Mocidade Independente de Padre Miguel

Grupo: Especial
Fundação: 10 11 1955
Cores: Verde e Branco
Presidente: Wandyr Trindade
Vice presidente: Rodrigo Andrade
Carnavalesco: Alexandre Louzada e Edson Pereira
Interprete: Wander Pires
Mestre de bateria: Mestre Dudu
Diretor de carnaval: Marquinho Marino
Diretor de harmonia: João Vieira
Diretor de barracão: José Roberto
Mestre sala: Diogo Jesus
Porta bandeira: Cristiane Caldas
Rainha de bateria: Carmen Mouro
Endereco: Av. Brasil, 31.146 – Realengo – Rio de Janeiro, RJ – CEP 21725-001
Telefone: (21) 3332-5823
Comissão de Frente: Jorge Texeira e Saulo Finelon
Telefone: Barracão 10 - Cidade do Samba - Rua Rivadávia Correa, 60 - Gamboa - (20.220-290)
História

Foi fundada por Sílvio Trindade, Renato da Silva, Djalma Rosa, Olímpio Bonifácio (Bronquinha), Garibaldi F. Lima, Felipe de Souza (Pavão), Altamiro Menezes (Cambalhota) e Alfredo Briggs. Sua primeira bandeira da escola foi oferecida por Gilda Faria Lima, sendo a primeira rainha da escola Neuza de Oliveira.

Em 1955, o time de futebol Independente Futebol Clube transformara-se em bloco, participando de um concurso de blocos em Padre Miguel, promovido pelo falecido político Waldemar Vianna de Carvalho. Como houve um empate entre esta e o Unidos de Padre Miguel, Waldemar resolveu as coisas de modo diplomático, considerando a Mocidade uma escola de samba e dando-lhe o primeiro lugar na categoria, premiando assim o Unidos de Padre Miguel como melhor bloco.

Em 1956, apresentou o enredo "Castro Alves", novamente num desfile local. Em 1957, participou pela primeira vez do desfile oficial no Rio de Janeiro, com o enredo "O Baile das Rosas", quando tirou um 5° lugar. No ano de 1958, foi campeã do segundo grupo com o enredo "Apoteose ao Samba". De 1959 em diante passou a integrar o grupo principal e não desceu mais.

Em 1958, a bateria, sob a batuta de Mestre André, deu pela primeira vez a célebre "paradinha" em frente à comissão julgadora, mantendo o ritmo para que a escola continuasse evoluindo. O povo passaria, mais tarde, a acompanhar tal "bossa" com o grito de "Olé". Durante este período, a Mocidade era conhecida como "uma bateria que carregava a escola nas costas", pois a bateria era mais conhecida do que a própria escola, que só alguns anos depois teria condição de competir com as grandes da época (Portela, Império Serrano, Salgueiro e Mangueira).

No ano de 1974, com o carnavalesco Arlindo Rodrigues, apresentou o enredo "A festa do Divino", tirando um 5° lugar. Mas neste ano ela poderia ter ganhado o campeonato, se não tirasse uma nota 4 em fantasia - o que foi considerado um escândalo, na época, visto que Arlindo era conhecido e consagrado pelo bom gosto e requinte nas fantasias. A campeã Salgueiro teve apenas 4 pontos a mais que a Mocidade, ou seja, um simples 8 em fantasias daria o título à Padre Miguel, visto que no quesito de desempate, bateria, o Salgueiro tinha 9 e a Mocidade 10.

Desde então, a escola deixava de ser conhecida apenas por sua bateria, para impor-se como grande escola de samba. Em 1975, a Mocidade vence pela primeira vez as "quatro grandes", num desfile realizado em outubro durante o congresso da ASTA - American Society of Travel Agents, no Rio de Janeiro, em que as escolas do grupo principal realizaram um desfile competitivo, a Mocidade foi campeã.[2][3]

Em 1976, por ironia, a Mocidade empatou em segundo lugar, com a Mangueira, e perdeu o desempate por ter um ponto a menos na nota da tão famosa bateria nota 10. Em 1979, ainda com Arlindo Rodrigues, a Mocidade conquista o seu primeiro campeonato com "O Descobrimento do Brasil".

No ano seguinte, assumiu o carnaval Fernando Pinto, produzindo desfiles excepcionais na Mocidade e projetando-se como um dos mais criativos e inventivos carnavalescos já conhecidos.

No primeiro ano de Fernando Pinto na Mocidade, em 1980, a escola conquistou um segundo lugar com o enredo "Tropicália Maravilha". Em 1983, a Mocidade recebe o Estandarte de Ouro de melhor comunicação com o público com o enredo "Como era verde o meu Xingu". Fernando permaneceu na escola até 1988 e fez grandes carnavais na Mocidade na década de 1980: além de "Tupinicópolis", deu à escola o título de 1985, com "Ziriguidum 2001". Nesse carnaval, a Mocidade entraria na Avenida com um enredo futurista, projetando o carnaval do próximo século.

[editar] Era Renato Lage e morte de Castor de Andrade
Em 90, a Mocidade passaria ao comando de Renato Lage, que consagrou a escola em três anos: em 90, contando sua própria história ("Vira Virou, a Mocidade Chegou"); em 91, falando sobre a água ("Chuê, Chuá… As Águas Vão Rolar"); e em 96, com um enredo sobre a relação entre o homem e Deus ("Criador e Criatura").

Em 1997, a Mocidade perdeu seu patrono maior, Castor de Andrade. Dois anos depois, a escola fez um desfile primoroso, com uma merecida homenagem à Villa-Lobos, com o enredo "Villa-Lobos e a Apoteose Brasileira". O público vibrou com o desfile. Porém, neste ano, uma decepção aconteceu: a Mocidade, que sempre se concentrou ao lado dos Correios, precisou se concentrar em frente ao edifício conhecido como "Balança Mas Não Cai", perto do qual há um viaduto que frequentemente atrapalha as alegorias das escolas que ali se concentram. No caso da Mocidade, não deu outra: a escola demorou demais a por os destaques nos grandes carros alegóricos e abriu um enorme buraco entre os setores 1 e 3, logo no começo da passarela. Apesar da grande falha, certamente foi a campeã para muita gente que viu e se emocionou com aquele belíssimo desfile.

Em 2000, a Mocidade veio literalmente vestida com as cores do Brasil, apresentando o enredo "Verde, Amarelo, Azul-Anil Colorem o Brasil no Ano 2000". O belíssimo e imponente carro abre-alas, uma imensa nave espacial dos índios do futuro, deu uma amostra do que seria a escola. A Mocidade passou muito bem, mas o samba-enredo arrastado impediu que a escola decolasse e atingisse colocações melhores. Mesmo assim, ficou em um honroso quarto lugar, credenciando-se ao Desfile das Campeãs.

Após o carnaval de 2002, Renato Lage deixou a escola.

[editar] Depois da era Renato Lage
Em 2003, assumiu o carnavalesco Chico Spinoza, que levou para a avenida enredos de cunho social, como doação de órgãos e educação no trânsito. Em 2005, com a mudança da diretoria, a Mocidade contrata um carnavalesco de característica clássica, Paulo Menezes. Seu carnaval fez lembrar as formas de Arlindo Rodrigues, porém a escola terminou na 9a colocação . Em 2006, entra Mauro Quintaes, com o carnaval sobre os 50 anos da escola, porém a escola naufragou mais uma vez, inclusive a escola sendo vaiada no setor 1 terminando na 10a colocação. Em 2007 entra outro carnavalesco Alex de Souza que contou a história do artesanato terminando na pior colocação desde a era Castor de Andrade, na 11º colocação. Para 2008, a escola trocou outra vez de carnavalesco, desta vez trouxe Cid Carvalho, que com um enredo temático dos 200 anos da chegada da Família Real Portuguesa ao Brasil, consegue melhorar um pouco em relação ao carnaval passado, na 8ª colocação.

