São Clemente

Grupo: Especial
Fundação: 25 10 1961
Cores: Amarelo e Preto
Presidente: Renato Almeida Gomes
Carnavalesco: Rosa Magalhães
Interprete: Leozinho Nunes
Mestre de bateria: Gilberto Almeida e Caliquinho
Diretor de carnaval: Roberto Almeida Gomes
Diretor de harmonia: Marquinhos Harmonia
Mestre sala: Fabrício Pires
Porta bandeira: Denadir Garcia
Rainha de bateria: Raphaela Gomes
Endereco: Av. Presidente Vargas, 3.102 -Centro, Rio de Janeiro - RJ Centro Cultural da São Clemente Rua Moncorvo Filho, 56
Telefone: (21) 2223-06419 (quadra) (21) 2253-3776 (barracao)
Comissão de Frente: Sérgio Lobato
Telefone: Barracão 09 - Cidade do Samba
História

Em meados de 1951, um grupo de jovens do bairro de Botafogo, praticantes da arte do futebol, participavam de uma equipe chamada São Clemente Futebol Clube. O time criado em homenagem a rua em que se reuniam vestiam as cores azul e branco.

Os jovens frequentemente faziam excursões para jogar em outras cidades. Numa dessas viagens, com destino à Bananal no Estado do Rio, o grupo se reuniu em frente a vila Gauí existente até hoje na rua São Clemente 176 e, enquanto aguardavam o ínicio da viagem, Ivo da Rocha Gomes avistou na porta de uma quitanda duas barricas vazias de uvas que, de imediato transformou em instrumento de percursão para uma animada batucada.

A empolgação foi tanta que Ivo da Rocha Gomes resolveu criar a partir daquele momento um " Bloco de sujos " que passou a desfilar no Carnaval pelo bairro de Botafogo com as cores azul e branca.

O Primeiro samba enredo foi de autoria de Nelson Escurinho, com a seguinte letra:

Vamos cantar a melodia
Trazida do meu coração
Vamos esquecer a tristeza cruel da desilusão
Da melodia fiz um poema
Que canto nas noites de solidão

Eu era tão feliz
Vivia na maior desilusão
Hoje não me resta mais nada
Só existe no meu coração
E neste samba que é um poema
Que canto nas noites de solidão

Algumas das pessoas que colaboraram na Fundação da Escola foram: Ivo da Rocha Gomes, Jorge Andrade, Marina da Conceição Gomes, Daniel Teixeira, Hugo da Rocha Gomes, Daniel (Tio Miro), Waldomiro (Miro da Neném), Ivam da Silva Vaz (Guiga), Elpidio dos Santos, João Marinho, Sebastião Costa, Conceição Farias, Adalberto de Almeida, Abelardo de Almeida, Rodolfo Pinto de Oliveira, Paulo Ney Xavier (Paulo Negão), Carlos Correa Lopes (Carlinhos Pato Roco), Aílton da Conceição (Aíton Fala Grosso), Nelson do Piston, China da Caixa de Guerra, Henrique Torquatro (Dunga), Benildo Mendes Vieira de Carvalho, Zélia Baptista, Carmindo Moacir (Moacir do Chucalho) e Romualdo (Mundinho).

Ano do enredo: 2017
Título do enredo: "Onisuáquimalipanse" (Envergonhe-se quem pensar mal disso)
Descrição do enredo:

Sinopse

Era uma vez um príncipe que morava num país distante. Quando ele era ainda jovem, o rei, seu pai, morre e ele é coroado rei.

O jovem rei viveu sua juventude com intensidade. Dançava todas as noites, montava a cavalo e organizava torneios, gostava de se mascarar no carnaval, saía de seu palácio para visitar as senhoras importantes do "grand-monde".

Aprendeu a cantar, dançar e a tocar guitarra. Sua mais célebre participação foi em um balé intitulado "Balé da Noite" baseado num poema que dizia:

"No cume dos montes, começando a clarearem, Já começo a me fazer admirar Eu dor dor e forma aos objetos E quem não quiser evitar minha luz, Vai sentir meu calor..."

Ao final nosso rei representava o sol se levantando em meio às nuvens e tal foi o sucesso que ganhou o apelido de Rei Sol.

E como todo rei se casa com uma princesa, este nosso personagem não escapou a regra e se casou com uma princesa - Maria Teresa Áustria.

Para tomar conta dos seus tesouros, e dos tesouros do país, escolheu o advogado Nicolas Fouquet, que conseguiu sanar as finanças e organizar financeiramente o país. Foi nomeado superintendente das finanças do Rei, uma espécie de ministro.

Este senhor foi acumulando uma fortuna imensa tão grande quanto seu poder. Promovia as artes, no sentido mais nobre do termo, e vivia circundado de poetas, teatrólogos, pintores, músicos etc... para os quais pagava uma espécie de mesada.

Comprou muitos imóveis, mas gostava de um em particular, um palácio, situado não muito longe de Paris, que necessitava de reformas e cujo terreno era um tanto acanhado. Comprou as terras em torno da edificação e deu a missão de reformá-lo a alguns de seus amigos artistas com Lebrun, pintor, Levau, arquiteto e Le Notre, paisagista. Deu a estes artistas total liberdade de criação. O resultado foi surpreendente. O palácio ficou deslumbrante, com suas pinturas nas paredes, espelhos e madeiras douradas, um luxo fantástico. O jardim era tão grande que se perdia de vista. Era um verdadeiro assombro com suas alamedas geométricas, labirintos e gramados que faziam desenhos complexos, intercalados por lagos e espelhos de água com chafarizes.

Tratou de preparar uma grande festa para o rei, que levou nada mais nada menos que 600 convidados. O cozinheiro de Fouquet era excepcional, chamava-se Vatel, não havia, no reino inteiro quem fizesse uma festa como ele. Porque ele cozinhava e inventava as decorações e efeitos para seduzir os convivas.

A recepção foi fantástica - Os chafarizes enfeitavam os jardins e refletiam os fogos de artifícios. Vatel preparou um bufê insuperável, a música era da melhor qualidade e ainda puderam assistir a uma peça de Moliere. Nunca se viu tamanho esplendor - O Rei ficou absolutamente deslumbrado, e depois... muito furioso.

