com a ajuda dos índios.

Século XVIII
Com a expulsão dos jesuítas, em 1759, dezenas de colégios, seminários e missões são fechados. Na área educacional, seus substitutos eram os padres franciscanos, beneditinos e carmelitas, além de pessoas da sociedade sem preparo para instrução. O Marquês de Pombal, ministro dos Negócios Estrangeiros e Gente de Guerra, introduz o ensino público.

Século XX
“O mundo depende dos mestres para despertar nos alunos a compreensão que pode gerar a verdadeira paz e justiça entre os homens.”

Em 1930, o Estado de São Paulo decidiu reduzir os vencimentos dos professores para poupar recursos públicos. Neste mesmo ano, nasceu o ministério dos Negócios da Educação e da Saúde Pública. Manifestações e processos na justiça se arrastaram até os anos 30. A primeira universidade do Brasil, a do Paraná, foi inaugurada em 1912. 8 anos depois, a do Rio de Janeiro, abriu suas portas. A década é marcada pelo aumento do número de escolas. Diversos Institutos de Educação, formam professores em nível superior e dão nova dimensão à carreira. Os Manifestos dos Pioneiros da Educação Nova, de 1932, critica as reformas sem consistências, fragmentárias e desarticuladas da educação. O que seria o 1º plano Nacional da Educação – elaborado pelo Conselho Nacional de Educação depois de uma ampla pesquisa em instituições culturais e com especialistas – tem sua promulgação adiada pela instituição do Estado Novo, em 1937. A legislação prioriza o ensino pré-vocacional e profissionalizante para classes menos favorecidas. Após a 2ª Guerra, a educação entra em crise e educadores procuram fomentar a solidariedade para a construção de um mundo melhor. Só em 1953 o curso normal passa a ter equivalência em relação aos cursos de Ensino Médio para ingresso na faculdade. A lei de Diretrizes e Bases da Educação é aprovada em 1961, descentralizando os serviços de ensino. Seu texto garante autonomia às escolas e poder ao professor para avaliar a aprendizagem. O golpe de 1964, reprime toda e qualquer manifestação crítica. Grêmios estudantis transformam-se em centros cívicos. Professores universitários e pensadores são exilados. O regime militar cria o Mobral para acabar com o analfabetismo – um estrondoso fracasso. Em 1988, a nova Constituição é uma luz de esperança. Ela obriga União e os Estados a aplicar, uma porcentagem da receita em educação. No ano seguinte, professores de São Paulo fazem uma greve para melhores salários. Outras paralisações ocorrem em 1993 e 2000. Em 1996, é promulgada a nova LDB e o MEC edita parâmetros Curriculares Nacionais. Um ano mais tarde, entra em vigor o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e da Valorização do Magistério (Fundef).

Século XXI
O Brasil torna-se o 6º país do mundo em número de alunos: mais de 54 milhões. Com a introdução do uso de computadores e da Internet no ensino, visando uma melhoria da aprendizagem de conteúdos, mudou-se a postura do educador e do aluno, tornando o uso de laboratórios de informática um hábito. Ao introduzir a informatização no ensino precisou-se que os professores fosse preparados para orientar o uso da tecnologia, para que pudessem ser construídos projetos pedagógicos onde a internet estivesse presente como uma ferramenta de ensino.

A Mancha Verde dedica com amor aos seus mestres (Aos mestre com carinho)

“Mestre,
É assim que posso te chamar
Pois você me ensinou tantas coisas,
Ajudou-me dar tantos passos.
Talvez você ache que apenas fez o básico,
Mas para mim, você fez o essencial
Para que eu pudesse dar meus passos firmes.
Você me ensinou que cada pergunta
Pode ter mais do que uma resposta
E que a resposta a escolher é aquela
Que mais nos faz bem.
Você foi mais do que um professor;
Foi um amigo, foi meu guia.
E sei que isso não é possível esquecer.
Hoje, a Mancha Verde presenteia vocês, mestres,
Com flores, carinho e respeito
Que tiveram a sabia arte de ensinar a termos nossa própria identidade....
Sabemos que seria impossível, esquecê-los.