Para 2009 a escola trouxe de volta Wander Pires como sua voz oficial e Mestre Jorjão. Além disso, o carnavalesco Cláudio Cebola, que fazia parte da comissão de carnaval, foi promovido a carnavalesco oficial. O enredo, a princípio seria uma homenagem ao centenário da morte do escritor Machado de Assis, mas foi posteriormente alterado, com a inclusão também de Guimarães Rosa no tema, sendo um completo fiasco. Última escola do Grupo Especial a definir seu samba para 2009, a Mocidade enfrentou algumas polêmicas nesse processo, quando escolheu um samba com características pouco convencionais e que era preterido pela maioria da comunidade [4][5] e afastou o diretor José Luiz Azevedo,[6] e no final terminou na 11º colocação, ficando perto de descer para o Grupo A.

Para 2010, a escola trouxe de volta ,o carnavalesco Cid Carvalho, que com um enredo Do paraíso de Deus ao paraíso da loucura, cada um sabe o que procura, conseguiu melhorar em relação ao carnaval passado, na 7º colocação.

Ano do enredo: 2017
Título do enredo: As Mil e Uma Noites de uma Mocidade pra lá de Marrakesh
Descrição do enredo:

Sinopse

Todo conto é um canto de sobrevivência, de resistência, uma história de amor. Um conto pode durar uma hora, um dia ou mil e uma noites. Os fios que tecem uma narrativa encantam ao recontar histórias do coração, de reconciliação - lições que levam da vida. Todo mundo tem uma história para contar, essa é a nossa história.

E todos nós aqui, na solidão desértica da nossa amada Zona Oeste, a olhar as estrelas do céu, tão ávidos e sedentos por ver novamente, no firmamento, a nossa mais querida estrela reluzir, brilhante dentre todas as outras do universo.

O calor que banha de suor o nosso corpo e que aquece nossa região, volta e meia, nos traz à mente imagens que hora nos confundem e, em outros momentos, nos fazem delirar numa overdose de desejos. Loucuras de paixão se misturam com lembranças de bons ventos que um dia sopraram e refrescaram a nossa memória, como em um Saara imaginário que varre, ventando sem fim, tal qual uma oração, o refrão de um samba que me inspira assim..

“Nos meus devaneios,
Quero viajar...
Sou a Mocidade,
Sou Independente,
Vou a qualquer lugar...”
Em devaneios, a caravana parte.

Nela, toda a Mocidade, inebriada de fascínio na imaginação que flui, assim como a brisa que alisa o deserto, na noite que faz sonhar, busca no escuro céu uma guia - sua identidade estelar. Esse vento, que varre as dunas, vem então semear as histórias encantadas que, um dia, foram sopradas no tempo. Desprendidas das areias de tantas terras, se espalharam pelo mundo, se misturando por cá; viajaram aos quatro cantos, num vira e mexe, aqui e acolá, perto e longe, pra lá de Marrakesh, por todo o povo de Alah, como se fosse, a Arábia, um só lugar.

Em um passe de mágica, o dia se faz raiar. Ao refletir sua luz no deserto inclemente, o Sol teima em queimar a nossa cara que, porém, em um facho sorridente, deixa a caravana passar e seguir em frente, pois, para a Mocidade, não existe mais quente.

Seguindo a miragem que nos estampa o olhar, eis que surge um reino mágico - exótico e singular - que nos abre suas portas e nos convida a entrar. O que a princípio espanta os olhos sonhadores que o vislumbram, logo os encantam e os deslumbram quando se estende no horizonte o país, tal qual um tapete mágico para a Mocidade desfilar.

Yalla... Assim se descortina uma grande praça, o teatro de ilusões, o circo do povo, onde os halakis - contadores de histórias e herdeiros de Sherazade, ainda nos encantam, aumentando pontos de conhecidos contos que nos hipnotizam como serpentes ao som das flautas de seus encantadores. Os contos roubados se tornam possíveis diante do caleidoscópio que se forma por sua cultura plural e misteriosa, impregnada de tradições e heranças do passado, de povos que por ali pisaram, deixando marcas no seu viver.

Entre palácios, medinas e labirintos de mascates, a herança fenícia da arte de negociar se encontra nos saberes e sabores dos temperos coloridos que exalam, de suas tajines e do refrescante chá de hortelã, aromas de tantas influências de outros reinos que se fundem por cá, que reluzem nos adornos e nas lanternas, nas taças e nas bandejas que imitam o ouro, e nas joias que enfeitam os véus de suas mulheres, cobertas de respeito e mistérios. Tudo isso se entrelaça a uma trama que tece belos tapetes: linhas que refazem caminhos, histórias sem fim, como se, no esfregar da lâmpada dos desejos, a nossa genialidade nos fizesse voar pela mágica de Aladim.

A cada portal das cidades que transpomos é como se fôssemos guardiões da palavra-chave, um abre-te sésamo, abra-te mente, abra-te Marrocos em seu mundo de possibilidades, revelando a riqueza cultural do seu povo, o seu mais valioso tesouro. Tesouro este, feito, não somente de ricos adornos, mas também de preciosos segredos de sua gente, receitas de bem viver e de valores que muitas vezes desprezamos; lições para se aprender: no meio do deserto, um pote de água, mais do que um de ouro, pode valer.

Devemos ser firmes como o camelo e guardar forças para seguir em frente ao atravessar os Saaras da vida. Entender o sol, o mesmo que arde e queima, e ser a fonte de energia que acende o progresso, ser o vento que sopra a tempestade e a força que move o futuro. De suas areias, aparentemente estéreis, faz brotar riquezas das entranhas da terra que enriquecem este reino encantado que desperta em nós a esperteza de Ali Babá ao preservar um tesouro em suas profundezas.

Segue a caravana, em sua mágica aventura, a conduzir nossos sonhos onde o azul do límpido céu, na imensa tenda de seus berberes, encontra com o plácido anil do Atlântico, cada vaga devolve conchas à praia, um colar de contos de areia e mar. Cantos que nos seduzem, encantos de sereias como as tantas aventuras de Simbad ou de outros tantos marujos que ousaram velejar.

E nesse vai e vem, ondas de histórias, segredos guardados no mar, de mil e uma ilhas, terras e mitos que ouvimos contar. Mitos de batalhas e glórias, de perdas inglórias, de cheganças e partidas, como fora El Jadida, um dia Mazagão perdida, pela qual lutou o jovem Rei Sebastião, com espada e sangue sobre as areias e as pedras do cais, que se cobrira de mistério ao desaparecer, nas brumas do infinito oceano, para não ser visto jamais.