Mandou que o chefe da guarde real, d´Artagnant, prendesse o superintendente, por malversação do dinheiro público, ou real, pois afinal como ele conseguido construir tamanha obra de arte... Fouquet conseguiu ainda avisar aos seus mais próximos, que destruíram os documentos mais comprometedores.

O Rei nomeou outro ministro, chamou os artistas que haviam trabalhado no Palácio de Fouquet e os incumbiu de construir um palácio muito mais bonito, muito mais esplendoroso e do qual ninguém jamais imaginara e com jardins e bosques e árvores frutíferas como ninguém jamais houvesse visto igual. E foi assim que esses artistas construíram um palácio ainda mais lindo, chamado Versailles.

PS - Essa história aconteceu há muito tempo, qualquer semelhança com fatos de outras épocas é mera coincidência.

Rosa Magalhães
Carnavalesca

Bibliografia consultada:

- LOUIS XIX-L´UNIVERS DU ROI - SOLEIL - MARAL, ALEXANDRE ET SARMANT, THIERRY EDITIONS TALLANDIER - PARIS - 2014
- LE JARDIN DES TUILLERIES D´ANDRÉ LE NOTRE - UN CHEF D OEUVRE POUR LE ROI SOLEIL - ALLIMANT - VERDILLON, ANNE ET GADY, ALEXANDRE SOMOGY ÉDITIONS D ART - 2013
- LES JARDINS DE VERSAILLES - LABLAUDE, PIERRE-ANDRÉ EDITIONS SCALA - 1995

Consultas na internet sobre Vatel, Lebrun, Le Vau, Le Notre, Moliere, Perrault, Corneille.

 
Ano do enredo: 2016
Título do enredo: Mais de mil palhaços no salão
 
Ano do enredo: 2015
Título do enredo: "A incrivel história do homem que só tinha medo da Matinta Perera, da tocandira e da onça pé de boi"
 
Ano do enredo: 2014
Título do enredo: “Favela”
Descrição do enredo:


Somos a São Clemente, a Escola da irreverência. Quando o couro estremece com a pancada da fiel bateria, o Clementiano já sabe que é hora de brincar o carnaval na essência do que é esta festa: a alegria!

Mas não foi sempre assim, ou tão assim… No fim da década de 80 já éramos a Agremiação da espontaneidade, mas, junto com ela, vinha o grito: “olha a crítica”!!!! E foi dessa forma que alertamos o Brasil para o drama do menor abandonado, da violência e o perigo do samba sambar.

No carnaval de 2014, rimar São Clemente com irreverente vai continuar fazendo sentido. Subiremos a favela para mostrar toda a sua riqueza, malemolência e criatividade. Desvendaremos sua arquitetura, das origens à atualidade, dos costumes aos personagens. Em seus becos, vielas e barracos, encontraremos emoções, contradições e, claro, muita espontaneidade.

Hoje, Clementianos, favelados ou não, se misturam a esse corpo tão único e ao mesmo tempo tão heterogêneo, tão real e abstrato, tão sofrido e feliz… Portanto, seja bem vindo à favela da São Clemente, e conheça toda a dimensão da audácia humana!

Chegava gente de todo lugar e em cada olhar havia uma chama, uma religião, uma fé…

Quem somos nós?
Herança do olhar de esperança dos negros enfim livres
A fé dos pobres soldados que foram a Canudos vencer o próprio espelho
dos sem cortiço, excluídos da cidade que limpava-se…
Quem somos nós?
Bisnetos dos imigrantes que fugiram da guerra
Netos da seca do sertão
Filhos da miscigenação
Somos a pluralidade na origem, a uniformidade na carência

Como fizemos?
Da necessidade!
Erguendo formas estranhas, audaciosas
Tão perigosas quanto geniais
Como fizemos?
Desafiando a lógica e a gravidade
Arquitetos e engenheiros
Mas sem régua, sem esquadro
Sem segurança, nem dinheiro
Como fizemos?
Desejo em forma tijolo!!!
Coragem em prego e concreto!!!
Como malabaristas do dia-a-dia, nos equilibramos na necessidade
Como fizemos?
Caixote vira madeira, esteira é colchão
Vela na prateleira garante iluminação

Somos sinistros!!!
Porque quebramos o muro invisível da cidade partida sob marteladas de ritmo
Crescendo como família
“gente simples e tão pobre, que só tem o sol que a todos cobre”
Mas que faz arte de viver como nenhum outro
Somos sinistros!!!
Porque levamos pra cidade nossas manias e as trazemos de volta ainda mais ricas
No improviso, na invenção cotidiana, na parceria, no sofrimento, na festa, na religiosidade
A alegria de transformar dor em poesia.
Somos sinistros!!!
Porque vão falando como nós, dançando como nós, grafitando como nós

Nem adianta
A diferença incomoda
Fomos reprimidos, removidos, demolidos de novo
Somos o povo criativo e genial, mas barulhento
Que a sociedade gosta de ver… de longe…
Nem adianta
Nosso povo tem a força e a potência transformadora de um átomo
É cimento e sentimento
É concreto e abstrato
Nem adianta
Maltratar, proibir
Derrubam um barraco aqui, surgem cem ali

Parece pesadelo…
Viver na gangorra da vida
Entre a polícia e o bandido
Nosso guri abatido
Alvo de bala perdida
Parece pesadelo…
A dor cobre o pôr-do-sol
A esperança adoece
O descaso alimenta a fome
E a dignidade padece

Fala favela!
Sai dos labirintos, dança um afroreggae
Pinta a arte de nossos poetas
Dança, canta e ensina
Samba, pagode, funk e muito mais
Criação desenfreada
“Som de preto, de favelado, mas quando toca ninguém fica parado”
Exige mudança, refaz a esperança
E protagoniza teu próprio destino
Fala favela!
O teu filho um dia humilhado
Hoje é estrela que brilha em todos os palcos
E tem muito orgulho de ser cria daqui
Fala favela!
Em uma central única, desata os nós
Se antena no mundo
Erguei nossa voz

Tudo misturado, junto, conectado!
Pobres, gays, loucos ou burguês
Sem fronteiras, sem países
Toda cor, toda religião!
Quem diria?, o futuro vindo da contramão
Tudo misturado
Sem distancia, diferença, preconceito ou separação
Na mistura das cidades, nossa língua é a união
Tudo misturado
Porque a cidade está em festa
A gelada está no bar e Dona Marta já fez o feijão
São Clemente hoje é nossa família, nosso povo, nossa paixão.

