Nenê de Vila Matilde

Grupo: Especial
Fundação: 01 01 1949
Cores: Azul e Branco
Presidente: Rinaldo José de Andrade - Mantega
Carnavalesco: Roberto Szaniecki
Interprete: Agnaldo Amaral
Mestre de bateria: Marco Antonio David (Markão)
Diretor de carnaval: Lucia Helena
Diretor de harmonia: Marcio Telles
Mestre sala: Jefferson Gomes
Porta bandeira: Janny Moreno
Rainha de bateria: Ariellen Domiciano
Endereco: Rua Júlio Rinaldi, 01 - Vila Salete, São Paulo
Telefone: (11) 2013-9757
Comissão de Frente: Nildo Jaffer
História

Adotou as cores e a águia da Portela

Lá em Vila Matilde, no Largo do Peixe, em 1948, tudo começou com as batucadas e a tiririca (espécie de capoeira). Nascia a Nenê, hoje uma escola guerreira tal qual a Zona Leste. Nessas rodas de capoeira muitos jovens se encontravam para jogar e sambar, entre eles, Alves, Julião, Dina, Nicolau e seu Nenê – Alberto Alves da Silva, Presidente da Escola até o ano de 1996, cujo apelido inspirou o nome da agremiação.

No início foi duro. Durante quase vinte anos a Nenê ensaiou na rua, atravessando inúmeras adversidades. Muitas vezes, os componentes iam de trem ou na carroceria de um caminhão para os desfiles.

Em 1956, a escola foi para a avenida com seu 1º enredo "Casa grande e Senzala", de Mário Protestado, jornalista, inspirado na obra de Gilberto Freire. Conquistou o campeonato numa disputa ferrenha com as grandes da época, como a Lavapés.

Sempre ligada na co-irmã carioca, Portela (adotou suas cores e a águia símbolo), a Nenê nunca deixou a "peteca cair", continuou atenta às origens e história do samba, evitando comercializá-lo.

Construiu com extrema dificuldade a 1º quadra coberta do país. Alberto Alves da Silva (seu Nenê) toca todos os instrumentos e faz questão de ensinar aos componentes da bateria a honra da nota dez.

Encerrando a década de 50 com chave de ouro, a escola conquista seu 1º tri-campeonato, 58, 59 e 60. Um novo tri viria depois, com as vitórias em 68, 69 e 70.

Entre as glórias, está o fato de ser citada num livro de Gilberto Freire, possuir 45 sambas enredo e ter desfilado, em 1985, no sambódromo do Rio de Janeiro, com o enredo campeão em São Paulo "O dia em que o Cacique Rodou a Baiana, aí ó".

Em 1996, seu Nenê passou o comando da Escola para o seu filho, Betinho, o atual Presidente.

Sempre no grupo especial das escolas de samba de São Paulo, a pior classificação da escola foi um 7º lugar em 1991. Foi vice-campeã em 98 e 99, em 2000 ficou em 3º lugar e em 2001 foi a grande campeã.

Em 2002 entrará na avenida com o seu 47º samba-enredo "Em Não se Plantando, Tudo nos Dão? Não..., para tentar mais uma glória para a sua História

Ano do enredo: 2017
Título do enredo: “A Ópera de todos os povos…Terra de todas as gentes ..Curitiba de todos os sonhos!”
 
Ano do enredo: 2016
Título do enredo: Nenê apresenta o musical: Rainha Raia nas Asas do Carnaval
 
Ano do enredo: 2015
Título do enredo: "Moçambique: A Lendária Terra do Baobá Sagrado"
 
Ano do enredo: 2014
Título do enredo: Paixões proibidas e outros amores
Descrição do enredo:


Como dizia o poeta...
Quem já passou por essa vida e não sofreu
pode ser mais, mas sabe menos do que eu,
porque a vida só se dá para quem se deu,
Somente quem sentiu uma paixão proibida, pode dizer que já viveu.
Posso estar enganado, mas para mim, esta é a explicação
para o fascínio que exerce nas pessoas os assuntos do coração.
Afinal, uma história que fala de sentimento
torna-se muito mais atraente, quando há algum impedimento.
Paixões não correspondidas motivaram guerras entre nações,
na política, influenciou importantes decisões,
nas artes então, foi um vasto horizonte
para artistas de vários segmentos, que beberam desta fonte.
Música, cinema, teatro e literatura abordam em maiores proporções
sofridos casos de amores secretos, do que romances sem complicações.
Permeado por desejo, romance com uma pitada de sedução
mostro que nem mesmo as grandes personalidades estão imunes às intempéries do coração.
Curiosa e altaneira, eu sou a águia guerreira!
Representante do universo onde a ficção se encontra com a realidade
contando em forma de enredo, a história das grandes paixões proibidas da humanidade.

Começo minha viagem com uma indagação...
Até onde alguém pode chegar em nome de uma paixão?
Diz a mitologia que Orfeu dedilhava sua lira somente para Eurídice, sua amada
(era para ela cada nota tocada)
Porém, o destino esse deus tão cruel, que com os nossos sonhos nunca se importa,
fez Orfeu sentir-se jogado ao léu, ao ver sua bela Eurídice morta.
Inconformado, não queria perder seu grande amor,
para resgatar Eurídice, enfrentou os perigos do mundo inferior,
com suas belas canções a todos comoveu e naquele mundo assim entrou.
Até o próprio Hades, ele convenceu a entregar-lhe de volta a quem tanto amou
"Leve-a contigo e de meu reino saia, contudo não deves olhar para trás,
pois caso a sua palavra traia, a bela Eurídice não verás mais.
Orfeu conseguiu o seu intento, porém no retorno, quando os raios do sol já avistava
teve um momento de distração, olhou para trás e ouviu o lamento
era sua amada que dele para sempre se afastava.
Ainda na Grécia, testemunhei o que para muitos pareceu uma ironia,
a Deusa do amor, a mais bela do Olimpo, quem diria,
entre tantos pretendentes, que sonhavam tê-la ao lado,
viveu um intenso romance proibido com o deus da guerra, temido e respeitado.
Nos tempos bíblicos, vi o escolhido  por Deus, um rei poderoso
cair em tentação e cometer pecados em nome de um relacionamento amoroso.
Também presenciei um homem bom, com uma força descomunal
ser enganado por sua amada, que era de um povo rival.
Sedutora, descobriu que nos cabelos estava a fonte de seu poder,
na calada da noite cortou suas madeixas e entregou-lhe para prisão,
foi o fim de um amor intenso, porém manchado pela traição.
O tempo passou, o mundo se modernizou, surgindo novos reinos e nações
e com eles, casos de personalidades da história que não resistiram as tentações
de desfrutarem calorosos relacionamentos proibidos, recheados de poder e sedução.
Por isso, chego a França medieval, centro da elite e da nobreza,
onde os amantes ganharam status de realeza,
onde um general que entrou para a história por sua bravura sem igual,
perdeu o grande amor de sua vida, devido a diferença social,
pois na época era um simples soldado e ela representava uma família tradicional.
Seguindo as trilhas das grandes paixões proibidas, relato momentos épicos da história
que de tão espetaculares ficarão para sempre na memória,
como a guerra de Tróia, que embora foi creditada a uma disputa de terra e expansão,
seus reais motivos estão ligados a assuntos do coração.
Bela, sedutora, com uma personalidade forte que a transformou num mito,
esta foi Cleópatra, a mais famosa das rainhas do Egito,
que viveu com o Imperador Romano Marco Antônio, um romance intenso e conturbado.
Proibido em sua essência, pois cada um defendia o seu lado,
para satisfazer os desejos de sua amada, o imperador viu sua imagem ser arranhada,
pois a ambição de Cleópatra não tinha limites, era desenfreada.
Não demorou para perder o controle e ver o inimigo chegar ao poder,
foi o fim não só de um império, mas também de uma relação
que misturou paixão, poder, ganância e traição.