Entre tantos contos e encantos, tantas histórias ouvidas nessa odisseia onírica que nos leva em labirintos fantásticos, nos mostra agora os jardins do saber, Rhiads do conhecimento um dia semeado pelas mãos de uma mulher que, por trás das muralhas, estão protegidos pela fé e bênção de Alah. Residem até hoje ensinamentos, descobertas e invenções para a humanidade nas escrituras milenares, dos estudos da Terra aos mistérios dos astros; dos cálculos da matemática à alquimia; sortilégios, segredos escondidos no templo da sabedoria; magos da cura e da cirurgia; palavras que voam dos livros ao mundo e que soam familiares aos nossos ouvidos.

E assim, como as areias da ampulheta que nos alertam sobre o tempo, é chegada a hora do devaneio se dissipar desse sonho e, enfim, despertar em nossa bagagem, na mente, histórias para se lembrar... Tantas imagens, tantas miragens e tantos outros pontos aos contos acrescentar. O exótico se faz agora um velho conhecido - afinidades e semelhanças se abraçam, diversidades e diferenças se respeitam sob a linguagem universal da música na apoteose dessa aventura como um oásis de felicidade.

Viajar é muito mais que encontrar um destino, viajar realmente é reencontrar novos mundos. Fizemos do Saara uma passarela, e no reino do Marrocos, o nosso conto transformou minutos em mil e uma noites de alegria e prosperidade, ao vestirmos a fantasia, tecemos um tapete mágico onde desfilaram os sonhos da Mocidade. Se a nossa música também veio da África, nossas bandeiras, estrelas gêmeas brilharam juntas no coração de nossa gente.

E o calor?

Ah! Esse eu posso garantir que é humano e que, ao som do batuque do samba, não existe mais quente. Se você quiser, é só se unir com a gente que vamos mostrar um reino diferente, bem pra lá de Marrakesh, um lugar com um povo encantado que igual não se tem, que vale mais que um pote de ouro, é o nosso tesouro - nossa gente da Vila Vintém.

Esse papo já tá qualquer coisa... Inshalah!

Alexandre Louzada e Edson Pereira
Carnavalescos

 
Ano do enredo: 2016
Título do enredo: O Brasil de La Mancha: Sou Miguel, Padre Miguel. Sou Cervantes, sou Quixote cavaleiro, pixote brasileiro
 
Ano do enredo: 2015
Título do enredo: "Se o mundo fosse acabar, me diz o que você faria se só te restasse um dia?"
 
Ano do enredo: 2014
Título do enredo: "Pernambucópolis"
Descrição do enredo:

Pernambuco sob a ótica do genial

Manhã de carnaval de 1985.
A Mocidade Independente de Padre Miguel partiu para o espaço sideral
levando com seu samba, toda alegria, beleza e as cores do nosso carnaval.
Todo o universo enfim, festejava e se encantava com a alegria, a ousadia e a irreverência de seu criador.
E hoje, alguns “Ziriguiduns” depois, esta mesma alegria, beleza e cores estão de volta, como numa viagem no tempo e nas estrelas…
É o grande dia do Carnaval Universal!

“Quero ver no céu minha estrela brilhar…
Está em festa o espaço sideral,
Vibra o universo, é carnaval!”

- Alô, alô Planeta Terra!
Alô, alô Rio de Janeiro!
Alô, alô Mocidade Independente!
De bigu na estrela guia, estou voltando.
“Eita… saudade tá danada não me aguento, não”
Saudade da minha gente, das minhas cores.
Estou de volta à minha terra… aos meus devaneios…
“Parece que estou sonhando, com tanta felicidade…”
E quero viver intensamente cada momento dessa saudade.
Quero sair por aí, andar, correr, brincar…
Quero, mais uma vez, ser e sentir tudo aquilo que já vi e vivi um dia. E os que ainda não vi e nem vivi, deixar a emoção desse encontro me levar, me transportar e me transformar.

“Eu sou mameluco, sou de Casa Forte
Sou de Pernambuco, eu sou o Leão do Norte”

Quero ser o coração do folclore, e pulsar a cada batida dos tambores, não importando de onde eles venham, se das bandas ou das orquestras, dos salões ou dos teatros, das ruas ou do mangue, do baque solto ou do baque virado. E são essas batidas que fazem fervilhar as veias, as pernas, o corpo.

E com o corpo, quero pular, dançar, subir, descer e balançar… Ao som do baião, do frevo, do coco, do forró e do xaxado. Rodar a ciranda, de pés no chão, pés na areia.

“Mas foi na casa de lia
Numa ciranda praieira
Que eu vi minha estrela-guia
Nos olhos da cirandeira”

Nunca fui homem de um só personagem, já fui índio, onça e arara; já fui pirata, camaleão e ET. E hoje quero ser novamente livre, quero ser rei, vassalo, batuqueiro, calunga, mascarado. Quero ser cacique ou curumim. Quem sabe caipora ou babau, ou até pastora e brincante. Quero ser boneco, de vários tipos e vários tamanhos: pequeno, grande ou gigante. Do dia, da tarde, da noite ou de qualquer hora. Ou quem sabe um Mamulengo, contador de histórias, num cordel; e que saia por aí, de sombrinha nas mãos, atrás de um afoxé, com o povo num bloco, mas daqueles bem grandes, muito grandes… o maior do mundo!

“A manhã já vem surgindo,
O sol clareia a cidade com seus raios de cristal
E o Galo da madrugada, já está na rua, saudando o Carnaval.”

Quero ser as mãos de Vitalino, vida, forma e criação.
Vidas que nascem do barro, da madeira, da palha, da linha. Vidas que viram artes, artes que viram cores, cores que viram sonhos, sonhos que ganham as feiras e depois ganham o mundo. Quero riscar, tecer, rendar, trançar…
Quero pintar e bordar!!!!

Eu quero navegar…
Navegar nas águas da imaginação. Que essas águas me levem a caminhos e histórias do natural e sobrenatural, de mitos e lendas, de crenças e crendices. Vixe Maria, haja proteção!

Sou tudo isso e muito mais.
Sou o rio, sou o mar, o agreste e o sertão.
Sou o canto, sou a dança, sou o auto e o cordão. Sou o velho, sou o novo, o sagrado e o profano, a folia e o carnaval.
Sou mistério, sou a fé, sou Paixão e São João.
Acorda povo!…
Sou passado, sou futuro e do Norte sou Leão.

“Meu Deus, se eu pudesse
Fazer o que manda
O meu coração…
Voltava pra lá
Ou trazia pra cá
Todo o meu sertão”

E é hora de voltar, pelo tempo caminhar.
Mas eu quero mais samba, quero mais cores, mais alegria, mais Pernambuco!
Quero um pouco de tudo que vi e ouvi, senti e brinquei.
Vivi e vivo de sonhos, de transformar e criar. Vivo de emoções.
E todas essas emoções agora vão comigo, pois eu preciso dessa cor, dessa alegria, de uma gente e uma terra como essa.
O espaço precisa de uma Pernambuco, a minha Pernambuco.
Aliás, a minha “Pernambucópolis”

“Vejam
Quanta alegria vem aí…
…Minha cidade
Minha vida
Minha canção…”

E assim será!
Caboclinhos, boi-bumbá, frevos, afoxés, reisados e maracatus, mais uma vez farão a festa no espaço sideral.

Vibra o universo, é carnaval!
E lá vamos nós!
Borimbora!
Beijim, Beijim. Bye, Bye Brasil!