 
Ano do enredo: 2013
Título do enredo: "Horário Nobre"
Descrição do enredo:

 

''Tira o telefone do gancho, a gente se vê depois da novela.
Não estou, não aceito convite, que ninguém fale comigo.
Quero lagrimar, sorrir, torcer pelo par romântico, felizes para sempre!''

No ar: novela e desfile de Escola de samba, dois triunfos da brasilidade que rodam o mundo inteiro, como gloriosas narrativas artísticas e populares, rituais que constroem a identidade do povão brazuca: ''Tamos'' juntos e misturados, porque não importa quem seja – patroa ou empregada, vovô ou netinho; preto do asfalto, branco da comunidade; na taba indígena, do Oiapoque ao Chuí, todos nos procuramos e nos reconhecemos na mais legitima arte verde e amarela, carnaval e folhetim.

Então vem comigo, me acompanha porque hoje eu sou novela: o ibope da São Clemente nãp para de crescer porque ela não desliga nunca! De folhetim em folhetim, há quase cinquenta anos, ouve-se ''silêncio no estúdio, gravando''. Pois agora vai ser ''barulho no estúdio, sambando! Valerá a pena me ver de novo.

Tem abertura, ações paralelas, história central. A trama novelesca é um repertório de clichês, porque a vida sempre imita a arte deste espelho mágico: o golpe da barriga, a criança prodígio, a mocinha sofredora que vive sorrindo, metade do elenco trabalhando numa empresa familiar, e na beira da morte o segredo é revelado – a rica enjoada é teúda e manteúda, o bofe é tábua que leva prego, o tipo que parecia honesto é o maior corrupto. Vale tudo, desde que tenha empatia, pegue, emplaque! Tem estória de riqueza e pobreza, pode ser moderna e retratar o passado, pode ser num tempo que ainda não existiu, ou um reino que jamais existirá; tem pescador do litoral ou vaqueiro do interior, gente do campo, da cidade. Arquétipos que não morrem, eternos que são em nossos corações: personagens que até acabam, mas não desaparecem nunca! Viva tantos conhecidos amigos que habitam a memória emocional tupiniquim, porque todos nós temos em nossas famílias, alguém que é a cara do personagem daquela novela, como era mesmo o nome? Seja pelo carisma que despertou, por uma tirada cômica ou até pela maldade extrema, tudo termina bem, porque a gente vai sempre se ver por aqui.

Uma emoção plimplinizada na Sapucaí, que hoje vira telinha de fábrica de sonhos: anunciando que vem aí mais um campeão de audiência, nossa Escola samba o produto que mais faz a cabeça do Brasil, em credibilidade e legitimação, pois além, de assistir, a gente repete que nem papagaio o bordão da novela que gruda que nem chiclete, donde se conclui que isso não é brinquedo, não: em todas as esquinas é ''inshalá, muito ouro!'' pra cá, ''na chon'' pra lá. Tô certo ou to errado? Tô podendo... E quem fala, se veste, se penteia e se maquia igual aos habitantes deste mundo mágico (quase real), que lança moda transformando milhares de cidadãs em Jade ou Maya (dá-lhe lápis de olho e rímel para marcar os olhos) que vão expor seus corpos na Medina ou em Saramandaia Malta. É só dar uma olhadinha na barraca do camelô: não esqueça salto alto e meias de lurex para ir a Discoteca, porque se o figurino da TV ganhou as ruas, é sinal de que a trama ''vingou''.

Se é para citar alguns, rápido vem a cabeça: o Brasil e um Bataclã, Sucupira é Brasília e Odorico Paraguassú mora no Congresso Nacional! João Coragem ficou com qual das três Glória Menezes? Ravengar tem caso com a Rainha Valentine? Gabriela não podia ter traído Seu Nachib; Ih, a Perpétua é Careca, Tieta arrancou-lhe a peruca; Natasha era uma vampira muito gostosa, e Isaura, uma escrava que nasceu branca. E pela última vez, quem matou a praga da Odete Roitman ou o querido Salomão Hayala? É que sem um bom vilão não tem namoradinha do Brasil que sobreviva, porque maldade e bondade são irmãs gêmeas (tipo Rute e Raquel) deste universo verossímil, ainda que nele, a gorda Dona Redonda possa explodir, e muita gente voltar da morte.

Como será que termina? O último capítulo é um frisson nacional, a opinião pública mobilizada com todo Brasil parado diante da televisão: vilão castigado (morre, enlouquece, se arrepende ou foge) e cena de casamento do mocinho com a heroína (só podem ficar juntos no final). Todo brasileiro tem um pouco de autor de dramalhão, até desconfia como termina, mas isso não tem a menor importância. As cenas da próxima novela mostram que na segunda-feira começa tudo de novo, e não percam o primeiro capítulo.

Somos os filhos de Janete e Dias, sobrinhos de Ivani!
Tomara Deus, o Beato Salú e a Venus Platinada, que nunca deixaram de nascer os maravilhosos autores. Semeadores do sonho, são criadores que democratizam as questões urgentes para o nosso povo (drogas, aids, trabalho infantil, coronelismo, reforma agrária, corrupção política, minorias, racismo etc), e ajudam essa galera a compreender sua maravilhosa gênese de ser: tudo brasileiro noveleiro, cujas vidas são obras em aberto, assim como as novelas.
Texto: Milton Cunha, a partir da ideia de Roberto Almeida Gomes.

Carnavalesco: Fábio Ricardo

 
Ano do enredo: 2012
Título do enredo: Uma aventura musical na Sapucaí
Descrição do enredo:

A São Clemente tem uma espécie de dever: dever de sonhar, e sonhar sempre!
E assim nossa Escola se constrói em ouros e sedas,
Inventa palcos, cenários, para viver o seu sonho:
Lutar quando é fácil ceder, vencer o inimigo invencível, negar quando a regra é vender; voar num limite improvável, tocar o inacessível chão!
(Do musical Homem de La Mancha, e da Poesia de Fernando Pessoa)

ENREDO: UMA AVENTURA MUSICAL NA SAPUCAÍ

Na escuridão do terceiro-sinal, foco de luz no mestre-maestro, delirantemente aplaudido pela gente que vai assistir a aventura musical. Silêncio.

