Estácio de Sá

Grupo: Acesso A
Fundação: 27 02 1955
Cores: Vermelho e Branco
Presidente: Leziário Nascimento
Vice presidente: Coronel França
Carnavalesco: Chico Spinoza e Tarcísio Zanon
Interprete: Thiago Brito
Mestre de bateria: Mestre Chuvisco
Diretor de carnaval: Marcão Selva
Diretor de harmonia: Julinho Fonseca e Marcos Alexandre
Diretor de barracão: Roni Jorge
Mestre sala: Márcinho Souza
Porta bandeira: Alcione Carvalho
Rainha de bateria: Luana Bandeira
Endereco: Av. Salvador de Sá, 206/208 – Cidade Nova, Estácio, Rio – CEP 20211-260
Telefone: Cidade do Samba (Barracão no 03) – Rua Rivadávia Correa, 60, Gamboa, Rio de Janeiro - CEP 20220-290
Comissão de Frente: Carlinhos de Jesus
História

Em sua bandeira, a Estácio de Sá carrega o nome do fundador da cidade do Rio de Janeiro, mas sua história se confunde, sobretudo, com a formação das escolas de samba. A explicação é simples: "Vem de lá, vem de lá", da região da Praça Onze, a origem da vermelha-e-branca. É a Deixa Falar, considerada por pesquisadores como a primeira de todas.

É no Estácio, pertinho da Praça Onze, reduto do samba, da batucada e do candomblé, palco de personagens clássicos do mundo do samba como Tia Ciata, Donga e Sinhô, que nasceu a Deixa Falar, em 12 de agosto de 1928. Um dos seus fundadores é Ismael Silva, sambista de Niterói que se mudou ainda criança para a região do Rio Comprido na década de 20. Inicialmente, a Deixa Falar era bloco, mas logo se tornou escola de samba. A alcunha foi sugerida pelo próprio Ismael Silva, em analogia a uma escola normal que funcionava no bairro. Para ele, a Deixa Falar funcionava como um celeiro de "professores do samba". 
  
Como escola, a Deixa Falar desfilou pouco - apenas nos carnavais de 1929, 1930 e 1931. Nem chegou a participar do primeiro desfile oficial, organizado pelo jornal "Mundo Sportivo", em 1932. No entanto, foi referência para o surgimento de outras agremiações no Rio de Janeiro, inclusive no próprio morro de São Carlos, base da atual Estácio de Sá. Lá, foram fundadas outras escolas que faziam sua folia na disputa pelo título, como "Cada Ano Sae Melhor", "Vê se pode" (posteriormente "Recreio de São Carlos") e o "Paraíso das Morenas".   
    
Os laços, quase consangüíneos, falaram mais forte e, em 1955, essas escolas se uniram para formar a Unidos de São Carlos. Desde então, o efeito ioiô, aquele sobe-e-desce de grupos, pontuou a história da São Carlos, mas nem por isso deixou de fazer bonito no desfile principal. Dois exemplos são notórios e foram reeditados recentemente: "A festa do Círio de Nazaré", em 1975, e "Arte Negra na Legendária Bahia", de 1976, que revelou o talento do compositor e intérprete Dominguinhos do Estácio.   
     
Em 1983, mais uma mudança: a Unidos de São Carlos vira Estácio de Sá. Suas cores, antes azul-e-branca, voltam a referenciar a herança direta da Deixa Falar, e o "pavilhão do amor" balança novamente vermelho e branco. A troca no nome era para adequar a escola à sua comunidade, que já contava, na época, com integrantes e simpatizantes que iam além das fronteiras do Morro de São Carlos.   
     
Em sua nova fase, a Estácio, já no desfile principal, tomou características de uma escola leve, descontraída e irreverente, mas nunca emplacando uma posição de grande destaque - no máximo, o quarto lugar com a primeira versão de "O tititi do sapoti". Mas, em 1992, veio a surpresa que ninguém esperava. Quando todos davam como certo o título para a bicampeã Mocidade, o Leão corre por fora e abocanha o título, com o enredo "Paulicéia Desvairada, 70 anos de Modernismo no Brasil".  
     