 
Ano do enredo: 2013
Título do enredo: "Eu vou de Mocidade com Samba e Rock In Rio - Por um mundo melhor"
Descrição do enredo:


Rasgando o espaço, como um cometa,
Que viaja na contramão,
Neste universo de sambas,
De estrelas “bambas”
Como rocha que rola solta ao léu,
Um coração aberto, alado,
Com asas de liberdade
Que se abrem pra Mocidade,
E se desfaz no céu,
Faço-me um “PULSAR”, “SUPER NOVA”,
A “Pop Star”, com luz que irradia,
A energia que atrai e guia
Sou o Rock and Roll, a rebeldia,
Independente de Padre Miguel.
Num “Big-Bang” musical,
Venho trazer algo de novo,
Romper barreiras, invadir a festa,
Pra contagiar o povo,
E com o poder da criação,
Como a terra assim se fez,
Imaginar... que bom seria,
“Se a vida começasse agora”,
“E o mundo fosse nosso outra vez...”
Num gesto de estender a mão,
Venho apagar preconceitos
E com ousadia, conduzir com bravura
Todos numa só direção,
 “Uma só voz, uma canção...”,
Canção de amor e respeito,
Que propõe união,
Uma doce mistura,
Fazer um “swing” bacana,
Do “Chiclete com Banana”,
Da Guitarra e do Pandeiro,
Do teclado e do Tamborim,
Do Roqueiro e do Sambista,
Num encontro maneiro,
“Pro meu samba ficar assim”.
Bebop, baticumbum
“É o Samba-Rock, meu irmão...”,
Juntos, na mesma praça,
Num sonho de carnaval,
Vem me dá tua mão,
Somos “dois em um”, que o Rio abraça,
E que nos mostra, mundo a fora,
Vem, vamos juntos com a Mocidade,
Mudar de vez a história,
E nela, escrever mais um capítulo,
No sonho que começa agora
Era uma vez...
Houve um tempo,
Que uma cortina de chumbo,
O Brasil envolvia,
Porém, um sonho verde esperança,
Também nascia,
Vislumbrando um horizonte novo,
E dele, um brado forte e direto se ouvia,
Livre e jovem, na voz de seu povo,
Foi então, que um certo homem,
Com um sonho certo,
Imaginou o Rio, um palco aberto,
A taba de todas as tribos
Unidas num festival,
A celebração da música
Da arte e da cultura
E da vida, em alto astral
E o sonho se construiu em aço
E da lama se fez brotar a flor,
Um belo lírio de paz,
Uma ideia feliz de futuro,
Um pensamento capaz,
De unir o mundo através da música,
Num pequeno planeta a se formar,
Diverso, repleto,
Daquilo que há de mais profundo,
Ou, que imaginamos sonhar,
De tudo um pouco,
Um pouco de tudo e mais,
Muito de música, muito de gente,
Diferentes, juntos, iguais,
E foram dias de felicidade,
Incandescentes,
Noites inesquecíveis,
Envolventes,
Noites de estrelas,
Que iluminaram legiões,
Preencheram mentes e corações,
Com o que há de bom de vida,
O melhor que dela flui,
Sentimento que ficou como tatuagem,
Naqueles que seguiram em frente,
A lembrar com alegria e orgulho,
E a dizer simplesmente: Eu Fui!
E assim se passaram 06 anos...
E a vida segue, o mundo roda,
Solto como uma bola,
E no templo do futebol,
É o rock que rola,
No tempo marcado, o tempo de cantar,
Levei craques da música,
A pisar o gramado,
Driblando a rivalidade,
Fiz de cada lance, um momento encantado,
E todo estádio se transformar,
Era como um anel de luz, aliança,
A se envolver e se encontrar,
Como uma linha de passe,
A sintonia,
O “que antes dividia,” “versus”,
Uniu-se em versos, numa canção,
E virou sinergia,
E o som se tornou uma só bandeira,
A balançar na melodia,
Como um show à parte,
Ou parte do show
E se propagou no agito,
De pura emoção e de alegria
A explodir o coração,
Numa imensa “hola”, como magia,
Num mesmo grito
É Maraca, Rock in Rio,
É massa!
É gol!
Uma década se passa...
E na roda do tempo,
O amanhã é incerto,
De um mundo disperso,
Sem atenção,
Eu fiz soar um sino de alerta,
O silêncio que desperta,
À conscientização,
Tempo de refletir,
Hora de pensar,
E fazer a música impedir,
O progresso que avança,
Lançar o som que alcança,
O mundo que corre,
E fazê-lo parar,
Era hora de acordar,
De usar a mente, em cena aberta,
E fazer do rock, a voz da razão,
Ecoar sons por todo o planeta,
Amplificar a canção
Em música e letra,
Como instrumento de ação,
Ser acordes do bem maior,
Acordes pela vida,
Por um futuro de paz,
E me fiz à rocha, um marco,
De um “Rock in Rio” que faz,
Cantar “por um mundo melhor”
Tempo que avança, tempo de mudança,
Mas “navegar é preciso”
E foi preciso mudar,
Jogar-me ao mar e esquecer,
Outro, de lágrimas,
Daqueles que aqui deixei ficar,
E segui os ventos,
Pra respirar outros ares,
Onde a música pode levar,
E “por mares nunca dantes navegados”
Ao contrario dos descobridores,
Eu fui o navegante inverso,
Rumo ao velho porto de além-mar,
Num mar de fados e de versos,
Pronto a me aventurar,
Seria o acaso,
Ou uma brisa boa?
Descrito por “Camões”
Ou num poema de “Pessoa”
Que fez do Tejo Lusitano,
Outro Rio por abraçar?
A resposta não tarda,
O poeta faz explicar,
“tudo vale à pena
Se a alma não é pequena”
Valeu a pena navegar,
E descobrir numa boa,
Que apesar do grande mar que nos separa,
Maior é o coração que nos une,
E a alma que nos ampara,
Na mesma língua, a voz que ecoa,
Na música, no Rock in Rio ou em Lisboa,
E a Europa jamais seria a mesma...
E assim... Eu segui meu caminho,
E o velho mundo se abriu,
E abraçou o sonho novo,
O sonho por viver,
De se entregar, se dar,
Um mundo a se entender,
Através da música sem fronteiras,
Cigana sem pátria, sem bandeiras,
Livre a percorrer estradas,
E por elas se deixar levar,
Como linhas da vida, do destino,
Portas abertas por adentrar,
E rompi a terra de sangue e areia,
Com a força implacável de um touro,
Indomável Rock, “olé” que incendeia,
O chão ibérico de rubro e ouro,
Tangendo as guitarras flamencas,
Na arena feita de aço,
Eu desbravei, conquistei passo a passo,
A terra madre, Madrid,
“España, soñada”
De Galdi, Miró e Picasso
E foram mais 10 anos...
Sim, tudo na vida passa,
Só não passa a saudade,
Da cidade-mãe que um dia deixei,
E cruzei novamente o oceano,
Como um filho a correr pro abraço,
Pra dizer feliz pro meu Rio:
Estou aqui, “Eu voltei!”,
Voltei renovado, ainda mais forte,
Tanto quanto eu sempre quis,
Fiz do meu sonho, realidade,
Da Taba, uma cidade-diversidade,
A fórmula para um mundo mais feliz,
Sou o “Rock In Rio”, rocha em fusão,
Amálgama a ligar culturas,
Em constante transformação,
A cidade eterna da alegria,
Sou a magia em forma de emoção,
Na arte viva de luz e som,
De corpo, alma e coração,
Ponto a romper a linha do horizonte
Pra levar ao mundo a minha mensagem.
Eu irei!
Seguir a minha viagem, essa história sem ponto final
Que se escreve a cada momento
Como som que hoje bate em meu peito,
Um sentimento,
Um desafio, um novo sonho, um ideal,
De ver juntos, “na Apoteose”,
Numa só voz, no carnaval,
O samba e o rock, uma overdose,
De união, paz e felicidade,
Uma insólita mistura, delírio, loucura,
Que com certeza não faz mal,
O futuro a Deus pertence,
O nosso começa agora,
A Mocidade traz o novo, de novo,
Indiferente aos velhos preconceitos,
Abre o seu coração ao povo,
Independente de ser samba ou rock,
É a arte, é a música, é o presente,
Ou melhor, um presente,
Para o mundo inteiro receber
E perceber
Como seria bom imaginar
“Que a vida começasse agora,
E a gente não parasse de amar,
De se dar, de viver...”
ÔÔÔÔÔÔÔÔ ROCK IN RIO...