Prólogo: Seguindo o apito e a batuta, a orquestra no recuo do fosso ataca, e há música encantadora no ar; é quando a cortina amarelo-negra abre-se lentamente! "Gatos" (Cats) esgueiram-se na arquibancada/platéia, e vão evocando as "Memórias", refazendo a História: "Senhoras e senhores, bem-vindos ao desfile do 'Teatro Musical Brasileiro'! E por quê apaixona-se a São Clemente pelo início do teatro musicado no Brasil? Porque, como ela, as operetas curtas daquele tempo eram satíricas, críticas e irreverentes. E aproximavam o povão da mais fina arte! Influência francesa que gerou nos trópicos, um 'u-lá-lá' pra lá da malandragem. Mais ou menos 1850. bom humor era tudo, rapidez rimava com qualidade, e, para quem entende, um pingo é letra: a parisiense nasceu na Lapa, e ia da canção, do xote à valsa, da mazurca ao tango. Só no truque da ingênua maliciosa, e o diabo que a carregue lá pra casa!".

Luz em resistência. Um astro vai descendo a alegórica escadaria de luzinhas piscantes, acompanhado daquilo que secretamente nos bastidores chamamos da sua "Comissão de Frente": lindíssimas vedetes, em maiôs cavados com franjas de diamantes falsos e transparência sobre os seios, escoltadas por bailarinos, luxuosamente vestidos em fraques. A vida é um "Cabaret". Ouve-se a voz do Mestre de Cerimônia: "Ora, se os desfiles de Escolas de Samba são os maiores dos musicais de que se tem notícia, nada melhor que esta grande aventura musical clementiana falar em ritmo de samba, de como viveu e vive esse grande e longevo negócio, que reúne na ribalta, empresários, artistas, técnicos: a tal gente do show business – Nós! Avante legítimas representantes carnavalizadas desta verve, as Comissões de Frente, espetáculo à parte na Avenida, quando sobem pernas, arrancam roupas, despertam o aplauso e o inesperado acontece: é a Broadway tupiniquim! A abertura é mágica!".

O palco/passarela abre-se, e sobe o espetacular elevador com a sua montanha verdejante onde "A Noviça Rebelde" rodopia, cantando para as suas crianças que a "Música, é Divina Música": "Precisa de dinheiro para botar o bloco na rua, levantar cenários, contratar estrelas, fazer figurinos, vender bilhetes e acender a rica luz: aí o prazer do público é total, quando a beça Estrela seminua com cara de safadinha, faz biquinho e começa solfejando os acordes".

Desce da escuridão do urdimento a magistral teia com a "Mulher Aranha", arrebatadora Rainha e Madrinha da Companhia. Das laterais, no chão surgem as mulatas com o estonteante figurino "Sopro de Purpurina". O primeiro setor de assentos, em suspense, puxa o fôlego, sem acreditar na tamanha opulência flutuante sobre si. Confetes prateados caem salpicados. A aracnídea está em êxtase, pendurada quase solta no espaço, e declama coquete: "Leques de plumas abanam em glória a primeira das grandes: Chiquinha Gonzaga! E o Brasil era cantado em prosa, verso e música em 1885, com um pé no caipira e outro na cidade grande. Festa de São João, conversa de botequim, prosa de malandro, vida de bairro, amor feliz. Artur Azevedo apareceu logo depois, saindo através de uma cortina de gotas de vidro: adorava meter o pau (ui!) no político-social, sem jamais esquecer "pernas à mostra e seios nus...". Igualzinho ao carnaval! Olhar bem humorado, uma forma de ver a vida: temas alegres, língua apimentada e um bububú no bobobó. Duplo sentido, para um povo cujo sexto sentido avisava que de perto ninguém é normal".

Uma parede de elásticos brilhosos é atravessada por ritmistas, quando ouve-se a sirene: - Teatro?, pergunta a "Bela". – Musical?, devolve a "Fera". – Sapucaí!, Exclamam os dois juntos. Entre românticos balanços de flores, o casal avança na narrativa: "A cena, a dança, a cantoria. Sopravam ventos de influência da Liberdade, América, numa revolução cenográfica e coreográfica. Tiraram a orquestra, botaram a banda, e o público exigia que arrancassem as meias daquelas pernas que eles queriam ver em pele. E veio a fantasia musicada na Praça Tiradentes: era hora das estrelas de primeira grandeza dando ataque e atraindo multidões, divas da pá virada em decotes abissais e rabo de penas raras. Fila na porta, empurra-empurra e o ingresso a tapa: todos pagavam para ver a belíssima e talentosa Loura falsa".

Do Balcão da Casa Rosada, envolta na fumaça de gelo-seco e construído do papelão e compensado, "Evita" abre os braços. E, em vez de cantar "Não Chores por Mim Argentina", inesperadamente faz seu tributo de amor ao musical brasileiro, porque o espetáculo não pode parar (a não ser na frente do júri), e continua dobrando a esquina: "Foi aí que o jogo avançou: girou a roleta do Cassino, porque o Brasil Pandeiro esquentava seus tamborins e fazia os dados rolarem: todo o país queria Rosetá e em 1945 Walter Pinto mandava: "Canta Brasil". E não é que o país resolveu investir? A maquinaria espetaculosa em efeitos de cena se tornou tão importante quanto as Estrelas. Abre e fecha, sobe e desce, acende e apaga, ou dá ou desce! Deus é brasileiro, e do limão estrangeiro fez-se uma limonada à tropicália, e o Brasil conhecia o Brasil. Deu tão certo que o mito grego de Orfeu, quem diria, foi parar na favela brasileira; e a querida senhora Pigmaleão armou sua barraca de feira por aqui. Com Carlos Machado o musical brasileiro alcança sucesso internacional".