Após uma longa viagem pelo mundo, retorno ao meu Brasil amado
terra onde grandes e calorosas paixões proibidas surgiram de todo lado.
De membros da alta corte a empresários, de artistas até revolucionários,
escravo, escritor, ou, seja lá quem for, ninguém escapou das artimanhas do amor.
De Santa Catarina, trago a história de uma menina
que deixou uma vida segura em nome de uma paixão
viveu as margens da lei com seu amado, sonhando com a revolução.
De São Paulo dos anos 20, que respirava o modernismo por toda parte,
trago um caso de amor proibido que escandalizou o mundo da arte.
Se ter uma relação secreta é difícil, imagina em tempos de repressão?
Por isso, rendo homenagem a um casal de comunistas que lutou contra a opressão.
No Rio de Janeiro, então capital federal
por muito tempo falou-se de um caso extraconjugal
vivido pela esposa de um importante escritor
com um rapaz muito mais jovem que tornou-se seu novo amor.
Das Minas Gerais, terra do diamante
falo de um contratador que fez de uma escrava sua amante
mostrando do seu jeito, que um amor verdadeiro vence o preconceito.
Foi um caso de amor a primeira vista
aquele vivido entre a filha de um fazendeiro escravocrata e o maior líder abolicionista.
Se perguntarem qual a mais famosa história de paixão proibida do país, falo sem mistério,
foi uma que se passou na época do império
envolvendo Dom Pedro l e a Marquesa de Santos, sua amante.
Apesar da marquesa ser o grande amor da sua vida, era menos importante
do que assuntos da corte e a aliança com outros representantes da nobreza.
Mais isso pouco importa, pois ficou a certeza
que este romance que a história perpetuou
foi eterno enquanto durou.

Vi um conto virar livro, um livro virar musical de respeito
falando de um amor inesperado que venceu a aparência física e o preconceito.
Me emocionei com a paixão entre uma escrava etíope e um general
que se transformou numa ópera tão grandiosa quanto o sentimento que movia o casal.
Com uma pintura sem igual,
mostro um gênio homenageando sua amante, tornando o relacionamento proibido e imortal.
Pecado e razão muitas vezes andam juntos, colocando uma nuvem sobre a certeza
no clássico da literatura nacional, uma recatada senhora baiana, expôs sua fraqueza
dividida entre o amor imaginário e real, optou pelos dois, sem ligar para o pudor e a moral.
Vi um cavaleiro errante criar um universo de imaginação
onde vencia poderosos inimigos, somente para proteger a dona do seu coração.
Por ironia do destino, nunca ficaram juntos quando a história terminava,
a esperança de um final feliz, renascia a cada aventura que se iniciava.
Ouvi com atenção, uma música, que de tão intensa, foi parar na tela de cinema
tendo Brasília como cenário e uma paixão conturbada como tema.
Conheci uma grande cantora que pela diferença de idade, não assumiu o seu parceiro
temendo ser vítima do preconceito, escondeu por quatro décadas um amor puro e verdadeiro
Falo de um irresistível conto de amor inúmeras vezes escrito e encenado
que mostra um casal que após tomar uma poção mágica, fica apaixonado
escandalizando a corte inglesa, pois ele era um simples cavaleiro e ela uma princesa.
Entre tantos casos de amores proibidos retratados em forma de arte
"Romeu e Julieta", tornou-se popular, conhecido em toda a parte
graças a uma história carregada de emoção,
onde a rivalidade entre famílias tentou sufocar a paixão.
Em nome desse amor, com suas vidas pagaram,
porém, terminaram juntos,  como sempre sonharam.

Encontrei casos de amores proibidos até na religião.
Onde a senhora dos ventos e das tempestades, foi surpreendida por uma forte paixão.
Trago do sertão nordestino, a história de uma mulher que mudou o seu destino
que uma vida tranquila deixou de lado, para viver no cangaço junto de seu amado.
Lendas, crendices, "causos" que surgiram do imaginário popular,
quem quiser saber sobre amores impossíveis, nosso folclore tem história para contar.
De botos e sereias sedutoras, a índios que pedem ajuda celestial
Tem em comum, algum impedimento atrapalhando seu final.
Vi um amor proibido dar origem a uma rivalidade
em Parintins, um desafio entre donos de bois, mudou a vida da cidade
e até hoje os mais antigos se lembram do que aconteceu:
"Capriche no seu boi, que eu garanto o meu!"
Termino minha viagem no mundo onde nasci e fui criado
pois eu sou de Vila Matilde, onde para o samba fui apresentado
foi um amor a primeira vista, que dominou meu coração
um sentimento tão forte, que venceu a repressão.
Quer proibir minha paixão...
Que tolos, podem tentar!
Pois o amor pela minha escola venceu o preconceito e está longe de acabar.
Falo isso com a moral de quem há 65 anos respira carnaval,
uma festa popular regada a confete e serpentina,
onde o Pierrot apaixonado sonha com o amor da Colombina
contemplando a lua, esperando o desfecho que sempre quis...

Mesmo proibido, ter um final feliz!

Magoo
Carnavalesco

 
Ano do enredo: 2013
Título do enredo: "Da revolta dos búzios a atualidade. Nenê canta a igualdade"
Descrição do enredo:


"A igualdade é uma mulher de ombros largos e risada escandalosa que mete medo aos tiranos e com o povo é carinhosa"...
Aninha Franco

Prefácio:

Aqueles que oprimem, enxergam a Igualdade como uma ameaça a seus interesses e privilégios, diferentemente daqueles que estão do outro "lado" da história, que buscam a Igualdade como única forma de viver numa sociedade justa, em que todos sejam tratados com o mesmo valor, independentemente de sua classe social ou racial, mostrando o mundo e repartindo o pão, sendo elas João ou Maria, numa terra de paz e amplidão.

