Império da Tijuca

Grupo: Acesso A
Fundação: 08 12 1940
Cores: Verde e Branco
Presidente: Antonio Marcos Teles
Vice presidente: Paulo Tenente
Carnavalesco: Júnior Pernambuco
Interprete: Rogerinho e Daniel Silva
Mestre de bateria: Mestres Jordan , Júlio e Paulinho
Diretor de carnaval: Júnior Pernambuco e Luan Teles
Diretor de harmonia: Ailton Freitas
Diretor de barracão: Dedeio
Mestre sala: Luiz Augusto
Porta bandeira: Gleice Simpatia
Rainha de bateria: Laynara Telles
Endereco: Rua Medeiros Pássaros, 84 - Tijuca - RJ
Telefone: (21) 2580-8682
História

Fundado em 08 de dezembro de 1940, no Morro da Formiga, situado na Tijuca, Rio de Janeiro, o Grêmio Recreativo Escola de Samba Educativa Império da Tijuca foi a primeira agremiação ligada ao Carnaval a usar a palavra "Império" em seu nome. Por essa razão, inclusive, seu símbolo é uma coroa. No pavilhão, vale ressaltar, encontram-se representados ainda o fumo e o café, simbolizando as riquezas da região onde foi criada escola e que abrigou tantas chácaras.

O primeiro desfile do GRESE Império da Tijuca aconteceu em 1946, com o enredo "Aos Heróis do Monte Castelo". Já o primeiro campeonato veio apenas em 1964, com o enredo "O Esplendor do Rio de Janeiro Imperial", do carnavalesco Jorge Melodia, quando desfilava pelo então Grupo 2. A vitória deu-lhe a ascensão ao chamado Grupo 1, onde ficou, contudo, até 1969, pois, visto que não fora julgada, a agremiação foi rebaixada.

Em 1970, entretanto, a escola dá a volta por cima, e o carnavalesco Jorge Melodia, autor do enredo “Segredos e Encantos da Bahia”, contribui para mais uma conquista, mais um campeonato. Ainda com as pernas bambas, o Império da Tijuca volta a cair para o Grupo 2, no qual permaneceu até 1976, graças, em parte, à colaboração do brilhante Joãosinho Trinta. Com ele no barracão, os imperiais conquistaram o terceiro campeonato, com o inesquecível "Guerreiros das Alagoas".

Lamentavelmente, a verde-e-branca, a partir de então, viveu um difícil momento. Em 77, a escola foi rebaixada novamente para o Grupo 2 e, já no ano seguinte, sofreu novo descenso, caindo para o Grupo 2-A. Nessa trajetória cheia de revira-voltas, retornou ao Grupo 1-B, com o enredo "As três mulheres do Rio".

Nos anos 80, novas emoções à espera dos imperiais. O Império da Tijuca ascendeu ao Grupo 1-A, em 1980, com a conquista do segundo lugar, porém, o décimo primeiro lugar obtido em 81 a leva de volta ao Grupo 1-B. Incansável, com mais um segundo lugar, torna a integrar o Grupo 1-A, onde permanece até 1987. Um novo título, desta vez, demoraria um pouco mais a chegar, com o enredo "Canaã, a terra prometida Brasil", em 1991.

Com o ator e então carnavalesco Miguel Falabella, a escola conquistava, em 94, o quarto lugar naquele que passava a chamar-se o Grupo de Acesso A, com o enredo "Nelson Rodrigues, um beijo na Sapucaí". Mas Miguel teve mais sorte, entretanto, no ano seguinte, quando a agremiação ficou com o segundo lugar, conquistando, enfim, o direito de desfilar no tão desejado Grupo Especial, em 1996.

Infelizmente, a escola não conseguiu se manter na elite do carnaval carioca. Com o enredo "O Reino Unido Independente do Nordeste", ficou com a décima sétima colocação, sendo outra vez rebaixada para o Grupo de Acesso A, no qual desfilou até 2002, quando amargou nova queda para o Grupo B.

Em 2003, o Império da Tijuca ganha um novo comandante, Antônio Marcos Teles, o querido Tê, cujo primeiro ano de trabalho foi premiado com um honroso terceiro lugar no Carnaval 2004. O enredo que possibilitou o bom resultado é do carnavalesco Jack Vasconcelos, que optou por mostrar as transformações culturais provocadas pela cana de açúcar em “O Império da Tijuca é doce, mas não é mole, não!”.

Em 2005, a verde-e-branca homenageou Sargentelli, ficando com apenas a sétima colocação. Em seguida, contudo, viria a ascensão ao Grupo de Acesso A, mediante mais um campeonato. Dessa forma, Tê provava que valia a pena o investimento em novos talentos, pois abrira as portas para o jovem Sandro Gomes, o mesmo que, em 2007, faria a Sapucaí se emocionar com “O Intrépido Santo Guerreiro”.

Sandro, todavia, ficou na escola do Morro da Formiga até 2008, quando desenvolveu o enredo “Duzentos Anos da Corte Real nos Jardins da Família Imperial”. O oitavo lugar do último Carnaval balançou a diretoria, que decidiu por mudanças. Dentre elas está a aposta em Fábyo Santos, profissional experiente que, entretanto, pela primeira vez assinará um desfile sozinho. O Império da Tijuca agora anuncia “O Mundo de Barro de Mestre Vitalino”, uma reedição de 1977, mais uma história para mexer com a Avenida.

Ano do enredo: 2014
Título do enredo: “Batuk"
Descrição do enredo:


Tocar, bater, vibrar;
Batuk.