Este é o único campeonato da Estácio de Sá no Grupo Especial, que, em 1997, sofreu um baque e retornou ao Grupo de Acesso A. Chegou a ir para a terceira divisão do samba, o Acesso B, em 2005. Sua retomada ascendente, que culmina neste retorno à elite do samba, reflete o espírito do torcedor estaciano, cantado em seu samba-exaltação, "Pavilhão do amor", composto por Jair Guedes, Toninho Gentil, Soneca, Jorge Magalhães e Marcelo Luiz:

Ano do enredo: 2016
Título do enredo: Salve Jorge! O guerreiro na fé
 
Ano do enredo: 2013
Título do enredo: Rildo Hora: a ópera de um menino... no toque do realejo rege seu destino!
 
Ano do enredo: 2010
Título do enredo: Deixa Falar, a Estácio é isso aí. Eu visto esse manto e vou por aí
Descrição do enredo:

- Cara, pode vir com o papo que quiser. Que estava predestinado, ou escrito nas estrelas, que Deus escreve certo por linhas tortas. Mas sei, que quando tem que ser, é. E tá amarrado.

A parada já começou com a vinda de negros e mulatos alforriados ou vindo de fazendas de café, depois que a Isabel assinou liberando geral.

Sem profissão, nem eira, nem beira, subiram o morro e montaram seus barracos. E virou o quê??? Favela!!! Essas mesmas pessoas viviam de biscates e, quando estavam de bobeira, se dedicavam as batucadas de pandeiro e violão no reduto puro da malandragem. Dava de tudo: biscateiros, cafetões, boêmios, jogadores de carteado. E claro, muita bebedeira. Vez ou outra se arranjavam com as deliciosas polacas e francesas que também davam bobeira e coisas mais por ali, nos botecos da rua Maia Lacerda lá pras bandas da Praça Onze e da Zona do Mangue, ou seja, na Pequena África. Área também de outras figurrassas, como: Tia Ciata, Donga, João da Baiana, só alguns que eu tô lembrando agora. Aí, na boa!!! Vinha malandro de toda parte do Rio pra essa zoeira: Benfica, Madureira, Providência, Gamboa, de todo lugar. Só federal pintava por ali.

Pois foi justamente essa parada que garantiu a intensa vida noturna nessa área, brotando ali o berço do mais puro samba carioca, aquele dolente, pausado e marcado pela percussão. Pô!!! Tô falando do Estácio, do morro de São Carlos, onde os botecos mais famosos eram do Compadre, do Apolo e o lendário e encantador Café Nacional. Só bamba frequentava esses lugares. Há muito tempo esse era o point da malandragem e da cultura negra. Ficavam ali, a tamborilar nas mesas. Vou falar na boa!!! Só saiu musicão da cabeça dessa galera. Com Noel Rosa e Ismael foram mais de 10 sucessos. Esse pedaço era passagem obrigatória de todos os grandes sambistas. Sair do Estácio é que era o X DO Problema. Todo mundo tinha que ir lá, se quisesse garimpar as pérolas que eram compostas nesse mundo particular e inédito. Francisco Alves e Mário Reis sempre apareciam por lá.

E essa galera fazia samba como ninguém. Não preciso dizer que toda essa vida boêmia era mal vista. De vez em quando, os caras eram esculachados pelos canas, principalmente porque os sambas eram cantados depois das rodas de candomblé. Era perseguição direta em cima deles. Mas aí, malandro que é malandro bota banca. Né não!!! E Ismael botou. Eles queriam desfilar da mesma forma que os mauricinhos dos ranchos carnavalescos da época, sem qualquer encheção de saco da polícia. Criaram a "Deixa Falar", e deu certo. Desfilaram cantando seus próprios sambas, um deles foi "Se Você Jurar". Composição que é uma joia de Ismael e Nilton Bastos, e que nada mais era o fiel retrato desses malandros que jogam o caô "Se você jurar que me tem amor, eu posso me regenerar..."

E pensa que ficou só nisso?! Essa turma foi muito mais além!!!! O Ismael queria um samba para movimentar os braços, tipo pra frente e pra trás. Como o samba carioca guardava semelhanças com o maxixe, criaram um novo tipo de batida marcada por instrumentos de percussão. Os caras piraram!!!! E pra parada ficar mais tipo cortejo, Bidê (outro fera), o mesmo que fez junto com Marçal a clássica "Agora é Cinza", criou o surdo de marcação, fazendo com que os parceiros viajassem no compasso de suas composições.