Uma gaiola espelhada é trazida pelo ciclone do "Mágico de Oz" e dentro está a menina Dorothy. Guardas com cassetetes de strass batem no pobre Homem de Lata. "Os Miseráveis" surgem pelas laterais, tentando socorrer. Parte triste da História, tentam calar os Musicais Brasileiros: " A língua do Zé-Povinho estava afiada e fazia anedotas com a vida dos poderosos. Tudo devidamente amordaçado pela censura, que fez a cortina fechar pelos idos dos 60. Proibido proibir deu nó em pingo d'água e fez a tigresa (Sonia Braga) estrelar e deixar todo mundo de cabelo (Hair) em pé, tal a força deste libelo, que duas vezes o Brasil aclamou seduzido por tanta qualidade ideológica e musical. Acordes para os hippies. Faça humor, não faça a guerra, nós temos um sonho: deixe o sol entrar! Foi uma Roda-Viva para os brasileiros, cuja profissão sempre foi a esperança. Como Calabar resistiram, a Gota d'água no oceano da incompreensão".

Deitada numa lua de paetês surge "Vitor ou Vitória". A indecifrável fala sobre gays, machões e lembranças musicadas: "Nisso jogaram gliter. Anunciada a era de Aquarius, houve o rompimento, a mudança, a fuga dos padrões e a busca do novo. Deboche de músculos másculos, pernas cabeludas, cílios postiços e saltos altos. Foi com os Dzi croquetes que devolvemos à Europa o que dela tínhamos recebido um século antes: o vigor do teatro musicado, desta feita, andrógino. Mas isso era só um lado da moeda. Faltava um pedaço, aquela marca de pegador do brasileiro, do machão que não é Mané. E a sacada da Ópera do Malandro foi fazer do Brasil um bordel, quando o homem brasileiro assumiu de vez sua vocação para o cantar, dançar e interpretar. No rodopio dos 80 e 90, do conteúdo político partimos para revisitar os mitos de nossa música popular. Ganhou o samba, que viu de novo Assis Valente, as Irmãs Batista e Elizeth Cardoso, revividas e exaltadas em grandes montagens; a música popular brasileira virou fio condutor de uma torrente de paixões".

Todo o elenco internacional de imorredouros personagens, para sempre em nossos corações, estão em cena. Entraram Arlequins, Pierrots e Colombinas para receberem calorosos a carroça brasileira dos Saltimbancos, que fez cantar gerações seguidas de crianças, e "Sassaricando, e o Rio inventou a Marchinha...". O flash, a emoção do sassarico, porque sem sassaricar, esta vida é o "ó"! Maria Escandalosa junto com a Galinha e o Jumento, brasileiríssimos, cantam "Yes, Nós temos Bananas". Pós modernos, falam da virada do terceiro milênio.: O Brasil e o mundo, a aldeia global fazendo prosperar abaixo da linha do Equador o que antes era reserva de Nova York, Las Vegas, Paris e Londres: o trânsito de diretores, produtores, autores, a festa das platéias brasileiras. O mistério extraordinário do musical: Raia equilibrava-se na pequena Loja dos Horrores; esfregávamos os olhos para saber se era verdade que a mesma Bibi que cantava o pequeno pardal Piaf, também se rasgava nas entranhas ao cantar os fados de Amália; Marília podia ser Dalva de Oliveira ou Elis, ou todas Elas por Ela; e agora José Mayer é o definitivo Violinista no Telhado.

Grande dança final, com toda a companhia executando impecavelmente a marcação coreográfica e o canto afinado do Samba-Enredo. Ciclorama da vida, mágica do Teatro, entretenimento profissional apaixonado. A fagulha que restará eterna. Milhares de microlãmpadas formam palmeiras artificiais, orgulhosas de serem simulacros. Micos leão- dourados de acetato caem pendurados. "Deus lhe pague": "Dizer que conseguimos copiar de maneira impecável as montagens estrangeiras é pouco: damos um passo à frente, vamos além da virtuose técnica, adicionamos à perfeição deles o chica-chica-boom da gente bronzeada que faz pulsar o já montado, de maneira diferenciada. Há um quê de povo renovador em nós".

Epílogo: surge o Fantasma da Ópera voando a bordo de seu colossal lustre de cristal. Por trás da mascara misteriosa, há uma lágrima verde-amarela, de amor a esta gente incansável que monta Musicais. São os sonhadores: "Musicais são janelas para o imaginário de um povo, cuja qualidade é viver no País das Maravilhas. Que a Ópera de Paris seja a Marquês de Sapucaí e que o fantasma vague em nossas memórias, reafirmando o direito ao sonho. Mascaradas, faces de papel em desfile, é chegada a hora. Avante brincantes do mundo do carnaval musical, pois não há, no mundo dos humanos, gente parecida contigo. Vai ter fim a infinita aflição, e o mundo vai ver uma flor brotar, do impossível chão!".

Feliz é a São Clemente, que da grandeza deste gênero faz o seu carnaval. Feliz meu samba, que sai pela vida em alegria incontida, nessa maravilhosa aventura musical.

Revoada de graças translúcidas parte em direção ao pôr-do-sol, no infinito. O perfil de Carmem Miranda vai beijando Renato Russo, até desaparecer no Black-out.

Cai o Pano.

Fábio Ricardo
São Clemente 2012

Pesquisa: Tânia Brandão e Marcos Roza

 
Ano do enredo: 2011
Título do enredo: O seu, o meu, o nosso Rio, abençoado por Deus e bonito por natureza
Descrição do enredo:

Sinopse

Conselho Deliberativo da Criação Divina
Lá longe e tão perto, eternizado em nossos corações, está Deus. Dada sua condição especial, onipresente e divino, Ele convoca todos os santos, anjos e arcanjos e institui o Conselho Deliberativo da Criação Divina. Transforma-os em incansáveis missionários para construir o mundo dos homens em sete dias. E afirma: - Dos sete, utilizarei dois para criar uma cidade admirável, esculpida pela própria natureza.

Em seguida, chama por São Clemente e São Sebastião e ordena-os:
- Vocês serão responsáveis pela obra desta "cidade única". Descerão da criação divina ao plano material, levando o sopro à vida. Distribuirão mistérios por uma terra abundante de frutos, pássaros e peixes. Belas, igualmente únicas e belas, serão suas paisagens e suas águas cristalinas "azuis como a cor do mar". E ao término do cumprimento de minha ordem divina chamem-na de E Deus fez a Maravilha. Contudo, antes de partirem, o criador de todas as coisas designou os anjos Ariel, Gabriel e Raphael para a tarefa de fiscalizar as obras e a vida na cidade única por Ele planejada.