Que faz lembrar África dos nossos ancestrais
E a pureza dos cânticos à vida, onde tudo é ritmo.
N’aldeia, em volta da fogueira,
Alegria e dança; celebração!
A etnia é guerreira, tem o dom da comunicação.
Assim quiseram os deuses,
Pois minh’alma é força, é parte natureza.

Transforma o corpo em orquestra, instrumento,
Cura. Fala de Saudade. Alerta.
Baila no rito do mascarado a iniciação,
Enfeita as cabeças, espalha felicidade.
Faz kizomba, enaltece os valores da amizade.

Gira no ritual que espalha axé,
Mistura negro, branco e índio.
Canta forte, pois tem fé,
Bate palma, pois tem fé,
Reza, é sagrado, é sinal de fé.

Eleva o canto aos céus e pede,
Clama o fim das injustiças, quer ser livre.
Coroa a liberdade em forma de prece,
Ao bondoso Deus e ao divino espírito santo.

Faz-se essência da cultura popular.
Dos reis, crioulas, marujeiros e brincantes,
Rodopia, irradia alegria, espanta a tristeza.
Desce a ladeira no passo que “freve”, ferve!
Segue o cortejo da casa real, cortejo da coroa imperial.

Profano,
Embala o corpo, põe pra dançar.
O ritmo desce a ladeira, inclui,
Dita moda, conscientiza, refaz as cabeças.
Mistura, faz crítica, fala da realidade,
Faz onda que recria uma nação.

Alegria de todo um povo,
Condenado, proibido, imoral.
Mesmo assim resistiu, pôs-se a jongar,
Voltou pros salões, virou fino trato.
Enfeitou-se de flores, levantou o estandarte,
Lançou perfume e apaixonou a sociedade.
Saiu por aí, deu samba, fez escola.

Subiu o morro,
Lá do alto fez seu reinado e estendeu o manto,
Verde de esperança e branco da paz.
Coroou uma gente guerreira,suburbana, feliz,
Que hoje faz sua batucada especial.

Afinal, da África ao Brasil,
Em todo mundo,
É tempo de Batuk.

 
Ano do enredo: 2013
Título do enredo: Negra, Pérola Mulher
 
Ano do enredo: 2011
Título do enredo: “O mundo em carnaval - um olhar sobre a cultura dos povos”
Descrição do enredo:

Carnavalesco: Severo Luzardo Filho
Autores da sinopse: Severo Luzardo Filho e Julio Cesar Farias

Justificativa

Era uma vez o desejo de criar roupas diferentes. Fantasias. Fantasias únicas, cheias de histórias, encharcadas de sorrisos e abraços. Fantasias que trouxessem notícias de todo o mundo e de sua gente. Fantasias que representassem atos e datas. Que mostrassem motivações religiosas ou apenas contassem fatos históricos que tenham marcado a vida e a memória do povo.

De todas as manifestações culturais existentes pelo mundo, o Carnaval é, certamente, o evento que se realiza em quase todos os cantos do planeta com maior divulgação e participação popular. Festividade singular e multifacetada onde esses trajes ganham vida, impregnados da cultura de quem faz, participa, assiste e se diverte.

Não apenas pelas características da festa, dentre as quais a alegria e a beleza são as mais constantes, que o Carnaval faz parte dos calendários de tantos, tão diferenciados e mais distantes povos. Também é, porque funciona como uma necessária “válvula de escape” da vida cotidiana, em que as pessoas procuram esquecer, nesses poucos dias, a dura realidade para entrar num mundo de sonho e fantasia, onde as brincadeiras, as danças, os cortejos e diversas outras manifestações momescas são permitidas e apreciadas, sendo, então, a ordem reinante.
Era uma vez o desejo de construir uma história em permanente transformação, embalada por muita folia e festança. Uma história que carregasse a alegria de brincar dos festejos populares e a riqueza cultural de muitos povos.

Muitas surpresas e expressividades autênticas apareceram ao longo dessa busca. Muitas roupas, fantasias, muitas músicas, muitas danças...

Percebemos, ao longo desse caminho, que a valorização da cultura e da identidade de cada povo é o fator predominante que torna possível a reunião de modos tão diversificados de comemoração e de realização do Carnaval. Podemos, portanto, afirmar que, através deste festejo mundial, as sociedades conseguem mostrar a sua cara, a sua essência, os seus traços culturais, históricos, sociais e, sobretudo, artísticos.

Ao olhar o caminho trilhado pelos diferentes carnavais, notamos o cuidado de mãos curiosas ao confeccionar cada peça, cada detalhe, cada modelagem, cada fantasia. Notamos também a existência de intensa pesquisa que permeia o processo de criação de gestos e ritmos, de forma personalíssima e encantadora.

O giro maravilhoso, alegre e envolvente de nossa coroa imperial dará o tom deste carnaval numa viagem pelas manifestações artísticas carnavalescas, mostrando que no mundo todo tem Carnaval e o Carnaval do mundo todo estará representado alegoricamente neste nosso carnaval, reverenciando a diversidade da cultura dos povos com a qual a Império da Tijuca se vestirá em 2011 para encantar a Sapucaí. 

1º SETOR: 'O combate entre o carnaval e a quaresma'

De forma bastante rudimentar, na Idade Média europeia, as pessoas já se divertiam pelas ruas no período carnavalesco, incentivadas a partir da instituição indireta do Carnaval pela Igreja Católica, a qual determinou à população a proibição dos prazeres mundanos durante quarenta dias, a quaresma, em referência aos dias de penitência de Cristo no deserto, para dedicarem-se somente à reflexão espiritual.