A Nenê de Vila Matilde, orgulha-se de suas diferentes raças, credos e classes sociais, pois Igualdade é liberdade e não repressão!

De uma forma alegre e descontraída, sonhando com um país de direitos e liberdade, queremos homenagear todos aqueles que dedicaram e dedicam suas vidas a lutas, batalhas e acima de tudo, a oportunidades de Igualdade...pois ninguém é de ninguém, mais podem ter os mesmos objetivos!

Desenvolvimento:

1º setor: A Revolta dos Búzios, Uma História de Igualdade!

A história do nosso povo é uma história de lutas, conquistas e também de uma brutal repressão, em que o povo sempre soube que é o sujeito e não o objeto da história. Heróis ocultos, organizam-se e lutam; veem além dos passos que estão a dar. A Revolta dos Búzios (nome dado devido ao fato de os revoltosos usarem búzios presos no punho para facilitar a identificação entre si), também conhecida como a revolta dos Alfaiates ou Conjuração Baiana, que ocorreu em 1798, na cidade de Salvador, foi a mais importante manifestação anticolonial e de luta pela igualdade racial da história do Brasil.

Propunha um movimento que, embora abortado no nascedouro, assumiu imenso significado para a história do país, pois os seus ideais estavam muito a frente de seu tempo.   Pregavam a proclamação da República, o livre comércio, a abertura dos portos e a abolição da escravatura um século antes do mesmo acontecer.

Compartilhavam dos ideais de Igualdade, liberdade e fraternidade colocados em circulação na Europa do século XVIII, graças à Revolução Francesa.  Conviviam com a cruel escravidão e um país em precárias e insalubres condições de vida para o povo. Era um momento de caos social! Altos impostos cobrados pela coroa portuguesa faziam com que pequenos comerciantes se manifestassem contra o sistema econômico, além de intelectuais inconformados com a desigualdade e soldados indignados com os baixos salários. Tudo isto fez com que surgisse, num primeiro momento, uma articulação entre os jovens negros conscientes.  Na linha de frente destacavam-se o alfaiate João de Deus do Nascimento, os soldados Luiz Gonzaga das Virgens e Manoel Faustino dos Santos e o jovem Lucas Dantas, que tinham em comum a consciência racial; conviviam e combatiam a discriminação da qual eram vítimas, sabiam ler e escrever, eram revolucionários!

Manhã de Agosto de 1.798! O povo "Bahiense" viu suas ruas serem tomadas pelos revolucionários Luiz Gonzaga das Virgens e Lucas Dantas, que iniciam uma panfletagem como forma de obter mais apoio popular e incitá-los à rebelião. A cidade amanheceu com um manifesto que dizia palavras de liberdade, igualdade e justiça, o que as autoridades coloniais chamavam de "abomináveis princípios franceses".

Quando soube de tais panfletos, o governador da capitania da Bahia, D. Fernando José de Portugal e Castro, ordenou que arrancassem e investigassem quem estava escrevendo tais "desaforos".

Após a delação feita por pessoas infiltradas no movimento, os líderes da revolução foram presos um a um. Durante essa fase, centenas de pessoas foram denunciadas: militares, religiosos, funcionários públicos e pessoas de todas as classes sociais. No inquérito aberto pelo governo, apareciam nomes importantes e influentes da Bahia. Nesta hora, todos tentaram se livrar acusando uns aos outros dizendo que nada tinham haver aquela revolta. Apenas quatro líderes, em atitudes heroicas mantiveram-se firmes em suas declarações: não negaram, e sim, confessaram a participação; tiveram a bravura de mártires!

No final, diferentemente dos representantes das classes ricas que conseguiram escapar da punição, nossos quatro heróis foram condenados à morte por enforcamento.

Nesse mesmo ideal de luta e Igualdade, a Nenê de Vila Matilde, alça voos e põe às claras essa história tão pouco conhecida pelos brasileiros. E hoje, depois de dois séculos, João de Deus do Nascimento, Lucas Dantas, Luiz Gonzaga das Virgens e Manoel Faustino dos Santos, têm seus nomes incluídos no livro dos heróis brasileiros, no Panteão da Pátria em Brasília: "O Livro de Aço"!

2º Setor: Um Povo que sempre lutou pela Igualdade!

A igualdade sempre foi um ameaça aos poderosos, que contavam com a escravidão e a repressão para manter seus privilégios.  Por outro lado, essa repressão alimentou o desejo de justiça por parte do povo. Ao longo na nossa história, surgiram relatos de verdadeiros núcleos de resistência ao regime opressor, em que as pessoas poderiam viver tranquilamente numa sociedade justa, como os quilombos, símbolo da resistência negra ao cruel regime escravocrata.

Outro núcleo duramente perseguido pelos poderosos foi a comunidade criada pelo beato Antônio Conselheiro, chamada Canudos, que simbolizou a luta e a resistência das populações marginalizadas do sertão nordestino no final do século XIX. Embora derrotados, mostraram que não aceitavam a situação de injustiça social que reinava na região.

No Pará, a revolta popular contra a desigualdade social fez surgir a Cabanagem, considerado um dos principais movimentos rebeldes do Brasil e ainda nos dias de hoje, pesquisado por seu caráter único, já que foi considerada por historiadores, a primeira revolta em que as camadas populares chegaram, efetivamente, ao poder.

As ações sociais e ideológicas também podem ser fatores importantes para o combate a desigualdade. Um importante exemplo disso foi a contribuição do Olodum para a reconstrução do então destruído bairro baiano do Pelourinho.

Quando o Olodum foi fundado, em 1979, o Pelourinho era reduto de marginalidade e prostituição, e as únicas metas do bloco eram chamar a atenção para a degradação do centro histórico de Salvador e divulgar a música, a dança e os costumes africanos. Três décadas e muitos trabalhos de inclusão social depois, o Olodum ajudou o mundo a abrir os olhos para o Pelourinho. Boa parte dos seus casarões foram restaurados e revitalizados. O centro histórico recebeu da UNESCO o título de patrimônio cultural da humanidade e, desde então, é a atração mais visitada pelos turistas que chegam à capital baiana. Uma prova que nem sempre é preciso pegar em armas para lutar pela igualdade social; basta apenas dedicação e identidade!

3º Setor: A Luta Continua!

Nos nossos dias, podemos perceber que os mesmos ideais que motivavam os quatro heróis da Revolta dos Búzios continuam vivos e atuais. Com o passar do tempo, ganharam novos temas e cenários; porém, a luta pela igualdade não deixou de ser o principal desejo de todos.

O combate à injustiça social e ao grande abismo que ainda separam os ricos dos pobres mobilizam pessoas e entidades pelos quatro cantos do país, que defendem uma melhor distribuição de renda.  Hoje, a luta pela reforma agrária e o direito a moradia nas grandes cidades são temas que não podem ser esquecidos por um país que deseja figurar entre as nações mais desenvolvidas do mundo.