Rio: um porto desejado!
A Maravilha de Deus é contemplada.
Os fenícios podem ter sido os primeiros que aqui chegaram. Eles vislumbram um "Rio Alado". Algumas inscrições gravadas no alto da Pedra da Gávea permitem fantasiar sobre esta versão indubitavelmente mágica em sintonia com a natureza.

O Rio torna-se alvo irresistível para os navegadores portugueses e franceses, que ávidos da majestosa natureza, travam batalhas por seu valor inestimável.
Deus percebendo a cobiça e o crescente desejo pelo domínio de sua menina dos
olhos promove São Sebastião a santo padroeiro da cidade. Credita-se a São Sebastião, o bem-aventurado, parte do nosso futuro sucesso como cidade. Dada a batalha final, é ele quem surge na visão do consciente imaginário português motivando-o a vencer e expulsar os invasores, fundando-se a Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.

Império Tropical
Vendo através dos olhos dos homens, o nosso divino arquiteto dá condições à vida...
A Família Real desembarca no Rio de Janeiro. É a época da política do "Ponha-se na Rua", nome dado, com senso de humor, pelos cariocas, que se inspiravam nas iniciais "PR", de Príncipe Regente, que eram gravadas na porta das casas requisitadas para os nobres portugueses.

A Divindade transforma-se em uma realidade histórica. É a fonte cristalina das águas do Rio carioca. Suas águas correm, suprem as necessidades de abastecimento e chegam aos homens. Tornam-se as águas do Rio, dos escravos agueiros, dos caminhos dos aquedutos, das mães-d´água: das bicas públicas, dos chafarizes, das casas dos nobres.

Águas que molham o canto das lavadeiras nos riachos e atiçam o imaginário carioca: mulheres que delas bebiam ficavam formosas e os homens recuperavam o vigor físico. Seguindo o caminho das águas do Rio, a sabedoria divina é observada na natureza. Emerge da terra macia e fértil uma deslumbrante floresta urbana. Depois de emitidos os relatórios pelos anjos consultores de Deus, visando garantir a comunhão entre a natureza e a cultura dos seres humanos, conclui-se a Floresta que se denominou Floresta da Tijuca. Não obedecendo à ordem existente, o homem, nela, cultivou o plantio do café. A cafeicultura se espalhou rapidamente por grande parte do Maciço da Tijuca, ocasionando forte desmatamento, o que levou os barões e os senhores do café, os nobres e a crescente população da capital do Império a sentirem a ira de Deus.

Como resposta, atribui aos homens consequências desastrosas como as severas secas que atingiram o Rio de Janeiro, criando um problema periódico de falta d’água para a cidade carioca. Como se não bastasse, o governo imperial foi responsabilizado por um programa emergencial de preservação dos mananciais e do replantio das árvores da Floresta da Tijuca, seguido das desapropriações das fazendas cafeeiras da região.

Em contrapartida, o governo propôs o cultivo de um jardim, com o intuito de estimular a aclimatação e a cultura de especiarias exóticas vindas das Índias Orientais. A fluida terra desse jardim, nomeado, inicialmente, de Real Horto, Real Jardim Botânico e, finalmente, de Jardim Botânico do Rio de Janeiro, semeou-se de novas opções de plantio.

Nele, a mão de obra chinesa foi utilizada para testar a receptividade do solo carioca ao cultivo do chá. Contudo, diante da experiência marcada pelo insucesso, os chineses foram aproveitados para abrir uma via carroçável. Nesta obra, teriam feito seu acampamento onde hoje está localizada a Vista Chinesa, dando origem desta maneira a um dos mais belos mirantes da cidade do Rio.

Modernismo Carioca
São Clemente e São Sebastião, após se reunirem com os anjos fiscais das obras divinas, chegam à conclusão que devem, mesmo sabendo da conformação geográfica da cidade (constituída de elevações, lagoas e pântanos), encaminhar, para a aprovação do Conselho Deliberativo da Criação Divina, o programa urbanístico do engenheiro e prefeito Pereira Passos, que visa transformar a antiga cidade imperial em uma metrópole cosmopolita.

Sob esta ação, inicia-se no centro carioca uma grande intervenção. Em pouco tempo as picaretas do progresso abrem à cidade as vias da modernidade. Construção de grandes e largas avenidas, de praças e jardins; revitalização do cais do porto e arborização da Avenida Beira-Mar.

Entre planos estratégicos, riscos e traços, o Rio civiliza-se e é "rebatizado" de Cidade Maravilhosa. Conta-se, inclusive, que nessa época, Deus para proteger os seres aterrados, nomeou São Jorge como General da Guanabara. E salve Jorge!

Os princípios do projetar moderno, contudo, somente são aplicados nas décadas
seguintes pelo estudo urbanístico do arquiteto Alfred Agache e dos projetos do
arquiteto-paisagista Roberto Burle Marx que, entre outros, assina o projeto paisagístico do Parque do Flamengo.

Nesse contexto de grandes transformações, os belos cenários urbanos projetados e ordenados pelos novos meios técnicos do homem conjugam harmoniosamente as paisagens do Rio, possibilitando uma gestão cultural à altura do que a cidade única idealizada por Deus merece.

Música: a paisagem do Rio
A música é um dom divino. O som está por toda parte. É pura ilusão achar que a
natureza é silenciosa.
A paisagem do Rio de janeiro situa-se no horizonte musical do carioca Villa-Lobos, que incorporou o folclore brasileiro às seduções urbanas do Rio de Janeiro; e no repertório original da pianista Chiquinha Gonzaga, autora da primeira marcha carnavalesca "Ô Abre-Alas".

Sobre as formas populares situa-se nos "chorões" das composições de Pixinguinha e nos aspectos mais descontraídos como o samba e todas as músicas de inspiração rítmica, que descem dos morros e interagem com a cidade. A Bossa Nova, o mais carioca dos estilos musicais, é o Rio que inspira "no doce balanço a caminho do mar". É a paisagem musical que canta a paixão do carioca pelo Rio, a benção divina que, de braços abertos, ilumina a vida, a diversidade de cores e de sabores, de flertes e de olhares, e de muitos amores.
A Bossa Nova gira em 78 rotações e redescobre o Rio de Janeiro. Universaliza,
revoluciona, rompe fronteiras e leva a música do Brasil aos quatro cantos do mundo.