Antes de iniciar essa difícil abstinência aos deleites proporcionados ao corpo, o povo começou a realizar festas em que imperavam a comilança, a bebedeira, as cantorias e outros divertimentos considerados pecaminosos. Mãos em movimento, partilhando, dividindo e criando coletivamente o brincar carnavalesco.

Os jovens, reunidos, formavam as Sociedades Alegres, saindo às ruas para festejar o Carnaval medieval com espirituosas brincadeiras, conhecidas como Charivaris. Uma dessas brincadeiras satíricas tinha como alvo de zombaria os casais com características díspares gritantes e as tristonhas viúvas.

Alegria do povo em desconstruir e transgredir a realidade social. Folia de brincar em uma imensidão de descobertas, desfiando e tecendo sonhos e desejos secretos e coletivos para serem partilhados publicamente.

Um dos mitos mais conhecidos desse período histórico está na crença da existência de um lugar de excessos onde era sempre Carnaval, o País da Cocanha, terra imaginária na qual seus habitantes tinham fartura de comida e bebida além da tão desejada eterna juventude.

Até hoje esse imaginário de desregramento e abundância dos prazeres está presente nas celebrações carnavalescas de diversas cidades no mundo inteiro. Este lugar fantasioso e a imagem alegórica do Combate da Dona Quaresma contra o Senhor Carnaval, que mostram bem o imaginário carnavalesco medieval, foram registrados, para nossa sorte, na célebre pintura de Pieter Bruegel.

A ideia de aproveitar a vida no período carnavalesco era tanta que a nobreza, para poder participar dos festejos, passou a se disfarçar usando máscaras para se misturar ao povo, num ambiente que afaga, instiga e convida ao aguçamento dos sentidos, da convivência pacífica e de permissão à alegria de viver.

Desde então, a cidade de Veneza, na Itália, ganhou fama e tornou-se um dos carnavais mais procurados por turistas, que ficam fascinados com a tradição e o romantismo peculiar do local, com foliões usando trajes de séculos passados, adornados por lindíssimas e variadas máscaras confeccionadas por artistas vienenses.

Com o propósito de organizar uma diversão diferente, composta por carroças enfeitadas de flores transitando pela rua principal e por passeatas de cidadãos mascarados, foi criado no século dezoito por burgueses locais, o também famoso e emblemático Carnaval da cidade Viareggio. Com o tempo, os carros alegóricos articulados, feitos de papel-machê retratando caricaturalmente políticos e outras personalidades, foram ganhando espaço e hoje são apreciados como obra de arte carnavalesca da cultura italiana.

Assim, o convívio prazeroso próprio do Carnaval imprime, em qualquer época, ao acervo de fantasiados e de alegorias um caráter único que o faz pertencer a muitos e a cada um, sem perder o caráter artístico que traduz a cultura de cada povo.
 
2º SETOR: Carnavais de inverno

Também remontam de tradições seculares, carnavais de algumas cidades de clima frio. Nesses lugares, a roupa que antes somente protegia e aquecia a pele dos habitantes passa a ter a função, nesses dias, de inserir os indivíduos no contexto do divertimento coletivo, já que o frio contribui para o uso de fantasias, numa espécie de conexão social ritualizada.

Na Alemanha, acontece um dos carnavais mais antigos do mundo, na cidade de Colônia, fundada pelos romanos e situada às margens do rio Reno. A festa carnavalesca, que começa tradicionalmente às onze horas e onze minutos, é regada a muita cerveja e música e conta com milhares de foliões fantasiados de todas as idades.

Durante os cortejos, costumam ser atirados ao público, que carrega sacolas para guardar os presentes ofertados, muitos doces, flores e quinquilharias para todos os gostos. Além dos bailes à fantasia, um dia é reservado às brincadeiras das mulheres, que cortam as gravatas de seus maridos e colegas de trabalho, marcando a simbólica tomada do poder feminino.

Várias cidades pelo mundo conseguem mobilizar seus moradores para a construção da festa carnavalesca. Em Binche, um pequeno vilarejo da Bélgica, o Carnaval se instala por sete semanas, por causa dos eventos relacionados que antecedem os dias principais da folia. Com uma tradição do século quatorze, o divertimento dos habitantes está em apresentações musicais e danças típicas e, como ponto alto, a marcha dos palhaços Gilles pelas ruas da cidade, vestidos com roupas de cores vibrantes, usando máscaras de cera, tamancos, e carregando cestas de laranjas que são atiradas no público que os assiste.

Nessas regiões, os moradores têm o hábito de preservar suas tradições culturais, porque elas guardam sua memória, sendo também formadoras de suas identidades. Em Basileia, na Suíça, as pessoas saem às ruas estreitas durante o dia e em altas horas da noite para festejar o feriado, com bandas animando os foliões fantasiados, usando máscaras com caricaturas engraçadas, formando um belo cortejo. É comum ainda alguns grupos saírem cantando e representando pelos bares, enquanto outros brincam fazendo barulho desordenado. Nesses dias festivos, o inverno rigoroso suíço é substituído pelo calor dos brincantes que tomam a cidade com sua infinita empolgação.

Por falar em tradição, transformar gelo e neve em motivo de diversão e de congraçamento entre as pessoas é característica marcante de povos que vivem em regiões glaciais. Para comemorar o Carnaval, desde o século dezenove, a cidade de Quebec, no Canadá, realiza, durante dezessete dias, atividades desportivas e artísticas, como corrida de canoa e de trenós, exposições, shows, desfiles e concurso de esculturas. Dentre tantas atrações, neste festival, destacam-se um palácio de gelo iluminado e um gigantesco boneco de neve, construídos anualmente para encantar turistas e crianças do mundo inteiro.