Alexandre Louzada
Carnavalesco

 
Ano do enredo: 2012
Título do enredo: Por ti, Portinari: Rompendo a tela, à Realidade
Descrição do enredo:

Justificativa

Ao escolher Candido Portinari como tema, a Mocidade Independente vem celebrar um dos maiores nomes da pintura brasileira no cinquentenário de seu desaparecimento.

Através de suas mais importantes obras, mostraremos a trajetória deste artista que acima de tudo retratou em seus quadros e murais, a história, o povo e a vida dos brasileiros, através dos traços fortes e vigorosos carregados de dramaticidade e expressão.

Esta homenagem escrita em forma de poema é a maneira mais digna
encontrada para festejar este mestre que além de pintar também foi poeta e que entre outras manifestações artísticas soube tão bem ilustrar com seus desenhos os poemas de Carlos Drummond de Andrade, seu grande amigo e parceiro na versão do livro "Dom Quixote de La Mancha", de Miguel de Cervantes.

Por fim é a Mocidade Independente que se orgulha em levar para o desfile um pouco da obra imortal de Portinari ao conhecimento do grande povo, aquele que sempre foi a sua grande fonte de inspiração.

"Por Ti, Portinari, Rompendo a tela, a realidade"

Num voo mágico, viaja o samba, a conduzir meu povo feliz em seu viajante sonho.

Solto no universo garboso, prosa em verso, na fantasia a se tornar realidade, leva os tambores da felicidade, para despertar o artista na morada celestial.

Ó mestre, ergueis do sono esse quadro vazio. Sua obra vive no cantar de nossa gente.

Põe nas tuas mãos o teu instrumento, tua tela hoje é o firmamento, que a arte se deixa tingir o breu da noite, com um colorido de festa, a aquarela do carnaval.

Vai, reinventa mais um lúdico céu. Pinta por nós a nossa estrela, tu que pintaste tanto a Mocidade, deixa a tua mão deslizar Independente.

Hoje, somos as tintas que envolvem as cerdas do teu pincel, e que, na mistura das cores, por ti, Portinari, rompem a tela para a realidade e brilham no samba de Padre Miguel.

Hoje, uma moldura viva e humana enquadra a tua história na pista, e teu traço se refaz nos pés, no passo do sambista, que vai riscar murais de sonhos e estampar retratos, cena dos Brasis que tu desenhastes.

À luz da inspiração, vem fazer reluzir em nossa mente a cândida infância de tua Brodowski querida, e reflorescer os campos com suor da lida, dos mestiços viris a lavrar a ampla terra.

"Entre o cafezal e o sonho",
vem reunir retalhos e as lembranças coloridas, como as dos espantalhos a oscilar na brisa, serenos sobre as plantações.

Hoje, é um tempo que não passa. Um turbilhão, um vento que sopra, que varre e traz recordações, e que vem
devolver a ti a meninice.

 
Ano do enredo: 2011
Título do enredo: 'Parábola dos Divinos Semeadores'
Descrição do enredo:

Introdução

Com a última glaciação, o gelo e a neve cederam lentamente.

Uma estrela incandescente brilhou no horizonte primitivo e espalhando luz e calor fez a vida explodir em cores e fartura. O homem, enfim, se libertou das cavernas e festejou.

As forças da natureza foram transformadas em deuses e as respostas para o desconhecido eram encontradas pelos feiticeiros primitivos nos raios e trovões, nas águas, nas matas e nos mistérios da terra.

De caçadores coletores até se tornarem semeadores, nossos ancestrais atravessaram um longo caminho, muitas vezes marcado por pedras e espinhos.

À medida que a agricultura e a criação se estabeleceram as plantas das quais dependiam homens e animais para se alimentar tornam-se crucialmente importantes e os ciclos Da natureza passaram a ser fator dominante e foco de atenção mágica e religiosa.

O plantio e a colheita se transformaram nos grandes acontecimentos do ano e eram celebrados com festivais e ritos que pretendiam assegurar um bom resultado.

Foi através desta reverência à natureza que o homem começou a entrar no reino da utopia através das comemorações: no momento da festa se desligava das coisas ruins como o inverno e as enchentes, que concretamente, tinham ido embora e saudava o que lhe parecia um bem, como a chegada da primavera e o nascer do sol, com danças e cânticos, em torno das fogueiras, para espantar os espíritos do mal e as forças negativas que prejudicavam o plantio.

Em uma deliciosa viagem através destas festas, rituais e celebrações em louvor aos deuses da agricultura e que depois foram abraçadas e remodeladas pelo catolicismo, encontramos a origem, a raiz da frondosa árvore que é o carnaval do Rio de Janeiro.

E é no templo sagrado dos desfiles das escolas de samba que vamos relembrar em ritmo de comemoração as nossas origens agrárias e agrícolas, afinal festejar é o que fazemos melhor.

Louvadas sejam os divinos semeadores do carnaval!

Viva a folia!

Parábola dos Divinos Semeadores

A primeira semente: depois do degelo, eis que surge o caminho.

Em um tempo muito distante, grande parte das sagradas terras africanas encontravam-se sob o domínio do frio. Um império branco e gelado que matinha o homem primitivo praticamente prisioneiro das cavernas.

Certa manhã, uma estrela incadescente reluziu intensamente no horizonte; um forte clarão cortou o nevoeiro e espalhou-se pela palidez da paisagem, anunciando um deslumbrante espetáculo de luz e calor. Aos poucos, o branco do gelo e da neve foi sendo matizado pelo verde da vegetação, que surgia vigorosa. Assim, nossos ancestrais saíram da toca e festejaram.

A vida explodiu em cores e fartura. Plantas de todos os tipos, diversas espécies de frutas e animais variados passaram a dominar o cenário renovado. O poder dos raios e trovões, os mistérios das águas e da terra e os segredos das matas passaram a ser reverenciados por guias espirituais escolhidos entre os mais sábios de cada tribo. Nas celebrações, esses feiticeiros cantavam e dançavam enfeitados com folhas e máscaras em torno de fogueiras para afastar os maus espíritos e garantir as boas colheitas.

De festa em festa e de ritual em ritual, o homem evoluiu e descobriu o milagre da vida contido no interior dos grãos e sementes que se manifestavam quando estes alcançavam o solo.

Ao se tornar, então, semeador, o homem criou raiz e se fixou na terra.

A segunda semente: sobre pedras pagãs, ergueram-se templos de adoração.

