SóSamba | 16/02/2011

Na TV, a história de um Império

Roberto Ribeiro e Dona Ivone Lara são as referências dessa história


São Paulo, 16 de Fevereiro de 2011 - O programa Musicograma, que vai ao ar aos sábados na TV Brasil vai contar "A trajetória de um Império". Tendo como pano de fundo as histórias de Dona Ivone Lara (foto) e Roberto Ribeiro o programa vai mostrar a história da escola de samba da Serrinha (a Império Serrano).

Em ritmo de Carnaval, o Musicograma do sábado (26/02) reapresenta a história de um império construído aos redores de Inhaúma e Serrinha, bairros do subúrbio carioca e um complexo onde convivem a umbanda, o jongo e o samba.

Nascida em 1921, Dona Ivone Lara vivenciava essa cultura. Estudava em colégio interno e suas amigas da aula de música eram Zaíra Oliveira, mulher de Donga e Lucília Villa-Lobos. O talento de Ivone levou-a ao Orfeão dos Apinacás, regido por Villa-Lobos, marido de Lucília. O dom natural somado ao estudo fizeram com que Ivone adotasse a música como expressão.

No início dos anos 1940, essas culturas locais começaram a definir as cores da Império Serrano. Ivone recolhia aqui e ali informações sobre sua herança. Do pai, integrante do Bloco dos Africanos, e do tio Dionísio, veio a paixão pelo cavaquinho. Da avó moçambicana veio o gosto pela dança e o prazer de versar. A cultura do jongo é tão marcante na Serrinha que é impossível separá-la da história do morro.

Ao vencer os carnavais de 1951, 55, 56 e 60, a Império Serrano mostrou a que veio. Apesar do sucesso, Dona Ivone Lara não se dedicava de corpo e alma à carreira artística. Logo após o carnaval, vestia seu uniforme branco de enfermeira. Somente quando se aposentou, aos 56 anos, passou a cantar com dedicação. Ivone é a última compositora e cantora de samba que ostenta o título de Dona. As “donas” do samba, como foram as mangueirenses Neuma e Zica, são raras. São as guardiãs da memória das suas comunidades e têm a obrigação de passá-la adiante.

Roberto Ribeiro recebeu esta herança, quando ingressou na Império Serrano em 1971, até chegar aí, ele percorreu um caminho em que a música não era prioridade. Quando criança, Roberto participava das folias locais, como o Boi Pintadinho, o tambor e o fado. Por influência do pai, apaixonou-se por samba e futebol, mas o gramado o atraía mais que o palco. Percebeu que sua vida profissional se dividia entre o Fluminense e a Império Serrano, onde cantou seus carnavais durante sete anos. Poucos intérpretes diziam um samba com tanta garra e sinceridade quanto ele. Casou-se com Liette de Souza, compositora e irmã do sambista Jorge Lucas. Foi ela quem o levou para a Império.

Este Musicograma é uma mostra do talento ilimitado dos grandes compositores das escolas de samba. Roberto Ribeiro teve uma carreira curta. Foram treze discos solos em 24 anos de carreira. Em muitos pontos, a sua vida artística experimentou os altos e baixos da Império Serrano. Ele morreu em 1996, vítima de um atropelamento. Sua história está contada no livro “Dez anos de Saudade”, escrito por sua mulher Liette de Souza Maciel.

Reapresentação: segunda, 0h30

 
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