Na Riviera francesa acontece um dos carnavais de inverno mais antigos e animados, com desfiles diários, batalhas de flores e de confetes, concertos e apresentações teatrais de rua. Em Nice, por três semanas, o folião se esbalda na arte de brincar o Carnaval, participando de uma série de atividades divertidas, apreciando desfiles de carros alegóricos decorados com flores perfumadas e lindas mulheres, personagens usando trajes extravagantes, marionetes, palhaços, trupes de samba e show pirotécnico que ilumina a mágica cidade banhada pelo mediterrâneo.

3º SETOR: Carnavais calientes                                      

Colonizado pelos europeus, o continente americano contém marcas da tradição de povos nativos ancestrais e de elementos que foram sendo incorporados pelos povos que hoje habitam estas regiões.

Muitos países latino-americanos fazem do período carnavalesco uma ocasião para mostrar e revitalizar sua cultura, cuja ênfase está no uso de coloração intensa, com apresentações de grupos folclóricos, bandas de música, trupes mambembes, concursos, bailes, danças típicas e desfiles de cortes que podem acontecer simultaneamente em várias partes do país, com muitas outras atrações diversas.

A predominância do colorido e de desfiles totêmicos, feitos com o uso de flores e frutas e esculturas de animais diversificados como adorno das peças mostradas nos desfiles é bastante realçada nos carnavais latinos. Em Guaranda e Ambato, no Equador, acontecem festivais de flores e frutas e aparece também a figura demoníaca em forma de fantasias.

Já na República Dominicana, a população se diverte, nesses dias, fantasiada de diabo coxo, correndo pelas ruas para assustar as pessoas com chicotes e açoites de bexigas, usando capas e ricas máscaras em forma de animais ou rostos deformados. Outra variante de brincadeira carnavalesca dominicana é o Roubo da galinha, que consiste em um personagem caricato fantasiado, com seios e traseiro abundantes, que passa pelas ruas pedindo doces ou dinheiro aos comerciantes locais para seus filhotes, que são os jovens que seguem a procissão cantando quadras repetidas.

Durante os meses de Janeiro e Fevereiro, a cidade de Gualeguaychú, na vizinha Argentina, se veste de festa para brindar um dos espetáculos mais esperados da região: o carnaval. Capaz de congregar milhares de entusiastas que desfrutam do brilho, da alegria, da emoção e do ritmo das comparsas que desfilam no corso local.

Durante o percurso, os foliões experimentam e sentem o verdadeiro sentido desta majestosa festa, liberando-se das ataduras sociais e culturais que organizam a sociedade contemporânea. A cultura indígena é acentuada nessas manifestações populares e alguns grupos carnavalescos possuem nomes de antigas tribos de índios.

O destaque do Carnaval do Uruguai está na apresentação de grupos teatrais centenários chamados de murgas. Em geral, as murgas são compostas tradicionalmente por homens que se vestem com roupas inspiradas na commedia dell’arte, como o Pierrô, a Colombina e o Arlequim. Pintam o rosto com maquiagem circense que nos remete ao teatro de rua medieval e saem às ruas em coro tocando instrumentos de percussão. A temática do espetáculo cênico das murgas, que dura quarenta e cinco dias, está centrada na sátira política e nos fatos passados ou recentes da história uruguaia.

No México, muitas cidades possuem festas de Carnaval, de variados formatos, mas os maiores eventos acontecem nas cidades portuárias. Em Vera Cruz, as comemorações desta data são marcadas por queimas de fogos para espantar o mau humor, por exuberantes cortejos multicoloridos de carros alegóricos, música de base folclórica e muita tequila. Outra forma particular de brincadeira mexicana nesses dias é as pessoas jogarem e quebrarem cascarones (um ovo cheio de confetes, uns nos outros.

A figura do diabo é muito forte nos festejos carnavalescos da Bolívia. O caráter religioso do Carnaval, com a presença da luta do bem contra o mal, sincretizados respectivamente nas figuras da Virgem Maria e do demônio, é bastante comum nos países de colonização europeia devido à propagação forçada da fé cristã por parte dos colonizadores.

Na cidade de Oruro, o destaque está na cerimônia com aspectos de religiosidade, a Diablada, na qual os brincantes se fantasiam de seres do inferno para celebrar a Virgen do Socavón. O Carnaval de Oruro é o maior evento cultural periódico da Bolívia e foi declarado Patrimônio Oral e Imaterial da Humanidade em 2001 pela UNESCO. Nesses dias, ocorre um préstito com dezenas de grupos de mascarados endiablados, que se fantasiam de satanás, incas e conquistadores espanhóis. Outra característica curiosa e marcante da celebração carnavalesca boliviana são as Morenadas ou Dança dos Morenos. É uma dança do altiplano andino onde os bailarinos se disfarçam como negros mascarados com rasgos exagerados.

Nos países latinos, as roupas confeccionadas para brincar o Carnaval adquirem cores fortes e formatos exóticos, reflexo dos costumes e das manifestações folclóricas locais, nos quais naturalmente elas se baseiam, refletindo ainda o clima quente predominante dessas terras.

4º SETOR: Carnavais crioulos

As raízes culturais do continente africano foram espalhadas pelo mundo quando o branco invasor levou os negros à força de sua terra natal - e com eles, a sua arte e seus costumes - para servir de mão de obra escrava nas terras conquistadas, repletas de riquezas a serem exploradas. Mas, para alguns povos africanos, foi preciso resistir ao aniquilamento cultural em sua própria casa, principalmente através de suas referências religiosas e musicais ancestrais.