As cavernas geladas, cada vez mais, faziam parte do passado e os campos, agora cultivados, sinalizavam um mundo em transformação.

Grandiosas civilizações floresceram, templos de pedra e magníficos palácios foram construídos; rituais de sacrifício e cânticos de louvor ecoaram em celebração à fertilidade da terra.

Deuses da agricultura e animais sagrados se juntaram aos deuses dos raios e trovões, das águas, da terra e das matas consolidando um poderoso panteão agrícola que atravessaria as fronteiras do tempo e do espaço nos lombos de camelos e cavalos.

No antigo Egito, tochas e incensos impregnavam de magia os grandiosos banquetes em honra à deusa Ísis, senhora da agricultura, enquanto majestosos cortejos reverenciavam o Boi Ápis.

Na Grécia, alegres festivais de músicas, danças sensuais e farta distribuição de vinho embalavam as festividades em homenagem a Dionísio, deus protetor das parreiras, e eram marcadas por uma deliciosa inversão de papéis: o miserável se vestia de rei e machos reconhecidos se fantasiavam de fêmeas.

Em Roma pagã, as festas da primavera anunciavam as Saturnálias em homenagem ao deus italiano da agricultura e, num momento de grande euforia, Saturno era saudado calorosamente pelo povo. Na ocasião, a cidade com as ruas ricamente decoradas com flores, era governada por um rei escolhido entre os pobres e, do alto de seu " carro naval", Momo, o soberano da alegria, comandava a farra que não tinha hora para acabar.

A terceira semente: a festança é sufocada pelos espinhos de uma nova religião.

Espremida entre as celebrações pagãs, surge em Roma uma nova religião.

Enquanto pregava a fraternidade, o Catolicismo logo tentou sufocar as origens dessas manifestações e, aos poucos, os festejos vão sendo modificados.

Dessa maneira, o dia dedicado às comemorações da Saturnália passou a determinar o nascimento de Jesus em um estábulo cercado por bois, ovelhas e pastores, em uma cena tipicamente agrícola.

O pão e o vinho, símbolos dos rituais e festas pagãs, foram transformados no corpo de ostensório dourado e foi colocado nas cabeças das imagens dos mártires católicos.

Subjugada pelo clero romano, a "ritualística primitiva" foi transformada em uma celebração marcada por banhos de cheiro, fantasias e desfiles alegóricos.

Ao incorporar personagens da Comédia Dell' art, o novo formato acabou por conquistar as cidades de Nice, Roma e Veneza e invadiu os salões da nobreza com seus requintados bailes de máscaras.

Nascia, assim, o "carnevalle", comemorado nos dias que antecediam a Quaresma e que, feito sementes sopradas pelo vento, espalhou-se pelos quatro cantos do mundo.

A quarta semente: "...e nesta boa terra, cresceu e produziu a cento por um".

No Brasil, essas divinas sementes encontraram solo fértil e abençoado. Lançadas aos diversos recantos do nosso torrão, rapidamente germinaram e se multiplicaram, dando frutos com características próprias.

De Norte a Sul desta nação, virou manifestação popular.

O boi que veio de tão longe, lá do Norte, também se tornou sagrado: "é boi Ápis pra lá, é bumba-meu-boi, meu boi-bumbá pra cá".

No Nordeste, a festa do deus Sol se transformou em festa de São João e a comilança não pode faltar: tem milho assado, tem arroz doce, garapa de cana, um bom cafezinho e fogueira acesa "pra" esquentar.

Tem festa da uva nos Pampas e cavalhadas no Cerrado; mas, foi aqui no Rio de Janeiro que a mais beca e formosa das sementes encontrou o seu lugar. Misturando as festas e celebrações que vieram da Europa com a magia que desembarcou com os negros africanos, criamos o nosso próprio ritual. Cantando, dançando e batucando com alegria sem igual, acrescentamos tempero à festança, reinventamos o carnaval.

Hoje, celebramos o nosso passado agrário e agrícola enquanto festejamos o nosso presente como o maior espetáculo Da Terra e, quando esse t al de futuro chegar e a folia for levada "pro" espaço sideral, estará, na verdade, voltando ao início, encontrando-se com o próprio passado e fechando um ciclo.

Afinal, vale lembrar que tudo começou com o brilho incandescente de uma estrela que derreteu a neve e fez a folia começar.

Viva o carnaval!!!

Cid Carvalho.

Organograma

Setor 1 - As Geleiras

Alegoria 2 - As Forças da Natureza

Setor 2 - A Segunda Semente: sobre pedras pagãs ergueram-se templos de adoração

Alegoria 3 - Egito

Alegoria 4 - Grécia e Roma

Setor 3 - A Terceira Semente: a festança é sufocada pelos espinhos de uma nova religião

Alegoria 5 - Igreja

Alegoria 6 - Baile de Máscaras

Setor 4 - A Quarta Semente: "... e nesta boa terra, cresceu e produziu a cento por um"

Alegoria 7 - Norte, Nordeste, Sul e Centro-Oeste

Alegoria 8 - Rio de Janeiro

Carnavalesco: Cid Carvalho

 
Ano do enredo: 2010
Título do enredo:
Descrição do enredo:

O Paraíso é a imagem primeira.

Uma imagem da fartura e da felicidade; um sagrado jardim onde Deus semeou a fecundidade numa divina evocação da vida; um abençoado recanto sem doenças, sem inverno e sem envelhecimento, transmitindo uma mensagem simbólica e alegórica de paz e harmonia.

A nostalgia deste estado de graça, arrancado em conseqüência de uma grave desobediência às leis do Criador, faz despertar no homem, desde tempos imemoriais, o desejo de encontrar o Paraíso perdido.

Na Idade Média, alimentada por uma cruel realidade de fomes, epidemias e guerras devastadoras, essa nostalgia fez do Paraíso a própria antítese daquela realidade decadente e sombria; um “novo” começo onde a pobreza e a fome acabariam diante de uma terra “sem males”.

Enquanto profetas e visionários desejavam “ver” o paraíso, cavaleiros e aventureiros se juntavam em fantásticas caravanas e partiam por terra em busca da “Fonte da Juventude Eterna e da Árvore da Vida”.

Porém, novos ventos sopravam em direção ao “Velho Continente”. O pavor que o “inferno” e a crença na proximidade do “Fim dos tempos” provocavam ia ficando para trás diante de uma Europa entusiasmada com os renovados horizontes renascentistas.

Os oceanos já não causavam tanto temor e, navegando rumo ao Oriente, poder-se-ia chegar às Índias, com seus mistérios e magia. Ainda, quem sabe, desembarcar nas fabulosas terras de Ofir, guardiãs das Minas do Rei Salomão, ou até mesmo encontrar o suntuoso Reino Africano de Preste João e, assim, localizar os “Portais do Paraíso”.

Foi navegando em direção às Índias que, em 1500, treze naus portuguesas “esbarraram” no Brasil.

Nas areias da praia, o nativo dançava em alegre ritual. Guiados pelos Xamãs, os donos da terra migraram do interior para o litoral em busca de “Yvy Mara Ey”, a “Terra dos Sem Males”, o paraíso Tupi-guarani, e que, na visão dos pajés, estaria do outro lado da imensidão das águas.

Em sua pureza e ingenuidade, o índio viu naquela gente que saía do mar verdadeiros Deuses que, finalmente, o conduziriam aos “Jardins Purificados”.