Sindicatos fortes e atuantes defendem a bandeira por melhores salários e condições de trabalho, que são essenciais para a diminuição das diferenças sociais, assim como o acesso a educação, que é, sem dúvida, a principal ferramenta para a construção do Brasil que tanto sonhamos.  Somente com medidas como o combate ao analfabetismo, universidade para todos e as cotas raciais, poderemos ter num futuro próximo, uma geração de brasileiros que desfrutará dos benefícios de viver num lugar com igualdade de condições.

Desejamos um país justo, em que a cor da pele não seja fator determinante para conquista de privilégios; em que negros, brancos e índios sejam tratados da mesma maneira; que as injustiças históricas deem lugar a um novo tempo...O tempo da igualdade!

4º Setor: Igauldades Individuais

Nos últimos anos, a mulher tem conquistado cada vez mais espaço na nossa sociedade, fruto da sua luta árdua pela igualdade de direitos com os homens. Foi-se o tempo da submissão! A mulher moderna, embora ainda sofra injustiças, pouco a pouco vem ocupando um espaço que tempos atrás não era imaginado, seja no trabalho, na escola e até na política.

Há de chegar o dia em que as pessoas não serão julgadas e perseguidas por causa da sua orientação sexual, em que tanto faz ser hétero ou homossexual para a conquista de direitos civis básicos de igualdade perante a sociedade.

A luta pela igualdade muitas vezes dura a vida inteira. Isso é fácil constatar quando uma pessoa chega a uma idade avançada e nota que as portas do mercado de trabalho ignoram sua experiência e se fecham para ela, como se a velhice fosse um atestado de incapacidade. Julgamento semelhante recebem os portadores de necessidades especiais, ao terem que provar, dia após dia, que são aptos a realizarem as mesmas tarefas de qualquer outra pessoa e que o fato de não enxergarem ou estarem numa cadeira de rodas não os tornam diferentes de ninguém.

Um verdadeiro templo sagrado de Igualdade é a Escola de Samba, lugar de gente bamba, onde pessoas de diferentes raças e classes sociais convivem na mais perfeita harmonia.

A Nenê de Vila Matilde orgulha-se por compartilhar e celebrar os ideais de Igualdade, pois pertence a um mundo que sempre recebeu sem discriminação ou preconceitos. Não podemos ser apenas navegantes da vida, imaginando o último porto, e sim vivenciando todos os dias a Igualdade. Ninguém é de ninguém, mas podemos ter os mesmos objetivos,  fazendo valer a pena a importância do nosso pavilhão, pois a eternidade é a avesso do tempo, em que as pessoas não morrem, ficam encantadas...
E assim, no cenário da maior festa popular do mundo, no ritmo contagiante de nossa bateria, o manto azul e branco exalta este canto...

"O Canto da Igualdade".

 
Ano do enredo: 2012
Título do enredo: Chica convida... No Palácio da Nenê a festa é pra Você
Descrição do enredo:

Sou forra, mulher, rainha e mineira. Vivi no Arraial do Tijuco, cidade dos diamantes das Minas Gerais, lá pelos idos do século 18. Fui amada, respeitada, temida, odiada... Meu nome é Francisca da Silva de Oliveira, simplesmente Chica da Silva, negra na cor e mulher de muito valor.

Hoje, em minha paz celestial, decidi dar uma grande festa para ilustres convidados, em homenagem a vitória da liberdade, a literatura, a poesia, a música, ao teatro, ao samba... A cultura dos negros brasileiros.

Nesta festa sem recato, no lugar de navios negreiros teremos carruagens e liteiras douradas, no lugar da dor e da tristeza teremos alegria, e no lugar de grilhões teremos tambores. Que soem os tambores...

Personificada em minha vida e história, da casa dos sambistas faço o meu castelo. Celebro a vida e a Águia da Azul e Branca põe-te a voar, mostrando a glória desse povo que vive a sambar. Por que hoje "No Palácio da Nenê a Festa é para Você. Chica Convida!"

Peço licença aos donos dessa casa. Com o meu orgulho renovado recebo os meus filhos. Todos educados longe do seio materno, meus "mestres de cerimônia" que trazem no olhar o afeto, a alegria do nosso amor eterno.

Em respeito a Vossa História, meus bambas de fato, que girem as suas "senhoras", suas Tias Baianas, sigam o meu cortejo em devoção a Nossa Senhora do Rosário à tradição da coroa. Bailam os negros no ritmo do Congado. Onde o Rei do Congo e a Rainha Ginga são coroados... Em tempo de batuque, é dança pra todo lado, olubajé é o seu legado.

Mucamas, criados, atenção! São muitos os afazeres... Movidos por um sentimento de conquista, glória e paixão, cuidem com apreço dos vestidos, das perucas, das jóias à minha adoração. Como o habitual, tragam flores e águas de cheiro. Enfeitem, de forma sem igual, as paredes do palácio com tecidos coloridos, com palhas secas e fios de sisal. Organizem as louças de porcelanas e preparem um maravilhoso banquete. Com um toque africano e bem temperado, caprichem nos quitutes doces e salgados. Músicos toquem, toquem, toquem... Como a suave brisa que embala a sinfonia dos ventos, apresento-lhes o meu quinteto. Sob as obras musicais, sonatas, transcritas para o meu folheto, trago com requinte e leveza a dança do minueto. Rufam os tambores...

Alegria, alegria! Não é conto, nem magia é Rei Zumbi que acabou de chegar. Cada qual com a sua verdade, Zumbi e mil Palmares contra a atrocidade em nome da Liberdade. A virtude de tornar real o sonho da alforria para muitos negros escravos é a sua lei. Entrelaçado em ouro, das minas, eu, o desbravei... Nem tão pouco sonhei. Aplausos, para o nosso glorioso Chico Rei.

Pressinto! E um repentino silêncio se faz presente. Um trotar sublime e envolvente ganha espaço reluzindo-se como uma estrela incandescente. É Dom Obá e Agotime, que a bordo de uma carruagem resplandecente, chegam para desfrutar da alegria de toda essa gente.

Tudo acontece ao mesmo tempo. Ganha movimento e os negros escravos vão se livrando dos seus tormentos. Brilha a este espírito de consagramento, a altivez do que é incomum, a atitude à eficácia, de uma "santa de olhos azuis". Chega, livrando-se da mordaça, entre a luta e a sua audácia, a negra, que história batizou de Escrava Anastácia.

"Não se ri do destino". A sua arte floresceu dos sonhos de quando ainda era um menino... Esculpe e dimensiona o seu cenário projetando ao mundo a tradução dos seus santinhos. Isso tudo me fascina, assim, como contemplo a cultura em meu caminho, vou saudando a criatividade de Antonio Francisco Lisboa, o nosso querido Aleijadinho. Iluminem este palácio. As palavras vão dando conta do meu prefácio. A persuasão ganha vida, meio a discursos, projetos e publicações, uma revolução. Rumam à vitória da tão sonhada Abolição.