Uma região cuja influência cultural dos negros se manifesta nos festejos carnavalescos é a cidade norte-americana de Nova Orleans. Conhecido como Mardi Grass, terça-feira gorda em francês, é o maior carnaval dos EUA e surgiu quando negociantes fundaram o clube “The Mystick Krewe of Comus”, em 1857 e fizeram um desfile com monumentais carros alegóricos, tendo à frente negros com archotes.

A mistura da herança africana com outras sociedades escravistas do Novo Mundo firmou suas próprias características e denominou-se de “tradição afro-creole”. A simulação carnavalesca mais peculiar desta tradição é o ritual denominado Kwore Duga, em que foliões mascarados montados em cavalos de pau encenam danças cômicas e lascivas. Nas festas realizadas nos bairros em que predominam moradores negros, comandadas pela associação Rei Zulu, há uma mistura de ritmos, como o jazz e o blues, e os integrantes se vestem ricamente como índios.

O Carnaval de Angola nasceu e se desenvolveu com muita luta contra a repressão do poder público, o qual, como ocorreu no Brasil, com o tempo e por interesses políticos e econômicos, passou a organizar e controlar os festejos carnavalescos. Hoje os angolanos, adaptados à modernidade, conseguem preservar suas raízes, exibindo-se pelas ruas com muito semba e kuduro no pé.

Desfilam grupos fantasiados com pequenas alegorias, espécies de blocos com danças coreografadas ao som de apitos e da cantoria em coro dos participantes. Conjuntos musicais também se apresentam num ritual de recreação, usando trajes típicos de sua história, como roupas usadas por guerreiros de antigas tribos.

As tradições trazidas por imigrantes africanos também são bastante acentuadas em pequenas ilhas como Trinidad e Tobago. No período carnavalesco, o ritmo executado é o calypso, um estilo musical afro-caribenho, criado por escravos no século dezenove. Diversas bandas, nas quais sobressaem os tambores e as claves, com seus reis e rainhas, concorrem em competições musicais desfilando pelas ruas, com a participação maciça da população e dos visitantes, que costumam usar fantasias decoradas com penas e lantejoulas.

Também na ilha de Tenerife, a música afro-caribenha executada por bandas embala a multidão foliã fantasiada que invade as ruas para se divertir com a malemolência do ritmo. Em Tenerife existem outras formas de se brincar, como a cavalgada, trazendo a Corte do Carnaval anunciando o início dos festejos, concurso de automóveis antigos e, na terça-feira gorda, o curioso enterro da sardinha, que ocorre também na Espanha.

Uma grande confraternização das raças ocorre ainda nos festejos momescos da Colômbia. A música e a dança resgatam a cultura mestiça do país e os negros colombianos mostram a força das tradições trazidas por seus ancestrais escravos, vestindo roupas, adereços e artesanatos carnavalescos de cores de tons intensos.

Em Barranquilla, desfilam pessoas com trajes exóticos, carros alegóricos e grupos folclóricos dançam ao som de salsa e rumba. Em Pasto, acontece o notável Carnaval de Negros e Brancos, com grande participação popular. Formado por expressões culturais camponesas, no passar do tempo foram se agregando elementos das festividades espanholas e africanas, como os cosméticos, o talco e as carruagens contendo gigantescas esculturas construídas por artesãos locais.

As celebrações carnavalescas com características marcantes da raça negra estão espalhadas pelo mundo todo. Elas são o retrato da resistência de um povo que, por meio de suas simbólicas vestimentas, músicas e danças características, revivem, ritualisticamente, os aspectos culturais de seus antepassados. 

5º SETOR: Carnavais do Brasil

O Brasil é conhecido por ser um país mestiço, cuja miscigenação inicialmente deu-se a partir da relação entre os colonizadores e o indígena nativo. Os negros africanos escravizados que vieram depois também fazem parte das primeiras etnias que iniciaram a mistura do nosso povo, trazendo na bagagem um ritmo sincopado, utilizado principalmente nos seus rituais religiosos, que deu origem ao samba. A cultura dos cultos e dos folguedos afro-brasileiros se espalhou por todas as regiões, adaptando-se às características de cada localidade. Sem contar com as influências das tradições trazidas pelos diversos imigrantes que para aqui também vieram.

Um ritmo e dança nordestinos bastante apreciados nos dias de Carnaval é o frevo, com música de compasso acelerado e passos rápidos e acrobáticos. Os dançarinos apresentam-se com roupas leves utilizando sombrinhas coloridas, o que imprime mais graça na execução coreográfica ligeira da dança. Hoje o Carnaval de Olinda é uma das maiores e autêntica festa popular do Brasil, atraindo todo ano milhares de foliões de vários recantos do país e do Exterior.

A interação com a rica diversidade cultural do Nordeste, representada por troças, clubes, caboclinhos, maracatus e bonecos gigantes, aliada ao calor do frevo e à descontração e alegria do povo da cidade, tornam a folia olindense irresistível para um contingente cada vez maior de foliões.

Há também uma gama de manifestações carnavalescas regionais. Oriundo da zona da mata norte de Pernambuco, o Maracatu de baque solto surgiu no final do século XIX, e representa uma mistura de dança e teatro com alguns traços da cultura indígena, que traduz a saga de homens e mulheres que trabalham nos canaviais. Em Nazaré da Mata, atualmente existem 20 grupos de maracatus com seus caboclos de lança, figuras exóticas que usam chapéus de fitas coloridas, se vestem com roupas bordadas artesanalmente, com chocalhos, o rosto pintado de urucum, óculos escuros, cravo branco na boca, carregando uma lança comprida. Eles se apresentam caminhando nos três dias de Carnaval no Maracatu de Orquestra, pelo interior de algumas cidades nordestinas.