Já os navegadores, deslumbrados com a nudez e a aparente inocência dos nativos, viram neles a própria imagem do homem antes de ser expulso do Paraíso, materializando na América a visão renascentista do Éden terrestre.

Afinal, as sugestões edênicas estavam por toda parte e faziam uma mágica ligação entre o “Velho” e o “Novo” Mundo. Dessa maneira, o maracujá se transforma em pomo edênico, assim como as bananas cortadas exibiam aquele sinal à maneira de crucifixo por elas manifesto.

A Fênix é  o Guainumbi ou Guaraciaba; outros acreditavam mesmo tê-la visto na figura do beija-flor, enquanto os papagaios, para muitos, eram, na verdade, anjos castigados que ganharam a forma de pássaros.

Mas os boatos sobre cidades bordadas de ouro e pedras preciosas, as notícias de montanhas resplandecentes e lagoas douradas, comuns entre os indígenas, rapidamente levaram o invasor europeu a embrenhar-se pelos sertões desconhecidos, maculando o “Paraíso Brasil”.

E, assim, os índios dançaram e o Brasil sambou!

O que de bom encontrava-se aqui foi parar na Europa. Animais, plantas e até  mesmo “exemplares” do nosso “bom selvagem” foram “exportados”, causando enorme rebuliço do outro lado do Atlântico.

Enquanto, do lado de cá, o povo sofria com a “Derrama” – um verdadeiro “Quinto” dos infernos – no lado de lá, as farras das Cortes de Portugal e Inglaterra eram bancadas com o ouro do Brasil. O jeito era rezar uma novena para o “santo do pau oco”!

O tempo passou, mas continuamos cortando o pau, matando os bichos, vendendo as plantas, envenenando as águas, queimando os índios e mandando pra longe nossas riquezas!

Calculistas e mercenários, criamos o nosso próprio Paraíso terrestre e batizamos com o nome de “Paraíso Fiscal”. Ali, abençoados pela generosidade financeira, protegemos nossas “verdinhas” em “espécie”. Mas não se enganem pensando que se trata da flora tropical bem preservada. Neste caso, nos referimos às cédulas de dólar depositadas em contas pra lá de suspeitas.

Já os exemplares da nossa fauna contrabandeada desde sempre, agora, são enviados do “Paraíso Brasil” diretamente ao “Paraíso Fiscal”, sem taxação, estampadas nas notas do nosso Real.

No fundo, queremos mesmo é preservar as “araras” que valem “dez reais”. Defendemos, bravamente, os “micos-leões-dourados” que estão cotados a “vinte”. Brigamos como loucos pelas “onças pintadas”, ou seria por “cinquenta reais”? Tira a mão que ninguém vai “pescar” minha “garoupa” de cem reais, não! Ora, quem sabe se numa sombrinha agradável lá nas Ilhas Caymãs elas não se reproduzam rapidamente?

Diante desse “Capitalismo selvagem”, até mesmo um “pedacinho do Paraíso” é possível se comprar. Um carrão novinho também dá direito a chegar lá. E o que falar da ida ao shopping com dinheiro pra gastar? E se faltar din din, há cartões de crédito, cheque especial e crediário, todas as facilidades do mundo no “Paraíso do Consumo”!

Mas nós somos a Mocidade e, independentes, podemos ir a qualquer lugar.

Vamos fazer a nossa parte! Querer é poder, e o amor constrói. É possível descobrir o nosso próprio paraíso, afinal, ele está perto de nós, dentro de nós mesmos, em nosso interior.

Vamos jogar fora as amarguras do dia-a-dia e nos vestir com a fantasia que sempre sonhamos: milionário ou plebeu, rainha ou camelô, desempregado ou doutor, um nobre ou apenas um sonhador.

Afinal, hoje é carnaval, e se você sabe o que procura, tudo é possível no “Paraíso da Loucura”!

Está  esperando o que pra ser feliz?
 

Cid Carvalho

Ano: 2017
Título do samba enredo: As Mil e Uma Noites de uma Mocidade pra lá de Marrakesh
Compositores do samba enredo: Altay Veloso, Paulo César Feital, Zé Glória, J. Giovanni, Dadinho, Zé Paulo Sierra, Gustavo, Fábio Borges, André Baiacu e Thiago Meiners
Letra:

Fui ao deserto roncar meu tambor
Pra Alah conhecer meu Xangô
De repente, a miragem aparece
Na praça, um senhor, contando histórias de amor
Eu fui pra lá de Marrakesh
Minha Zona Oeste comovida de paixão
És minha "El Jadida", meu teatro de ilusão
Tanto assim que o meu olhar
Vê no mar de Gibraltar
Sereia, dama das areias de Iemanjá
Teu deserto, meu sertão
Teu oásis, meu rincão... "Vadeia"
Mistura alaúde com ganzá

Abre-te Sésamo que o samba ordenou
Mil e uma noites de amor
Põe Aladin no agogô, tantan nas mãos de Simbad
Meu ouvido é de mercador

Abre-te Sésamo que o samba ordenou
Mil e uma noites de amor
É o Saara de lá com o Saara de cá
Minha Mocidade chegou...

Chegou, chegou, de Padre Miguel a Candeia
A caravana de além mar retorna a nossa aldeia
Oh meu Brasil, abrace a humanidade
És a pátria mãe gentil da amizade

Brilha o Cruzeiro do Sul do Oriente de Alah
Céu de Sherazade
Vem pro Marrocos, meu bem
Vem minha Vila Vintém
Sonha Mocidade

 
Ano: 2016
Título do samba enredo: O Brasil de La Mancha: Sou Miguel, Padre Miguel. Sou Cervantes, sou Quixote cavaleiro, pixote brasileiro
Compositores do samba enredo: Jefinho Rodrigues, Wander Pires, Marquinho Índio, J. Medeiros, Domingos Pressão, Jonas Marques, Paulo Ferraz, Lauro Silva e Lero Pires
Letra:

Louco, apaixonado...
Voar, sem limites sonhar...
Desperta Cervantes do sono infinito
Que a luz da estrela vai guiar
Quixote cavaleiro delirante
Avante! Moinhos vamos vencer
Errante acerta o rumo da história
Pras manchas desse quadro remover
Pintar nessa tela a nova aquarela
E hoje enfim devolver
A honra do negro, a tal liberdade
Que sempre haveria de ter

Ainda é tempo eu vou contra o vento
Não há de faltar bravura
De Ramos à Rosa, Machado encontrei
Nos braços da literatura!

Vai na fé... Meu bom cangaceiro
"Ser tão" Conselheiro regando as veredas
Caminhando e cantando, seguindo a canção
Nas mãos uma flor pra calar os canhões

Faz clarear as tenebrosas transações
Lavando a alma da "Mocidade"
Lançando jatos de felicidade
Vencer mais um gigante nessa história surreal
Numa ofegante epidemia a qual chamamos Carnaval
Vem ser mais um guerreiro

Eu sou Miguel escudeiro
Dessa estrela que sempre vai brilhar!
Eu hei de cantar por toda vida
Minha Mocidade, escola querida
Nessa disputa...
Verás que um filho teu não foge à luta! (não)

 
Ano: 2015
Título do samba enredo: "Se o mundo fosse acabar, me diz o que você faria se só te restasse um dia?"
Compositores do samba enredo: Ricardo Mendonça, Tio Bira, Anderson Viana e Lúcio Naval
Letra:


Você, o que faria
Se o mundo fosse acabar
E só lhe restasse este dia pra viver?
Ver tudo ruir, a terra tremer!
O chão se abrindo aos seus pés
A profecia vai acontecer!
Vem... É o juízo final!
Viva... O amanhã não vem mais!
Solte... Toda alegria!
Libere a sua fantasia!
 