Para minha grande festa, de forma exuberante e curiosa, tem gente que vem de barco, o meu maior fascínio. Recebam o Almirante Negro, o engenheiro André Rebouças e o político José do Patrocínio. Assim como sempre quis a essa altura, em noite de festa e de gente feliz, personificado em verso e prosa, seu nome é Machado de Assis. Como em Memórias Póstumas de seu personagem define sua diretriz: a cada poema, crônica, frase um dissabor. Ora extraídos da dor, ora preenchidos com a docilidade deste grande escritor.Entre linhas revelo o que sinto. O contemporâneo, ao meu olhar, deixou de ser um mistério sucinto.

Sob a magnificência de um poeta, dedicado às letras, descobri a Pátria Mãe gentil: Cruz e Souza o maior autor simbolista do Brasil. Vamos celebrar a glória de um povo que sabe rezar. Tantas origens de tal profusão. Tem batuque? É gira de candomblé. Lá vem Tia Ciata, Mãe Menininha do Gantois ao culto sagrado, que faz da reza um canto, a cada mãe de santo, um axé. Mas quem pode com mandinga não carrega patuá. Peço licença ao Ketu, ao Jejê e ao Nagô, para louvar o Orixá da justiça, nosso Rei Xangô. O conto que a gente canta é a história que o povo faz.

É o samba que os males espanta dos sambistas imortais. Certo do me conduz, vamos cantar sambar ir além do que propus. Unindo a moderna cultura negra brasileira à Mãe África com os belos sambas de Clementina de Jesus.

Nesse reduto de bamba, onde tudo é versado, vou deixando o meu recado. Entre o erudito e o popular ouço Clara cantar, vejo Chiquinha Gonzaga, ao som do piano, abrir alas pro meu povo passar. E sob a regência do maestro renomado, que de Carlos Gomes fora batizado, contemplo um "Guarani" a descansar.

Não há aquele que não preste atenção, na melodia de uma simples canção e não leve consigo o acorde "Carinhoso" de Pixinguinha em seu coração. Um marco ou um dilema? É Grande Otelo interpretando nas telas do cinema. Chega sem choro e sem dor, esbanjando alegria, com suas diversas formas de fazer humor.

Um importante momento! Inicia o primeiro ato da peça "Aruanda" dirigida por Abdias do Nascimento. Um súbito encantamento toma conta de todos. E não é pra menos: elevar a autoestima do negro brasileiro era o seu principal argumento. A grande festa é a esperança, faz aliança é união. Com seu estandarte exalta a arte e acende as luzes da imaginação. No passo desse compasso o samba se une numa apoteótica celebração: Seu Nenê, Seu Inocêncio Mulata, Seu Carlão, Seu Pé Rachado e Dona Madrinha Eunice a inspiração.

E desse encontro mágico e universal chamado carnaval, bate forte o coração. A Nenê de Vila Matilde confraterniza, entende as razões, que no mundo do samba vale-se muito quando se respeita os pavilhões. Recebe Ismael Silva da Estácio de Sá, Cartola da Mangueira, Dona Ivone Lara do Império Serrano, Seu Calça Larga do Salgueiro, Paulo da Portela e estende nesta Avenida a sua maior paixão... De braços dados desfila o enredo do seu samba, ao lado desses eternos guardiões.
 
Celebrem, cantem forte, ninguém há de duvidar, que a Nenê é Chica da Silva e Chica da Silva é Nenê! Porque nascemos pra brilhar.

 
Ano do enredo: 2011
Título do enredo: Salis Sapientiae - Uma história do Mundo!
Descrição do enredo:

Alexandre Luiz
Autor

Introdução

O uso do sal é quase tão antigo quanto a história da humanidade.
A mais antiga citação literária de que se tem conhecimento está na Bíblia, no
livro Êxodo, do Antigo Testamento. O caráter penitencial a ele atribuído deriva da
punição usada por Deus à mulher de Lot que, por sua desobediência durante a fuga
de Sodoma, foi transformada em uma estátua de Sal.

Apesar de ser a substância mais abundante na natureza, o sal já foi escasso e
precioso, sendo por vezes comercializado a peso de ouro, literalmente. Cassiodoro, o
senador romano, concluiu que “alguns não precisam de ouro, mas qual é o homem
que não precisa de sal?”

Além do caráter penitencial, lhe foram atribuídos outros significados, quase
sagrados. Tornou-se sinônimo de graça, espírito, sabedoria, pureza, insolubilidade,
hospitalidade.

Sua importância como tempero teve início com a descoberta do fogo. O homem
primitivo vivia da caça: com as peles ele improvisava suas vestes; da carne (crua) ele
se alimentava. Daí obtinha as porções diárias de sal de que tanto necessitava. O fato
de o cozimento dos alimentos eliminar seu sal natural e consequentemente o sabor
dos alimentos fez com que o homem primitivo saísse á procura de outras formar de
temperar seus alimentos. Começava, aí, a busca incessante do homem pelo sal.

Setor I – Antiguidade Clássica: Uma pitada de conhecimento.

Não tardou ao homem descobrir as primeiras minas a céu aberto da história. A
princípio de difícil extração, fez dos pioneiros nas técnicas de extração ricos e
poderosos.

Descobertas na Idade do Bronze, as primeiras minas exploradas estavam às
margens do lago Hallstatt, na Áustria. Na época, o sal era conhecido como o “ouro
branco”, pois era comercializado a peso de ouro, literalmente. A região tornou-se um
grande ponto de negociações da antiguidade, absorvendo riquezas de todas as partes
do continente. Essa região tornou-se um dos mais ricos sítios arqueológicos da
Europa, sendo hoje considerada patrimônio cultural e natural da humanidade, título
conferido pela “UNESCO”.

Na Ásia, os chineses já eram capazes de reconhecer o valor do sal. Somente o
império tinha o direito de negocias o sal, sendo que quem desobedecesse essa lei era
castigado severamente, sendo, por vezes, condenado a pena de morte. Séculos
depois, quando o navegador italiano Marco Polo chegou à China, encontrou moedas de
sal com o selo de Gengis Khan impressos em suas faces.

Os antigos egípcios, famosos pelo domínio das técnicas de mumificação,
conheciam o poder conservador do sal. Além de serem os primeiros a utilizarem o
composto para conservação das carnes, aplicavam-no sobre a pele dos faraós a fim de
conservá-la intacta para que ele fosse reconhecido por seus entes e servos quando
alcançasse a eternidade.

Na Grécia Antiga, adquiriu significados sagrados. O poeta Homero definiu-o
como “divino”. Platão afirmou que o sal era uma “substância cara aos deuses”.