E, pra acompanhar detalhes de ritmo entre primeira e segunda do surdo, o cara criou sabe o quê??? O tamborim!!! É cara, aquela paradinha que geral se amarra. Inclusive o pessoal da Mangueira ficou bolado com os caras da Estácio. E dessa admiração acabaram virando irmãos. Cartola pediu e Silvio Caldas levou um surdo pros caras. Os dois morros eram super entrosados. Os sambistas da Estácio estavam sempre na Mangueira e vice versa. Cartola fez até um samba para homenagear o pessoal daqui: "Velho Estácio".

Daí, o povo pirou geral!!! E Ismael mais uma vez lançou moda. Como lá no Estácio eles sempre se reuniam em frente a Escola de Normalistas, o cara colocou o nome de Escola de Samba nesse movimento todo. Ele falava que ia formar mestres na arte de produzir sambas. A idéia pegou geral. Em todo lugar uma outra Escola de Samba era fundada. Só lá nas bandas do Estácio apareceram muitas: "Cada ano sai melhor, Vê se Pode, Paraíso das Morenas", e por aí vai. E mais uma vez a sacação dessa galera revolucionou. Eles entenderam que uma só voz faria mais barulho e daria mais força ao movimento. Juntaram tudo num saco só, sacudiram bem, e fundaram a Unidos de São Carlos.

Literalmente botaram o bloco na rua, nas cores azul e branco e foram para os concursos disputar. O resultado não foi dos melhores, parecia um ioiô só. Tal de sobe e desce de grupo, cara, que quase pedi uma escada rolante.

Lembro que pelo menos duas vezes fizemos bonito. Uma foi "A Festa do Círio de Nazaré", e a outra em "Arte Negra da Legendária Bahia". E foi aí que se revelou outro bamba. Dominguinhos do Estácio soltou o vozeirão (que também nem preciso bater pra vocês qual é a do cara).

Aliás, vou contar pra vocês: querem falar de música? Podem falar da gente sem modéstia, tranquilo?! Pô! Quem tem em no seu reduto caras como já falei aqui antes, ainda brota um Gonzaguinha e um Luís Melodia. Só tenho que falar pra vocês que AVida é bonita, é bonita e é bonita!!!

Mas, os caras ainda não estavam satisfeitos. Resolveram mudar tudo de novo. Agora somos a Estácio de Sá, assumindo as antigas cores da "Deixa Falar", o vermelho e branco. Mas isso tudo porque a parada cresceu tanto, que já não era mais só do morro, saca? Agora pegava a galera das comunidades vizinhas. Fomos promovidos a nome de bairro (zoação minha, galera!), e a malandragem não parou não. Saca só!!! A nossa quadra ficava também no Estácio e, depois de uma noite de muito samba e bebedeira, íamos relaxar e pedir abrigo com umas meninas, nossas vizinhas, que moravam numa vila muito Mimosa. Precisava falar mais alguma coisa, meu irmão?

Aí sim, demos alguns shows, tipo: "O Tititi do Sapoti, Chora, Chorões, O Boi dá Bode. De repente, veio o pancadão que a gente tava esperando, cara: 'Paulicéia Desvairada". Foi então que um grito contido, guardado no peito desse povo ecoou por todo o Rio!!! O morro desceu!!! Era a arte pro povo ser feliz de novo. O Leão correu por fora, e se lançou na jugular das outras, levando a caça de 70 anos como prêmio. Ganhamos o campeonato daquele ano.Depois, a parada não ficou muito maneira não. Mas, tranquilo, seguramos a onda. Somos guerreiros!!! Fizemos a Chita e ficou bacana. Além de tudo, somos os únicos que não podemos pular fora deste barco. Esqueceu que esse lance todo começou aqui??? Tá maluco?! Corre nas veias esse sangue vermelho que me faz explodir.

Legal mesmo é ter o que contar, sentir que o coração tem horas que parece que vai parar. Aí é que a adrenalina sobe e tu "Começaria tudo outra vez se preciso fosse". Só lembrar que é um Leão, é matar ou morrer!!! E Se alguém quiser matar-me de amor, que me mate no Estácio.