Rio Cidade!
Muito antes, o divino criador já anunciava: é preciso ter fé e redenção.
Cuidados com a cidade para sua preservação... Mais de 400 anos se passaram e a cidade única planejada por Deus é dominada pela Lei do mais forte, "que dita as normas e causa algumas imperfeições à cidade".

Não se vê mais o todo: a vida, as águas, a terra. A cidade cresce desordenadamente. O Homem autoriza, polui, e a "pobreza" chancela a construção em terras invadidas e em áreas inadequadas. As consequências são drásticas! Salve-se quem puder. Engarrafamentos, enchentes, deslizamentos, lixo, injustiças sociais e epidemias.

Esses efeitos chamam a atenção do nosso divino arquiteto, que intervém lançando um desafio para a cidade: no lugar do "progresso" e do crescimento ilimitado, hostil para a natureza do Rio, devem-se convocar todos os engenheiros, arquitetos e paisagistas e criar um grande planejamento para a reconstrução urbana da cidade. Isto porque, o Rio haverá de ser o responsável pela realização de dois grandes eventos mundiais.
Eis o meu desafio para garantir as condições de continuidade à vida nesta cidade.
Ser Carioca é...
Ser abençoado por Deus e bonito por natureza.
Ser carioca ou não, é se reconhecer na paisagem do Rio, nos seus morros, na sua
geografia humana e nos seus estados de espírito.
Ser carioca é sermos nós. São nossas manifestações, nossos costumes, nosso sotaque, nosso jeito de ser e nossa alegria de sermos lembrados e vistos em diversos pontos do mundo.
Ser carioca é manter a aliança divina, quando contemplamos a beleza de um pôr do sol.
É uma explosão de cores. São encantos mil. É ser blasé com a própria rotina, é sorrir para o surreal, confiando nos próprios instintos.
É ser patrimônio cultural e observar a cidade em 360 graus.
Contudo, ser carioca é torcer pela carioquíssima São Clemente, é ser o Rio que eu canto e exalto, o mesmo Rio que Deus protege e cuida lá do alto.

Créditos:
Carnavalesco: Fábio Ricardo
Pesquisa e texto: Marcos Roza
Idéia original: Mauro Chaves
Desenvolvimento do enredo: Fábio Ricardo e Marcos Roza
Revisão e copidesque: Márcia Rinaldi

Bibliografia consultada:
BOFF, Leonardo. Uma declaração: os Direitos da Mãe Terra. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 3 de mai. 2010, p. A11.
COLASANTI, Marina; PINHEIRO, Augusto Ivan de Freitas. Rio de Janeiro 360º. Rio de Janeiro: Priuli & Verlucca editori, 1997.
LODI, Maria Cristina Vereza. Dossiê da Candidatura do Rio de Janeiro a Patrimônio Mundial, na categoria "Paisagem Cultural" - IPHAN, dez. de 2009.
NEVES, Margarida de Souza. A Cidade e Paisagem. In: MARTINS, Carlos (org). Paisagem Carioca. Rio de Janeiro, MAM, 2000.

Ano: 2017
Título do samba enredo: "Onisuáquimalipanse" (Envergonhe-se quem pensar mal disso)
Compositores do samba enredo: Toninho Nascimento, Luiz Carlos Máximo, Anderson Paz, Gustavo Albuquerque, Camilo Jorge e Marcelo SP
Letra:

Contam… que o governante de um país
Dançava as noites tão feliz
E brincava mascarado
Do zum zum do carnaval
Bailou… como o astro-rei de um poema
Ao final da cena
Houve aclamação geral

O sol… a partir desse tal dia
Ganhou a honraria de símbolo real

Daí então o ministro do tesouro
Ergueu a peso de ouro
Um palacete e convidou
O soberano que encantou-se nos jardins
Com a beleza se mirando nas águas do chafariz
Foi assim que descobriu nessa festança
Que havia comilança em sua pátria mãe gentil

Chega ao fim tanta cobiça
Quem levou não leva mais
Majestade da justiça
Palavra de rei não volta atrás

Usando a mesma régua e o mesmo traço
Construiu-se outro palácio
De imponência sem igual
Ecoam pelos ares de Versalhes
Os acordes de um baile suntuoso e triunfal

A coroa do sol vem me coroar
Alumiou, deixa alumiar
Que hoje o rei sou eu
Brilhando com a ginga que o samba me deu

 
Ano: 2016
Título do samba enredo: Mais de mil palhaços no salão
Compositores do samba enredo: Rodrigo Índio, Alexandre Araújo, Fabio Rossi, Vinícius Nagem, Amado Osman, Armando Daltro, Rodrigo Telles e Davi Costa
Letra:


Que confusão, meu Deus do céu!
Foi travessura dos diabos
O bobo irreverente do reino fez piada
A corte encantada aplaudiu
Na feira, em cena a arte
O céu de estrelas ilumina o chão
Espalha por todas as partes
Sorrisos pela multidão
Fascina meninos de qualquer idade
Suspense! O show começou!
Montado na felicidade, surge o palhaço!
O circo chegou!

Alô, alô! Alô criançada, vai ter palhaçada
Quero ver você feliz…
Dou cambalhota, pirueta! Se chorar, faço careta
Bravo! A platéia pede bis!

Tá certo ou não tá? Eu vou gargalhar
Oh! Quanta alegria!
Divino dom do riso é carnaval
Na festa dos "reis da folia"

A cara branca, o pastelão!
Cara-pintada, voz de uma nação
Sou saltimbanco brasileiro,
Me equilibro o ano inteiro
Tem marmelada e "faz-me-rir"
Acorda! Esquece a tristeza e vem cantar
"Pelo Telefone" mandaram avisar

O palhaço o que é?É ladrão de mulher!
Mas tem samba no pé

O palhaço o que é?
É doce ilusão
Sonho de criança, pura emoção
De preto e amarelo pintou meu amor!
Hoje tem São Clemente? Tem, sim senhor!

(o palhaço o que é?)