“Dona Norma (in memoriam), Sr. Basílio (in memoriam), Sr. Chiclé (in memoriam), Hélio Bagunça (in memoriam), Mãe Creuza, Seu Nenê, Sr. Ernane, Presidente Sidnei Carrioulo e todos os professores que nos ensinam todos os dias a arte de viver:

Mestre... é aquele que caminha com o tempo, propondo paz, fazendo comunhão, despertando sabedoria.
Mestre é aquele que estende a mão, inicia o diálogo e encaminha para a aventura da vida. Não é o que ensina fórmulas, regras, raciocínios, mas o que questiona e desperta para a realidade. Não é aquele que dá de ser saber, mas aquele que faz germinar o saber do discípulo.
Mestre é você, meu professor e amigo que me compreende, me estimula, me comunica e me enriquece com sua presença, seu saber e sua ternura. Eu serei sempre um discípulo na escola da vida!

Aos Mestres com Carinho! Mancha Verde “ensina” como criar identidade!

Autor: Cláudio Cavalcante (Cebola)
Colaboração de texto: Luciana Novaes

Ano: 2014
Título do samba enredo: "Bem Aventurados sejam os perseguidos pela justiça dos homens, pois deles será o reino dos céus"
Compositores do samba enredo: Douglinhas, Vaguinho e Jaú
Letra:


Uma estrela brilhou,
Apontou que um milagre aconteceu
Mesmo desde o ventre perseguido
O Rei dos reis nasceu
O mal na forma de um grande dragão
Se espalhou e nos homens incitou
O ódio Àquele que pregou o amor
Foi crucificado, mas ressuscitou

É preciso fé para o gigante da ganância cair
Perseverar, lutar não desistir... Resistir!

A paz vai florescer como sonharam
Homens de Deus que se entregaram
Por ver o fim do sofrer
O mundo em união, como irmãos

Olha e vê o fim do preconceito
Pois liberdade é um direito
Que não tem raça e não tem cor
Glória aos negros que mudaram a história
E estão vivos na memória
Cessando toda uma era de dor

O mundo não vai me calar
Injustiças não vão me deter
Da cinzas se renasce para a vitória
Na adversidade se aprende a crescer
São fatos que descrevem nossa história
O verde é a razão do meu viver

A ópera vai começar, ô, ô, ô
Bem-aventurada, guerreira,
A Mancha chegou!

A grande ópera vai começar, ô, ô, ô
Bem-aventurada, Guerreira,
A Mancha chegou!

 
Ano: 2013
Título do samba enredo: "Mário Lago - O Homem do Século XX"
Compositores do samba enredo: Turko, Maradona, Didi, Ferracini, Fabiano Sorriso, Jorginho, Paulinho Miranda e Tucuruvi Mancha
Letra:


Sob a luz do criador
Brilha a estrela de um menino
Um soneto de amor
Cresceu ao som de violinos
Nas veias o DNA de anarquista
Na alma um amor de família
Malandro da Lapa, amante da boêmia
No Café Nice até de manhã
Dono da noite, Madame Satã
A arte, em poesia acolhe o escritor
A liberdade, o Bola Preta
A vida em cena de um sonhador

Sou sambista e vou descendo o morro
"Nada além" do que eu sempre quis
Vou vivendo enquanto houver saudade
Carmem Miranda é só felicidade

Aurora... diz quem é a mulher de verdade
Amélia... canção para a eternidade
Ouvindo a grande Rádio Nacional
Deixei um céu nas asas do Brasil
Zeli, eterno laço de união
Dercy, lhe estendeu a mão
O padre e a moça proibida paixão
Sucessos, marcaram no cinema e televisão
No repente de "Nunes" poeta
Diretas pro país mudar
Vi no sertão o tempo e o vento passar
Mário, a sua luta hoje veste o manto
No coração, da nossa pátria em verde branco

Explode em meu peito tamanha emoção
Eu sou Mancha Verde eterna paixão
O tempo não apagará, as obras de um imortal
É Mario Lago, um homem genial

 
Ano: 2012
Título do samba enredo: Pelas mãos do mensageiro do axé a lição de Odú Obará: a humildade
Compositores do samba enredo: Armênio Poesia, Fredy Vianna e Chanel
Letra:

A fé eu fui buscar
Com meu clamor ao mensageiro
Sou Babalorixá
A dor de um mundo inteiro
Tenho a sede do saber
E ainda muito o que aprender
Se Olorun é o pai na criação
Eu sou mais um dos filhos desse chão
Oruminlá, criou senhores do destino
A cada irmão deu seu ensino
O dom em conhecer as direções

O olhar de cobiça vai perceber Babalaô
Faz a justiça vencer meu pai Xangô
A simplicidade vai determinar
A riqueza na lição de Obará

Vem preservar,
Respeitar a natureza do criador
Os orixás são provas do seu amor
Que os ventos de Iansã
Levem Oxum, obá, Nana
No encontro com o mar, a vida é linda, salve Oxalá
Sementes vão trazer às folhas o poder
É o fim de uma era que se regenera
em Obaluae
Oh
senhor, perdoai a humanidade,
Iluminai a consciencia, pra guiar essa mudança
Vou guardar no coração, levar em minhas mãos
A mensagem de esperança

Eu sou Mancha Verde erguendo a bandeira
A humildade é a voz da razão
Com dignidade, avante guerreira
Aceitando a missão

 
Ano: 2011
Título do samba enredo: “Uma Idéia de Gênio”
Compositores do samba enredo: Thiago de Xangô, Rafa do Cavaco, Imperial, Juninho Berin, Chumbinho e Tião
Letra:

Verdadeiro orgulho de um povo
Derramo sobre a noite a luz do dia
Desperto o universo com um sopro de amor
Sou eu o criador de toda a vida
O homem fiz surgir
Evoluir em novidades geniais
Eureka!! Encontrei a explicação
Com o poder de mudar "imprimi" meu caminhar
"Orientei" caminhos, "contei cada segundo"
O renascimento foi inspiração
Para o maior gênio do mundo

Vem que eu faço se "mover"
E trago o mundo até você
Vem voar, sonhar
"Brincar de Deus", poder curar
Na energia que faz clarear!!

"Descrevi" um grande amor
"Modelei", fiz encantar
Se pintei também a dor
Mil notas musicais eu "projetei" no ar
Arte ou loucura o que será?
Ser surreal....poder inventar
Um mundo sem ódio e rancor
Onde o maior valor seja se expressar
"Larguem minha fantasia" eu quero sambar
Na felicidade de um novo amanhã
Um grito ecoou: É campeã!!!

É verde o sangue que corre na veia
Mancha, eterna guerreira
Uma ideia genial
Brilhando nesse carnaval!

 
Ano: 2010
Título do samba enredo: 'Aos mestres com carinho! Mancha Verde ‘ensina’ como criar identidade!'
Compositores do samba enredo: Celson Mody, Victor Gabriel, Piel e André Ribeiro
Letra:

É mais do que educação
Guerreira, traduz o ensino em emoção
Transforma a história em fantasia
Representando a arte que inspira
A contemplar… na Grécia a fonte do saber
Traçando assim a identidade, para o meu viver
Seguindo os caminhos da vida busquei
Na china, o segredo da alma, encontrei
A mente e o corpo a equilibrar
Sagrada cultura milenar
Vi caravelas cruzando mares, continentes
Trazendo ao dono desta terra, a devoção
 

Pajé, pajé
Na beira da mata dançou…ôôô
Com sua cultura ensinou, encantou
A força da fé para catequisar
O jesuíta trouxe de além mar
 

Numa folha qualquer
Escreve a arte que me faz sonhar
Mesmo perseguido, oprimido
Não se deixou calar!
Em meu Brasil, gigante menino
Trilhou seu destino se renovando com a era digital.
 

Aplausos aos mestres de samba,
Docentes da escola de bambas.
Me fez assim, orgulho do país
Estrela-mãe que me guia, “norma” da sabedoria
Sou eterno aprendiz…puro balanço, samba de raiz.


Eu bato no peito,
Sou Mancha Verde até morrer
Aos mestres com carinho vou cantar
Em verde branco, eternizar

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