É de enlouquecer amor...
É contagem regressiva
Eu já tô louco, sou vintem, sou Padre Miguel!
Cada segundo vou curtindo a vida!
 

A hora é essa... Não há mais tempo a perder
Não tem limites... Diga o quê vai fazer?
Cantava, brincava, sorria?
No último dia voar
Andava pelado?
Rezava pro tempo parar?
Sem restrições morrer de amor?
Faria a tristeza sumir?
Na batida do tambor...
Roda baiana.... Cai nesta folia!
De verde e branco com a bateria!
 

Invade... Se joga... Na felicidade
Fazendo a vontade do seu coração
Hoje é o dia... Vem se "acabar"
Deixa a Mocidade te levar!

 
Ano: 2014
Título do samba enredo: "Pernambucópolis"
Compositores do samba enredo: Dudu Nobre, Jefinho Rodrigues, Marquinho Índio, Jorginho Medeiros, Gabriel Teixeira e Diego Nicolau
Letra:


Eita saudade danada
Vim das estrelas com meu ziriguidum
"Parece que estou sonhando"
Meus olhos reencontrando
Minha gente, meu lugar
É Vitalino ao som do baião
Tem batucada no meu São João
"Vixe Maria" me dê proteção
Rodei ciranda com os pés na areia
Toquei viola sob a lua cheia

Chegue venha cá forrozear
Zabumbei meu coração
Puxa o fole sanfoneiro
"Arretado" é meu sertão

Ah, meu Pernambuco ...
Sou mameluco, do Norte sou Leão
Um peregrino personagem de cordel
Levo comigo meu "padim Padre Miguel"
Eu danço frevo até o dia clarear
No colorido do folclore vem brincar
Abre a sombrinha que o "Galo" madrugou
Também tem festa em Olinda, meu amor!
Vejam quanta alegria vou levar
Viver um sonho no espaço sideral
Da pioneira, ergo a bandeira
"Pernambucópolis" meu carnaval!

Louco de paixão, sempre vou te amar
Luz da emoção no meu cantar
Independente na identidade
Com muito orgulho, "eu sou Mocidade"!

 
Ano: 2013
Título do samba enredo: "Eu vou de Mocidade com Samba e Rock In Rio - Por um mundo melhor"
Compositores do samba enredo: Jefinho Rodrigues, Jorginho Medeiros, Marquinho Indio, Domingos PS, Moleque Silveira e Gustavo Henrique
Letra:

 

Em verde e branco reluziu
Um sonho de amor e liberdade
Da lama então, a flor se abriu
Cantei a paz a igualdade
Estrelas mudam de lugar
A minha popstar chegou rasgando o céu
Num big bang musical
Faço meu Carnaval, eu sou Padre Miguel
A vida é um show, Maraca é vibração
''É o samba/rock meu irmão''

Pandeiro, guitarra, swing perfeito
Não tem preconceito, a nossa união
Meu baticumbum é diferente
Não... Não existe mais quente

Música me leva...
O meu destino é a alegria desse mar
Vou pra Lisboa, eu vou na boa
E numa só voz ecoar
Muito mais que um som pra curtir
Conquistei a arena de Madrid
Meu Rio... Voltei morrendo de saudade
Na Apotesose é nova edição, overdose de emoção

Uma onda me embala, invade a alma
No peito explode a minha paixão
Um mundo melhor... Que felicidade
No Rock in Rio eu vou de Mocidade

 
Ano: 2012
Título do samba enredo: Por ti, Portinari: Rompendo a tela, à Realidade
Compositores do samba enredo: Diego Nicolau, Gabriel Teixeira e Gustavo Soares
Letra:

Eu guardei em mim
A mais linda inspiração
Pra exaltar em tua arte
A brasilidade de sua expressão
Desperta gênio pintor
Mostra teu talento, revela o dom
Deixa a estrela guiar
Faz do firmamento, seu eterno lar
Solto no céu feito pipa a voar
Quero te ver qual menino feliz
Planta a semente do sonho em verde matiz

Emoção, me leva...
Livre pincel a deslizar
Vou navegar, desbravador
Um errante sonhador

Voar pelas asas de um anjo
Num céu de azulejos pedir proteção
Vida de um retirante
No sol escaldante que queima o sertão
Moinhos vencer... Histórias de amor
Riscar poesias em lápis de cor
Você, que do morro fez vida real
Pintou nossos lares num lindo mural
Você, retratando a alma, se fez ideal
Meu samba canta mensagens de "guerra e paz"
Seu nome será imortal em nosso Carnaval

É por ti que a Mocidade canta
Portinari, minha aquarela
Rompendo a tela, a realidade
Na voz da minha mocidade

 
Ano: 2011
Título do samba enredo: 'Parábola dos Divinos Semeadores'
Compositores do samba enredo: J. Giovanni, Zé Glória e Hugo Reis
Letra:

Uma luz no céu brilhou liberdade!
Meu coração venceu o medo
O que era gelo se tornou felicidade
É fartura se espalhando pelo chão
A natureza tem mistérios e magias
Rituais, feitiçarias, deuses a me abençoar
Guiado pela luz da estrela guia
Eu vou por onde a semente me levar

O que eu plantei, o mundo colheu
Um milagre aconteceu
A vida celebrou um ideal
E a esperança se transforma em festival

Festa de Ísis, do boi e do vinho
Até em Roma a semente foi brotar
Mudaram meu papel, Padre Miguel!!!
Hoje ninguém vai me censurar
No baile da máscara negra
Até a nobreza teve que engolir
Meu Brasil, de norte a sul sou manifestação
Aonde vou arrasto a multidão
De cada cem só não vem um
Vou voltar, um dia ao espaço sideral
E reviver o meu ziriguidum, em alto astral

Tá todo mundo aí??? Levante a mão
Quem é filho desse chão
Chegou a Mocidade fazendo a alegria do povo
Meu coração vai disparar de novo

 
Ano: 2010
Compositores do samba enredo: J. Giovanni, Zé Glória e Hugo Reis
Letra:

Eu voltei AO Éden

paraÍso de verdade
Serpente chega pra lÁ
Hoje eu quero É sambar com a Mocidade
O mal que vocÊ me causou
Pra que me infernizar
Chega de guerra e misÉria
Sem trÉgua, nem lÉgua
A idade mÉdia A SE TRANSFORMAR

Entre lendas e mistérios
Preste João me isnpirou a navegar
O Bandeirante cobiçou
E o Índio me levou ao Eldorado de alÉm-mar

Tudo o que eu puder sonhar
Vou realizar agora e sempre
E se tentar me taxar
Mando depositar em outro continente
Do Éden ao paraÍso da loucura
NinguÉm sabe quanto É o que se procura
Hoje o povo quer felicidade
No paraÍso da igualdade e liberdade
Estrela faz o meu sonho mais real
Sacode a SapucaÍ
É carnaval

Meu coração vai disparar, sair pela boca
NÃo dÁ pra segurar, paixão muito louca
Luz independente me leva pro cÉu
Sou Mocidade, sou Padre Miguel

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