Mas foi em Roma que o sal mais operou como “divisor de “águas” da história
ocidental. Os romanos reconheciam o valor vital do sal, e por isso travaram várias
batalhas para garantir que os suprimentos nunca se acabassem. Por volta de 250 a.C.,
Roma declarou guerra a Cartago, visando à dominação das minas de sal do Mar
Adriático e do Mediterrâneo. Tendo ganho a guerra, espalhou sal pelo solo cartaginês,
condenando-o à improdutividade. Mais tarde, o sal foi responsável pela ocupação da
Palestina, berço do cristianismo, com o intuito de dominar as minas de sal do Mar
Morto. Esse evento contribuiu diretamente para o surgimento de uma nova religião
que, por séculos seguintes modificou os hábitos de toda a civilização ocidental. Se não
fosse o sal, talvez a história tivesse tomado outros rumos.

Setor II – A idade da razão: o sal do conhecimento.

Após a ascensão do Cristianismo, como religião oficial de Roma, e do
fortalecimento do estado Papal, o mundo começa a sofrer fortes transformações,
sendo que em muitas delas o nosso precioso composto atua diretamente. O Império
Romano se divide, as leis cristãs determinam a ordem mundial, aniquilando todos os
costumes pagãos, a Europa testemunha o nascimento das monarquias, o mundo
árabe desponta como potência militar, reis enriquecem, plebeus empobrecem.

Para afirmar seu poder, a Igreja cristã promove uma série de missões,
conhecidas como cruzadas, às regiões que insistem em manter seus costumes
pagãos. O sincretismo camufla os conhecimentos mais antigos, condenando-os ao
esquecimento. Entretanto, os significados sagrados do sal nunca foram ignorados.
Tanto que no batismo cristão, o sal aparece representando a sabedoria. Recebeu o
nome de sal sapientiae. É considerado, também, um importante componente nos
rituais de exorcismo, pois, por ser uma substância que nunca estraga, os demônios
não conseguem corromper. Os monastérios ganham o direito de extrair e armazenar o
sal, ficando aos monges o dever de fiscalizar o comércio do produto.

Algumas dessas cruzadas tinham como objetivo resgatar relíquias cristãs
espalhadas pela Terra Santa. Muitas dessas expedições tinham que atravessar áreas
de domínio árabe. Para os árabes, o sal tinha o poder estabelecer alianças eternas,
portanto selavam seus acordos comendo sal em conjunto, a chamada Comunhão do
Sal. Os beduínos do deserto jamais atacavam alguém com quem um dia partilharam o
uso do sal.

No início do século XV, o ocidente assiste ao ressurgimento dos traços culturais
da antiguidade clássica. Mestres das artes retratam em seus trabalhos hábitos,
costumes, estilos, ressuscitam divindades, propões questionamentos. O renascentista
Leonardo Da Vinci pinta inúmeros quadros, cercados de significados misteriosos. A
“Santa Ceia” propõe, entre vários enigmas, a traição. Para ilustrar essa afirmação
posiciona em frente a Judas Escariotes um saleiro tombado. Por esse fato, derramar
sal sobre a mesa é, até hoje sinal de mau-agouro.

Durante séculos grande parte do sal consumido no mundo era produzida em
Setúbal, em Portugal. A verdade era que a região produzia mais sal do que conseguia
vender. As colônias portuguesas ao redor do mundo eram proibidas de produzir sal,
tendo que consumir o sal português. No Brasil, mesmo sendo rico em sal, éramos
obrigados a trocar nossos produtos por sal. Somente quando Napoleão invadiu
Portugal e a família real fugiu para o Brasil foi que pudemos explorar nossas salinas.

O sal foi responsável pelo surgimento de impostos, que por sua vez terminaram
em revolução. Na França, foi instituída a gabelle, imposto que aumentava o valor do
sal. Após séculos sendo explorados, mergulhados em extrema pobreza, o povo francês
de revoltou, derrubando do poder o Rei Luiz XVI e a rainha Maria Antonieta, cortandolhes
a cabeça.

Setor III – Nossos tempos: O sal de cada dia.

É verdadeiro dizer que a revolução francesa repercutiu em nossa história atual.
Se Napoleão não invadisse Portugal, a família real não teria fugido para o Rio de
Janeiro, e assim, não teríamos nossas próprias salinas. Não seríamos um Estado
soberano. Nem mesmo cogitaríamos ser independentes de Portugal, afinal não
conheceríamos os ideais e os resultados da Revolução Francesa.
A exemplo do que ocorreu na França, também tivemos nossa revolução, a

Inconfidência Mineira. Só que nosso caso se difere do exemplo francês em muito. Pra
começar, nem tínhamos acesso a nossos reis, já que eles ficavam do outro lado do
oceano. Em segundo, o povo não saiu vitorioso, até porque o próprio povo não
“abraçou a causa”, ao contrário do que aconteceu na França. E pra terminar, no nosso
caso, o sal passou de motivo a consequência. Isso porque após a traição de seus
companheiros, Tiradentes foi condenado à forca. Sua casa, palco das reuniões, foi
derrubada e o terreno salgado, para que jamais surgissem outras idéias de revolta.

A vinda da Família Real para o Brasil obrigou Dom João a tomar uma série de
medidas para que se conseguisse manter os tratados comerciais com a Inglaterra
(dona do Mundo, na época). Conceder ao Brasil o direito de explorar suas próprias
salinas foi uma delas. Abrir os portos para os embarques do produto foi outra. O Rio
Grande do Norte tornou-se o maior produtor de sal marinho do Brasil, seguido de
Cabo Frio, na costa do Rio de Janeiro.

Do sal, surgiu a feijoada, que era um juntado do resto das carnes que os
brancos não consumiam. Os escravos guardavam essas carnes no sal, afinal não
existiam refrigeradores. Essas carnes eram usadas para enriquecer o feijão, na hora
do cozimento. Os outros ingredientes surgiram com o passar do tempo. Nos Pampas,
o autêntico churrasco leva, em seu tempero, apenas sal grosso.

Modernamente, o sal possui ampla utilização em vários processos químicos e
industriais e, por ser o único produto consumido diariamente pela população, foi
utilizado pelo governo para suprir a carência de iodo das populações distantes do mar.
O sal é utilizado na preparação de alimentos, como complemento na alimentação do
gado e curtume de couro, entre outros. Na indústria é utilizado como matéria-prima
para obtenção de cloro, ácido clorídrico, soda cáustica, bicarbonato de sódio, nas
indústrias de vidro, papel e celulose, produtos de higiene (sabões, detergentes, pasta
dental), produtos farmacêuticos, tintas, inseticidas, cola, fertilizantes, corretivos de
solos, cosméticos, nas indústrias de porcelana, borracha sintética, no tratamento de
óleos vegetais, têxteis, na indústria bélica e outras. É utilizado também no tratamento
de água e purificação de gases.