Um dos mais tradicionais personagens do carnaval de rua mantém viva a cultura popular nesta época do ano. São os Clóvis, ou bate-bolas, foliões que saem fantasiados em grupos e adoram assustar a criançada. Atenção, vizinhança! Os Clóvis estão na rua! Há décadas estes personagens mascarados e multicoloridos brincam o carnaval nas ruas da periferia do Rio. No século XIX, o Clóvis era interpretado por pessoas que se vestiam com macacões coloridos e usavam máscaras.

Além de assustar crianças e até adultos, o bloco de Clóvis resiste, principalmente nos subúrbios, como digno representante do carnaval de rua carioca. Como qualquer festa carnavalesca, a dos Clóvis é uma celebração da liberdade, da alegria. As roupas e adereços são os instrumentos dessa competição. Nos momentos que antecedem a saída à rua, os integrantes de todas as turmas gritam que têm a roupa "mais bonita! a mais bonita!".

Essa multiplicidade racial e o tamanho continental do país fizeram com que o Carnaval brasileiro ganhasse uma variedade de formas. A mais comum, existente em quase todos os estados com o termo genérico de Carnaval de Rua, são os blocos e os cordões, formados essencialmente por um conjunto de percussão e uma porta-estandarte carregando o símbolo e o nome do grupo. Os blocos e cordões, em geral, executam as tradicionais marchinhas e costumam arrastar uma animada multidão, fantasiada ou não, por onde passam.

Outro simpático grupo de mascarados típicos são os Papangus, que desfilam pelas ruas da cidade agreste pernambucana de Bezerros, em blocos animados por orquestras de frevo. Fantasiam-se com longas e estampadas túnicas e escondem o rosto todo com máscaras de papel-machê. A brincadeira está em o folião se manter no anonimato, para se divertir à vontade sem ser identificado, por isso procuram confeccionar suas roupas em sigilo para não serem desmascarados antes da festa.

Os brincantes costumam comer angu, geralmente oferecido pelos moradores locais, durante visitas dos grupos que caem na folia. O Carnaval de Bezerros, intitulado “Folia do Papangu”, revela toda a cor, criatividade, beleza e magia de uma festa que tem o poder de reunir num só lugar raças e crenças diversas.

Com efeito, o Carnaval mais famoso do Brasil é o do Rio de Janeiro, marcado pelos desfiles das escolas de samba, agremiações carnavalescas que constituem o berço do samba. Os grandiosos desfiles, compostos por grandes alegorias e figurantes fantasiados a partir de um enredo, são bastante apreciados e transmitidos para o mundo todo.

Embora o Carnaval seja multifacetado e complexo, em qualquer manifestação carnavalesca, a fantasia celebra o prazer de sermos outros num período determinado, numa deliciosa desconstrução social democratizante, onde todos podem ser o que quiserem, assumindo ou trocando de papel. É uma festa popular agregadora, de adesão, em que todos são protagonistas e todas as classes participam em comunhão numa torrente de alegria, formando agrupamentos humanos em busca de prazer e diversão.

Os festejos carnavalescos sofrem mutações e se ramificam, adaptando-se à cultura e às tradições de cada povo. Nesses dias, o ridículo é permitido e o sorriso, obrigatório. A comicidade, o bom humor e a ironia são preponderantes. O Carnaval é um meio de expressão, no qual a louvação a deuses pagãos é possível e o povo mostra sua face, suas origens, formando um caldeirão cultural de criatividade, num impressionante caos organizado.

No Carnaval, soltamos o grito preso na garganta, tecemos fios de histórias, trançamos idiomas, costuramos memórias e construímos fantasias impregnadas de poesias e saberes populares. Danças, festejos, roupas e sorrisos conduzem esse olhar sobre a cultura dos povos, onde sentimos o Mundo em Carnaval com o coração, alcançando os quatro cantos ao sabor dos quatro ventos.

 
Ano do enredo: 2010
Título do enredo: Suprema Jinga - Senhora do trono Brazngola
Descrição do enredo:

SUPREMA JINGA - SENHORA DO TRONO BRAZNGOLA
Carnavalesco: Jack Vasconcelos

Mutu kene ukwenze, kene mutu
(Pessoa sem vigor, não é pessoa)