Pois para sempre vou vestir esse manto e sair por aí...

A Estácio é isso aí.

Chico Spinosa e Gebran Smera

Ano: 2016
Título do samba enredo: Salve Jorge! O guerreiro na fé
Compositores do samba enredo: Édson Marinho, Adilson Alves, Jorge Xavier, André Félix, JB e Salviano
Letra:


A pé eu vou
Empunhando a lança
Do Santo Guerreiro
Sou eu mais um filho de Jorge
Nesta legião herdeiro fiel
Vou seguir na missão
Na Capadócia nasceu, o menino lutou
Enfrentou desatino do imperador
O ser amado admirado
Invencível defensor

Estou vestindo com as armas de Jorge
Meus inimigos não vão me alcançar
Tu és bondade pelo mundo inteiro
Santo padroeiro igual não há

Rogar seus milagres em devoção
Fazer a criança virar um leão
Em proteção, orai ao glorioso Pai
Mesmo da lua por nós olhai
Amanheceu a alvorada anuncia
Divina alteza senhor da cavalaria
Prepare o feijão, ê baiana, põe tempero
Dá no couro, batuqueiro
Pra minha Estácio de Sá
Fazer da Avenida seu altar

Sou teu fiel seguidor, meu cavaleiro
Por dia mato um dragão, sou brasileiro
Estácio veste seu manto carregado de axé
Salve Jorge, guerreiro na fé

 
Ano: 2013
Título do samba enredo: Rildo Hora: a ópera de um menino... no toque do realejo rege seu destino!
Compositores do samba enredo: Igor Ferreira, Claudinho MS, JL Escafura, Tinga, Adriano Ganso, Tião e Fadico
Letra:


Vai meu leão do norte a poesia da coroação
Divino dom, o som do realejo a tocar
Cifrando o grande destino de um sonhador
E vai o menino mostrar seu valor
"Inté Asa Branca" partiu pra brilhar
Navega por um mar de inspiração
Aporta nessa doce ilusão
E no terreiro
Se apaixona pelo Rio de Janeiro

Lá vem o trem do samba
Saudade que não se desfaz
E traz do céu essa gente bamba
Poetas imortais

A musicalidade em sua vida fez brotar
Acordes, que nos fazem viajar
Num sonho especial
"Chorar pra que"? "Eu deixo a vida me levar"
"Os teus meninos" hoje vão te eternizar
Teu anjo negro a nos guiar
Maestro...
Venha reger o meu tesouro
Faz reluzir na avenida
A minha orquestra medalha de ouro

Tem melodia no ar, Estácio de Sá
É emoção!!
É Rildo Hora o gênio da canção
Bem no compasso do meu coração

 
Ano: 2010
Título do samba enredo: Deixa Falar, a Estácio é isso aí. Eu visto esse manto e vou por aí
Compositores do samba enredo: Gusttavo Clarão, Thiago Daniel, Da Latinha, Igor e Claudinho Vagareza
Letra:

Ê, favela!
Da batucada, do meu grande amor
Eu sou malandro e faço história
Na zona do mangue onde tudo começou
Nascia em forma de oração
Nas mesas do café, uma canção
Bambas que o berço do samba um dia embalou
Versos de Ismael, "se você jurar"
Te dou em poesia, "a dona do lugar"
Vai minha inspiração... Deixa Falar

Eu vou, "bem junto ao passo"
Bem no compasso da marcação (bis)
Eu sou do "velho Estácio"
E se morrer é de emoção

A "cada ano", "vê se pode"
Meu "paraíso" é mais feliz
Fez da arte negra romaria
Se vestiu de fantasia e criou sua raiz
Do terreiro grande, a doce voz
Que emociona a todos nós
"Teu menino desceu o São Carlos"
Brota "melodia" desse chão
"Eu vi, ai meu deus eu vi"
A minha escola levantar a multidão
E "quero a arte pro meu povo
Ser feliz de novo", meu leão

Estácio é o meu amor
E esse amor tem seu lugar (bis)
Um coração vermelho e branco
Que bate forte sem parar

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