Setor IV – Sal da Vida: Corpo são e as garantias para uma boa vida.

Está claro que, desde a antiguidade, o homem tem pleno conhecimento da
importância do sal para a manutenção da vida. O sal está presente em todos os
líquidos e secreções do corpo.

Os sais minerais, encontrados nos alimentos, são importantes fontes de
vitaminas para o corpo. O sal regula a hidratação do corpo, fazendo parte, inclusive,
do soro fisiológico. Possui propriedades anti-bactericidas, e a prova disso são as
famosas salmouras que os antigos usavam para estancar o sangue em ferimentos.
Regulam os batimentos cardíacos e o fluxo de sangue pelo corpo.

Mas, como todo remédio que cura também mata, o consumo excessivo do sal
tornou-se uma preocupação para a saúde mundial. Grande parte dos males do
coração pode ser atribuída ao sal. Além disso, sem o tratamento com iodo, o sal causa
danos irreversíveis à tireóide (glândula responsável pelo crescimento).

Vale lembrar que a melhor prevenção contra as doenças relacionadas à
deficiência ou ao excesso de sal no organismo depende de um consumo regulado e
consciente.

Encerramento – Sal da superação

2010 entrou para a história de nossa agremiação. Foi um ano em que a
comunidade matildense viveu os maiores extremos no que se refere à transposição de
barreiras. Um ano vivido “com muito sal”. O sal do suor derramado, fruto do trabalho
de nossos artesãos, que a cada ano se superam, garantindo um espetáculo mais lindo
que outro, independente do grau de dificuldade que a vida imponha. O sal do sangue
que corre nem nossas veias, que faz pulsar nossos corações, onde mora nossa
agremiação. O sal das lágrimas, nem sempre de alegria, mas que ainda hoje fazem
marejar nossos olhos quando ouvimos o sambódromo inteiro declamando “para
sempre hei de te amar”.

Para finalizar essa história, é importante deixar claro que a superação, numa
agremiação com 62 anos com tanta solidez num mundo tão volátil, é quase um sinal
de eternidade. Portanto, nos lembraremos do ano de 2010 como o ano em que Nenê
de Vila Matilde comemorou bodas de sal, afinal, não é errado dizer que o sal, nesse
caso, é sinônimo de insolubilidade e eternidade, afinal nunca se corrompe.

Delmo de Moraes
Carnavalesco

 
Ano do enredo: 2010
Título do enredo: Água nossa de cada dia ! A pureza da Águia, é a essência de nossas vidas!
Descrição do enredo:

Resumo do Enredo

Enredo: “ÁGUA NOSSA DE CADA DIA. NA PUREZA DA ÀGUIA A ESSENCIA DE NOSSAS VIDAS”

Desenvolvimento: Alexandre Luiz
Carnavalesco: Delmo de Moraes

No enredo buscamos a epopéia bíblica da criação do mundo. Remontamos textos antigos sobre Atlântida, uma civilização avançada, que por sua própria ambição e como forma de castigo, Posseidon, rei dos mares, submergiu o continente no oceano, sem deixar vestígios de sua existência. Se observarmos com bastante atenção, estamos caminhando para o mesmo fim.

É isso que queremos para nós? A Água é o recurso natural mais importante para a sobrevivência da terra. Ela é fundamental para todo o tipo de vida. Com a escassez, poderá ser comercializada a preços altíssimos, provocar guerras, se tornando o maior dos tesouros. Por isso a Escola de Samba Nenê de Vila Matilde, vem celebrar o divino dom da criação e a preservação, tratando a vida com respeito. Sábia foi Menininha do Gantóis, que um dia disse a célebre frase. “Acima de Deus nada! Abaixo de Deus, Água”.

Ano: 2017
Título do samba enredo: “A Ópera de todos os povos…Terra de todas as gentes ..Curitiba de todos os sonhos!”
Compositores do samba enredo: Kaska, Silas Augusto, Zé Paulo Sierra, Vitão, Juninho da Vila, Léo do Cavaco, Sandrinho e Luís Jorge
Letra:

Voar por este imenso paraíso
Que a natureza abençoou
Á águia encontra a gralha azul
Lendas, histórias vem contar
Entre azaleias, araucárias e ipês
A semente que plantou vai florescer
Índio lutou, seu chão cravou
Para afastar a coroa portuguesa
O bandeirante cobiça as trilhas do ouro
Cacique valente protege o tesouro

Negro chegou, nesse lugar
Trazendo a fé lá do povo de Aruanda
O negro é rei, raiz verdadeira
Ajoelhou, rezou pra santa padroeira

Salve a miscigenação
Em cada sonho toma forma esse chão
Culturas cruzaram o mar
A esperança refletida no olhar
Desperta, Poty!
Vem ver a nossa arte eternizada
A poesia colorindo as calçadas
Sorriso no rosto
Meu povo é mais feliz
Futuro, qualidade, educação
Exemplo de modelo à nação
Águia guerreira, um ato de amor
Curitiba é sinfonia genial
Que vai brilhar no palco no meu carnaval

Lá vem Nenê
Segura que eu quero ver
Meu samba vai levantar poeira
É o lado leste sacudindo a avenida
A Vila exaltando Curitiba

 
Ano: 2016
Título do samba enredo: Nenê apresenta o musical: Rainha Raia nas Asas do Carnaval
Compositores do samba enredo: KasKa, Silas Augusto, Zé Paulo Sierra, Vitão, Sandrinho, Juninho Da Vila e Claudio Mattos
Letra:

Quem é da Vila não foge da Raia
Cai na gandaia, samba com a Nenê
Entra na dança nesse Carnaval
Com a Rainha do teatro musical

Ê Maria, quanta alegria vem nas asas da Nenê
A bênção oh mãe querida
Tão dedicada fez o sonho acontecer
Surgiu assim linda Julieta
A dança revelava seu amor
Uma bailarina a deslumbrar
O show tão lindo está no ar
Lá vem o grande domador
É fantasia que dá e passa
Paixão tão louca que arrebata
E a menina se transformou

O Mestre mandou dançar (ôô)
A moça rodou a saia, dançou
De musicais em musicais
Pelo mundo despontou

Bailando se reinventa
Artista em toda forma de expressão
Engraçadinha na Tv e no cinema
A favorita dentro do meu coração
Sassaricando vem mostrar o seu valor
Divina dama que o teatro apresentou

Hoje no palco iluminado
O povo te aplaude e vibra com você
São 30 anos de dedicação
Nas Raias da vida a consagração
Claudia guerreira a nos emocionar
E a Zona Leste
Canta forte para te exaltar

 
Ano: 2015
Título do samba enredo: "Moçambique: A Lendária Terra do Baobá Sagrado"
Compositores do samba enredo: Afonsinho, Rubens Gordinho, Dedé, DMalva e Jair Brandão
Letra:

Amanheceu, resplandeceu, outra vez clareou
Eu sou raiz do povo banto
Presente que o tempo ofertou
Sabedoria, legado dos meus ancestrais
Trago um "Eldorado" de riquezas naturais
História singular, guerreira ao despertar
Sagrado...meu nome é Baobá

 

O mar virou...mareia
Ao longe ouço o cantar...sereia
Eu vi chegar o invasor
Dragões e filhos de Alah
Demônios de além mar

 

Testemunhas de batalhas, resistência
Eu não me curvo jamais
Liberdade, veio a independência
Um forte laço se faz
Hoje a savana renasce e a vida floresce nos braços da paz
Pérola do Índico, terra de encantos e magia
Surge o "leão da tecnologia", vejo um futuro promissor
Espírito ancestral, eu vim pro Carnaval
Trazendo o sorriso dessa gente
Minha águia espalha essa semente

 

Bate o tambor do meu samba, surdo, tarol e repique
A Vila hoje canta Moçambique
Vem bateria de bamba, quem esperou pra me ver
Chegou Nenê

 
Ano: 2014
Título do samba enredo: Paixões proibidas e outros amores
Compositores do samba enredo: Moisés Santiago, Gabriel Cacique, Luciano Rosa, Marcelo Careca e Nilson Feijão
Letra:


Eu vou... Nessa viagem... Eu vou!
No universo do prazer!
Com a minha águia deslumbrante na avenida... Eu sou Nenê!
Histórias imortais... Do real à fantasia!
A paixão que emudeceu a lira de Orfeu!
Tantos contos da mitologia!
Amores que fogem a razão... Sem discriminação!
A tentação de enlouquecer
Romance... Encanto... Magia!
A sedução vence o poder!

Vem meu amor... Vou te beijar
Nosso desejo está escrito no olhar!
O proibido... Acende a chama
Explode o peito de quem ama!

O tempo jamais apagou
Lembranças... Mil casos de amor!
Passagens da linda marquesa e o imperador!
Na arte paixões se revelam
Imagens... Canções... Personagens na tela!
Lendas e folclore popular
Um causo apimentado vou contar!
Vila...  Dá minha vida!
Orgulho da comunidade!
Meu coração apaixonado pra valer
Bate forte por você!

Tem confete e serpentina... No meu carnaval!
Pierrot e colombina... Num sonho real
O manto azul e branco... Um final feliz...
É tudo que eu sempre quis!

 
Ano: 2013
Título do samba enredo: "Da revolta dos búzios a atualidade. Nenê canta a igualdade"
Compositores do samba enredo: Cláudio Russo, J.Velloso, Ney do Cavaco, Marquinhos e Dr. Medina
Letra:


Quando a igualdade não havia
A Revolta foi a via
Contra a força da opressão
Uma voz se ergueu outras mais então
Movimento que surgia...
Salve o povo da Bahia
Sei que a rebeldia que trago no peito
Tenho direito de eternizar
No canto libertário que se espalha pelo ar
Lutar, acreditar, sonhar...ser mais Brasil!
Criar a pátria amada mãe gentil!

Há nos Búzios a mensagem de cada irmão
No Quilombo novos ares libertação
Em Canudos Conselheiro e a sua fé
Cabanagem no Pará, na Nenê samba no pé

Vai o baticum do Olodum no pelourinho
Um só coração, um só caminho
Canto a igualdade, levo à união
Venço toda a discriminação
Sonhei que a terra é do agricultor
Cidadão encontrou o abrigo do lar
Eu vi a força unificando a luta sindical
Mulheres defendendo um ideal...
De volta ao seu lugar a Zona Leste incendeia
O Anhembi vai levantar:
A minha Vila tem sangue na veia

Chegou, chegou no templo do samba
No gueto da gente, a mais querida
No coração Matildense
Nenê é minha Águia, minha vida...

 
Ano: 2012
Título do samba enredo: Chica convida... No Palácio da Nenê a festa é pra Você
 
Ano: 2011
Título do samba enredo: Salis Sapientiae - Uma história do Mundo!
Compositores do samba enredo: Tonn Queiroz, Anderson Vaz, Fabiano Sorriso, Santaninha, J. Velloso, Cláudio Russo e Marquinhos
Letra:

Voando nesta poesia
Nenê vem contar “uma história do mundo!”
Com graça, estilo, elegância
No balanço do samba, a riqueza do sal
Descrito no livro sagrado
Foi a punição, o castigo ao pecado
Na antiguidade, a chama do fogo fez o homem despertar
Era o início da procura ao paladar
 
Ao faraó, a eternidade
Na china, o valor comercial
Soldado de Roma recebeu salário
Com o sal do Olimpo se fez ritual
 
É sabedoria no batismo do cristão
Feito aliança, celebrado em comunhão
Na tela da Vinci pintou...
O saleiro tombado revela o traidor
Soberania, uma obra do destino
Foi concedido o direito à exploração
Daí então o mineral se extraiu
Da pátria amada, idolatrada, mãe gentil
Sal de cada dia, fonte de energia essencial à nação
Mas atenção! O sal à vida faz o bem e o mal
Em nosso corpo tem função vital
Seu exagero prejudica o coração
Superação, comunidade matildense em união
Suou, sangrou e até chorou
Agora em festa, a zona leste que voltou
 
Vem provar do meu tempero, minha vila tem sabor
Vem ver como é que é, quem tem samba no pé
Minha águia, meu amor!

 
Ano: 2010
Título do samba enredo: Água nossa de cada dia ! A pureza da Águia, é a essência de nossas vidas!
Compositores do samba enredo: Ney do Cavaco, J. Veloso, Cláudio Russo, Cláudio Tricolor e Marquinhos
Letra:

A água... essência da vida
Divina é a fonte dessa criação
Vem na pureza da águia
Banhando os versos da minha canção
Água que vem do horizonte
Na vaga que cresce e brinca na areia
Meu Deus do céu...
São tantos rios, cachoeiras...
Que o homem segue a brincadeira
De menosprezo e destruição
E a Nenê...
Mostra que tem sangue na veia
Traz a verdade que anseia preservação

É a água da fonte a caminho do mar
Nesse rio que passa eu vou me banhar
Nenê faz a festa veste a fantasia
Por nossa água de cada dia

Pare a ganância
Essa ânsia de riqueza
Pra que tanto ouro,
Mil tesouros... Sem natureza
Xeu Êpa Baba
Meu pai maior me dê o seu perdão
Mamãe Oxum axé
E proteção, Iemanjá!!!

Quem é Vila Matilde é comunidade
Amor faça um convite à felicidade
Esse clamor guardado no meu coração
É nossa sede de gritar é campeão.

Notícias
 
Mais resultados para busca por: Nenê de Vila Matilde
0
SOSAMBA.COM.BR | COPYRIGHT © 2010 TODOS OS DIREITOS RESERVADOS