Muito se fala sobre mim.
Como e o que fui, sou e sempre serei.
Verdades ou mentiras,
De certo e com límpida exatidão,
Nunca saberás.
Chamo-me Jinga,
Mas também posso ser Ginga, Singa, Nzinga, Nzingha, Nxingha, Zhinga...
Quando nasci, em Cabassa, na Matamba,
Kimbandas feiticeiros evocaram os espíritos.
Ngangas, Tatás, profetizaram minha sorte:
Meu caminho seria banhado em vermelho.
A terra, invadida por estranhos.
Tempos negros, da cor de minha pele,
Que perdurariam por muito.
Em minhas veias corre sangue dos Jagas.
Guerreiros, resistentes, metalúrgicos, mágicos, canibais.
Qualidades herdadas de meu pai,
O Ngola Kiluanji kya Samba,
Ngola, o titulo nobre que dará nome ao país: Angola;
O Rei Kiluanji, Rei dos Mbundos, do Reino Ndongo.
Firmamentos de minha Casa Real,
Linhagem ancestral.
O lançar dos portugueses em solo Africano
Em busca de ouro, prata, pedrarias e marfim,
Confirmara o aviso dos deuses.
O império lusitano avançou a conquistar à força
Outros tipos de mercadorias.
Peças de Ébano, meu povo.
Capturar em “guerras justas”
E escravizar em outras terras.
Penetrar o interior, colonizar, catequizar, dominar.
Muitos outros reinos já haviam caído, se dobrado.
Quando já nos éramos acuados,
Fui enviada por meu irmão Ngola Mbandi,
Sucessor de meu pai, a ter com o governador português.
Negociaria a paz entre as partes.
Assim o fiz com toda pompa e circunstância.
A princesa de Matamba é astuta, ardilosa, engenhosa.
O sangue frio da política também possuo.
Minha fabulosa embaixada adentrou Luanda,
Um séquito faustoso jamais visto naquelas paragens,
Para espanto e admiração daquela gente pálida.
Honras de realeza foram-me rendidas, merecidas.
Ao ser recebida, faltava-me um assento condigno à minha posição.
Armadilha infantil... Não me fiz de rogada.
Acomodei-me confortavelmente no lombo de uma escrava,
Que me serviu de trono durante toda a audiência,
De onde exibi trejeitos e polimentos europeus.
Deixei-a de presente como extraordinária mobília.
Fizemos negócios, isentei meu reino dos tributos.
Não era dominada, e sim, parceira.
Selei a paz.
Batizei-me em milagrosa conversão.
Minha graça, Ana de Souza, católica.
Mandei buscar a luz de Deus para meu Reino.
Frades italianos ensinaram-me a ler e escrever.
Jogando com as armas do inimigo,
Diplomata e maliciosa,
Fiz aliados os adversários.
Como predadora que sou,
Chegara a hora de alçar o bote silenciosamente alimentado,
Rumo em direção ao que é meu.
Minha coroa, minha Dilenga, meu destino.
Auetu! Assim seja!
Mbambu, veneno, fez justiça afastando meu irmão do trono.
Já estava escrito que assim seria, era o certo.
Tornei-me Rainha, Soberana do Ndongo
Absoluta, respeitada.
Rebelei-me contra o poder branco.
Renunciei ao Espírito Santo.
Afiei meu machado nas pedras de Matamba,
Empunhei meu arco e minha flecha,
Recobri-me de peles e dentes,
Vesti-me como varão,
Governei com mãos de ferro.
Eu era o Rei, e assim exigia o tratamento.
Meus conselheiros e tribunais atendiam aos meus interesses.
Meu exército saqueou, pilhou, escravizou.
Meu luxo precisava ser ostentado,
Tecidos, jóias, fumo, vinho, jogatina.
Violenta, voluptuosa, lasciva, possessiva, ciumenta,
Meu harém era farto em juventude e apetite.
Mantive os machos paramentados como formosas fêmeas
Para servir as vontades de seu Rei como se deve.
Dancei, cantei e bebi do sacrifício de viventes
Para fortalecer minhas vitórias nas batalhas.
Beijavam o chão em que eu passava.
Venerada, admirada, temida.
A Rainha Guerreira, a quilombola de Angola.
Reuni legiões, tribos, povos,
Congo, Kassange, Dembos, Kissama.
Unifiquei lideranças para fortalecer a luta,
O reconhecimento legítimo da terra.
Sukula mbutu Ngola ni Kongo!
Avante nação Angola e Congo!
Fiz aliança com holandeses,
Engenhei estratégias militares de ataque e defesa,
Instaurei os Quilombos como fortalezas de resistência,
Mas fui traída em batalha pela minha própria carne, Jagas.
Fui vencida em Massangano pelos portugueses.
Mas não me dobrei, jamais.
O povo adorava-me, idolatrada e orgulhosa.
Tornei-me heroína, símbolo de uma raça.
Aprenderam a não se render, a lutar.
Atravessei o mar nos porões dos navios negreiros,
Na mente e nos sonhos de minha gente,
Trazidos como escravos para as lavouras e plantações do Brasil.
Corri gira, canaviais, cafezais e minas.
Meus súditos cultivaram-me junto à sua lida.
Continuaram a me coroar em sua fadada luta pela sobrevivência.
Bantos, Iorubas, brancos, caboclos, mestiços.
Sincretizando e miscigenando nessas terras férteis,
Encontro meu trono definitivo.
Meu reinado está presente nos Reisados.
Meus irmãos do Congo santificam-me
Nossa Senhora do Rosário dos Pretos e da Boa Morte em suas Congadas,
Onde sou coroada junto ao Rei do Congo.
Sou a Rainha das Nações dos Maracatus.
Meu cortejo reverencia os antepassados pelo sereno das ruas.
À meia-noite encontro os desencarnados sob a proteção da Calunga.
Sou a senhora das almas, entidade.
Sou dona do fogo, da magia, do relâmpago.
O desejo incontido, a paixão, a conquista, o arrebatamento, a guerra.
Sou a ventania, o poder da tempestade, a energia dos raios.
Sou a Senhora de Matamba, da espada de ouro.
Rainha do Congá. Eparrei Oiá!
Muito se fala sobre mim.
Como e o que fui, sou e sempre serei.
Verdades ou mentiras,
De certo e com límpida exatidão,
Nunca saberás.

G.R.E.S.E. IMPÉRIO DA TIJUCA
Fundada em 08 de Dezembro de 1940.
Presidente: Antônio Marcos Teles (Tê)
Vice-Presidente: Guaracy Delgado
Diretor de Carnaval: Luciano Nascimento (Bola)
Diretor de Harmonia: André Marins
Carnavalesco: Jack Vasconcelos

 


BIBLIOGRAFIA CONSULTADA:

CARDONEGA, António Oliveira. HISTÓRIA GERAL DAS GUERRAS ANGOLANAS – Tomos I, II, III. Biblioteca Geral das Colónias, 1942.