 
Ano: 2015
Título do samba enredo: "A incrivel história do homem que só tinha medo da Matinta Perera, da tocandira e da onça pé de boi"
Compositores do samba enredo: Leozinho Nunes, Wiverson Machado, Diego Estrela, Ronni Costa, Hugo Bruno e Victor Alves
Letra:


Chega mais…
Mas vem sem medo, hoje é carnaval
Artista brasileiro genial
E nem Matinta Perera hoje, vai lhe calar
Vem bicho brabo e onça sambar
Clementiano é fiel não abandona
Vem pra folia Fernando Pamplona
De Rio Branco á rio branco aprendeu
Se encantou com esta festa popular
E quando foi julgador o desfile atrasou
Seu coração salgueirou
 

Zambi é zumbi, Chica da Silva mandou…ôôôô
Exaltando o negro pro mundo inteiro cantar
Pega no ganzê, pega no ganzá
 

Idealista, grande vencedor
Fez o desfile ganhar outra dimensão
Choveram críticas ao professor
Junto aos confetes e alegria do povão
Hoje sua herança desfila aqui
Lindo girassol começa a se abrir

É o mestre
Que segue o astro rei lá no infinito
O céu ficou ainda mais bonito
Todos querem aplaudir
 

Vem que a festa é da gente
Meu orgulho São Clemente
Ao gênio maior da avenida
Canta zona sul, feliz da vida

 
Ano: 2014
Título do samba enredo: “Favela”
Compositores do samba enredo: Ricardo Góes, Serginho Machado, Naldo, Grey, Anderson Benson, FM e Flavinho Segal
Letra:

Em busca da felicidade
Trago a esperança no olhar
Sou bisneto de imigrantes
À miscigenação eu vou brindar
Sem régua, sem esquadro
Arquiteto da ilusão
Com muita luta construí o nosso chão...
Pobre... Mas rico de emoção
Livre... Mas preso na paixão
Favela... Te emoldurei em aquarela
Linda nesta passarela

A força da fé... Sou eu
Se o bem vence o mal... Valeu
O amanhã, vou conquistar
É preciso acreditar

Gangorra da vida
De que lado está?
A fome de amor faz meu sonho sonhar
Na minha lida desço o morro pra vencer
Quero justiça pra poder viver
Devemos dar as mãos e juntos caminhar
Minha favela coisa mais bela não há

É nas vielas que nasce o mais puro samba
Se tem batucada nos guetos tem bamba
É o coração quem manda...

Eu quero mais é ser feliz
A minha estrela vai brilhar
Oh! São Clemente, eternamente
Vou te amar...

 
Ano: 2013
Título do samba enredo: "Horário Nobre"
Compositores do samba enredo: Gabriel Mansilha, Nelson Amatuzzi, Victor Alves, Floriano do Caranguejo, Beto Savana, Guguinha e Fabio Portugal
Letra:

 

Nem adianta me ligar agora
Eu estou grudado na tela
Antiga história de amor
Orgulho da gente
Ajeita a poltrona, chegou... São Clemente!
No espelho, a magia atravessa gerações
Está no ar a mística das grandes emoções
Coragem, irmãos, que viagem
Tem os dramas da vida que imita a arte
As lutas de um povo e suas bandeiras
Amores e risos por todas as partes

Dance bem, dance mal, dance sem parar
Roque quer sambar... Não é brinquedo, não
Quero ouro, muito dez, Inshalá
O Astro na imagem da televisão

Bem lembro a me seduzir
A morena sensual Gabriela
Fogosa Tieta e a doce Isaura
Branca escrava, tão bela
Em Bole-Bole quem não viu?
Dona Redonda explodiu!
Segura a peruca, Perpétua
Odete, chegou sua hora
O Brasil parou! Quem matou?
Já vai terminar do jeito que eu quis
Vilão não tem vez, final feliz

Olha quem chegou, Sinhozinho Malta
Viúva Porcina sambando igual mulata
Outros imortais também presentes
Na tela da São Clemente

 
Ano: 2012
Título do samba enredo: Uma aventura musical na Sapucaí
Compositores do samba enredo: Ricardo Góes, Grey, Serginho Machado, Marcos Antunes, FM, Guguinha, Vânia e Flavinho Segal
Letra:


Prepare o seu coração
É pura emoção
A sirene acabou de tocar (u-lá-lá)
A orquestra começou
E entoou o meu cantar
O violino anuncia
Vem viajar na magia
Do meu cabaré, com samba no pé
Vem exibir, pode aplaudir
Será que é sonho meu?
"Sucesso, aqui vou eu"

Põe a máscara pra mim
Vem comigo a hora é esta
Não sei viver sem você
És o artista, faz a nossa festa

De tudo aconteceu
Puxa! Aqui Paris é Avenida
Hoje o malandro sou eu
Vi a tristeza feliz da vida
Dei um susto o fantasma sumiu (búuu)
Sou irreverente
Se o samba empolgou, virou Carnaval
Nossa aventura musical
Noviça dançou, ao som da canção
E conquistou meu coração...

Tem Bububu no Bobobó
Sem Sassarico é o "ó"
Bumbum de fora, pernas pro ar
Bravo !!! A São Clemente vai passar

 
Ano: 2011
Título do samba enredo: O seu, o meu, o nosso Rio, abençoado por Deus e bonito por natureza
Compositores do samba enredo: Helinho 107, Claudio Filé, Armandinho do Cavaco, Nelson Amatuzzi, Fabio Portuga, Rodrigo Maia, J.J. Santos, Xandrão, Ricardo Goés, Ronaldo Soares, FM, Grey, Serginho Machado, Flavinho Segal
Letra:

E Deus fez a maravilha
Mistérios brotam deste chão
Que a natureza esculpiu
Divina emoção
O rio nasceu do sol da canção
Terra cobiçada, iluminada
Gente feliz
Menina dos olhos
Do pai criador
Que o padroeiro abençoou

Nas suas águas me banhar
Da fonte vou beber
E nesse império tropical, amanhecer

Passo a passos...civilização
O modernismo surgiu
Entre riscos e traços se rebatizou
Cidade maravilhosa!
“Minha alma canta”, de tanta emoção
A bossa embala o “tom” da canção
Preservar!
É o caminho vamos respeitar
Ter consciência é saber cuidar
Do patrimônio mundial
Rio seu pôr-do-sol é um poema
Braços abertos entra em cena
Nesse carnaval!
 

Sou carioca e São Clemente
Irreverente, minha paixão
Meu rio sua beleza inspira o mar azul
Canta zona sul!

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