CASCUDO, Luis da Câmara. MADE IN ÁFRICA. Editora Civilização Brasileira, 1965.

CAVAZZI, Pe. João Antonio (de Montecúccolo). DESCRIÇÃO HISTÓRICA DOS TRÊS REINOS CONGO, MATAMBA E ANGOLA (1687). Edição da Junta de Investigações do Ultramar, 1965.

LOPES, Nei. KIBÁTU – O LIVRO DO SABER E DO ESPÍRITO NEGRO-AFRICANOS. Senac Rio,2007.

MIRANDA, Ricardo. GINGA, A RAINHA DE ANGOLA. Oficina do Livro, 2008.

MUSSA, Alberto. O TRONO DA RAINHA JINGA. Editora Record, 2007.

PARREIRA, Adriano. ECONOMIA E SOCIEDADE EM ANGOLA NA ÉPOCA DA RAINHA JINGA SÉCULO XVII. Editorial Estampa, 1997.

RAMOS, Arthur. A ACULTURAÇÃO NEGRA NO BRASIL - Brasiliana, Biblioteca Pedagógica Brasileira. Editora Nacional, 1942.

SOUZA, Marina de Mello. REIS NEGROS NO BRASIL ESCRAVISTA - HISTÓRIA DA FESTA DE COROAÇÃO DE REI CONGO. Humanitas, UFMG, 2002.

Ano: 2014
Título do samba enredo: “Batuk"
Compositores do samba enredo: Marcio André – Vaguinho - Marcão Meu Rei - Alexandre Alegria - Rono Maia e Karine Santos
Letra:


Bateu mais forte o coração
Tocou, senti a vibração
Da África, ressoou
A batucada que se espalha nesse chão
Lua clareia na aldeia, celebração
É dom de comunicação
Em cada cultura entoa rituais
Cura em devoção, magia dos sinais
É festa é Kizomba, no toque pra Zumbi
Firma o ponto na gira não deixa cair

Na ginga do corpo
Na batida do pé, axé, axé!
Eleva a alma, o canto e a dança
Unindo as raças na fé e na esperança

Ecoou
O som divino do folclore popular
Batam palmas o cortejo vai passar
É o "fervo" que desce a ladeira
O batuque levanta poeira...capoeira
Dita moda, faz inclusão
Recria uma nação... Guerreira
Batuqueiro, arrasta multidões
Nos blocos e cordões
Do jongo aos salões
Conquistou a nobreza, fez sua realeza
O primeiro império da corte do samba
Meu Império celeiro de bambas

Vai tremer o chão vai tremer
É nó na madeira, segura que eu quero ver
Coisa de pele batuk ancestral
Lá vem a sinfonia imperial

 
Ano: 2013
Título do samba enredo: Negra, Pérola Mulher
Compositores do samba enredo: Samir Trindade, Serginho Aguiar, Araujo, Walace Menor e Alexandre M
Letra:


Orunmilá me deu a luz que veio despertar
A criação e o dom divino para transformar
Eu sou raiz ancestral, herdeira
Yamhi, eleyé, guerreira
Matizei as cores de mãe áfrica
Berço, história viva em lutas nesse chão
Geledé, fiz da magia minha perfeição
Amor, paixão, sublime beleza
Dançar feliz saudar a natureza
Encanto, poder e sedução

Toca o tambor
Eu quero ver requebrar
Esse swing da cor... É ginga
Mesmo na dor não me deixei abalar
Meu sangue é raça e axé... Menina

É Odara
Louvar aos deuses em uma só voz
Oxalá derrame bençãos sobre nós
Nobreza singela, a rosa mais bela
Luz da inspiração
Negra mulher...
Mãe padroeira do Brasil tu és
O morro da formiga aos seus pés
Sob o teu manto nossa proteção
A lágrima que hoje desce do olhar é emoção
Meu Império da Tijuca vem exaltar a sua luta

Ô ô ô ô... Nessa festa vai ter zoeira
Quilombola é brasileira
Faz kizomba a noite inteira!

 
Ano: 2011
Título do samba enredo: “O mundo em carnaval - um olhar sobre a cultura dos povos”
 
Ano: 2010
Título do samba enredo: Suprema Jinga - Senhora do trono Brazngola
Compositores do samba enredo: Márcio André, Djalma Falcão, Ito Melodia, Grassano e Jota Karlos
Letra:

Quem sou eu?
Sou Jinga, tô na ginga desse samba
Quem sou eu?
Guerreira que nasceu lá em Matamba
Kimbandeiros, profetizaram minha sorte
Viram longos tempos negros
Mas me deram braço forte pra lutar
Sangue de kgola kiluanji
Uma vida de mistérios pra contar

A invasão portuguesa, deixando terra sem lei
Tomando toda riqueza, reinado sem rei (bis)
Aí então fui chamada, por meu irmão sucessor
Fui mensageira da paz e amor

Senhor, a sua luz eu aceitei
Com adversários me aliei
Meu veneno foi além das ambições
Governei como varão, quilombola de Angola
Mesmo vencida unifiquei nações
Sou orgulhoso de uma raça
História que viaja nos negreiros
Sonho de um povo, senhora dos terreiros
Venho na força do vento, queimo como fogo
Dona do maracatu, minha espada é de ouro
Sou a luz da meia noite, meu cortejo vai passar
Sou rainha do congá

Eparrei oiá ... Oiá ... Oiá
Nesse Império Brazngola (bis)
Minha verdade, quem saberá?

Notícias
 
Mais resultados para busca por: Império da Tijuca
0
SOSAMBA.COM.BR | COPYRIGHT © 2010 TODOS OS DIREITOS RESERVADOS