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Morador
do morro desde os oito anos de idade, Carlos Cachaça cresceu
participando de blocos e cordões, acompanhando o surgimento das
Escolas de Samba. Sua obra musical traduz o seu tempo, uma
narrativa poética do que viveu. Sem fantasias, seus versos e
melodias contam um pouco do que viu e sentiu.
Este
mangueirense, apaixonado por Carnaval reuniu várias virtudes.
Ao contrário do que seu apelido sugere, Carlos zelava pela
diversão e pelo trabalho. Quando jovem bebia, mas não sofria
alteração, o que lhe permitia uma total disciplina. Trabalhou
na Rede Ferroviária Federal, até se aposentar.
Foram
quarenta anos, (de 1925 a 1965), trabalhando diariamente sem
faltar um dia.
Ao
lado do grande Cartola, seu parceiro mais constante, e Sartunino
Gonçalves; pai da D. Neuma, entre outros, fundou, em 1925, o
Bloco dos Arengueiros, que mais tarde deu origem a Estação
Primeira de Mangueira.
Carlos
Cachaça, esteve em atividades até a morte, aos 97 anos. Foi o
primeiro compositor a inserir elementos históricos nos sambas
de enredo, o que é uma norma até hoje. Em 1923 compôs seu
primeiro samba “Ingratidão” e em 1932 compõe a primeira
parceria com Cartola.
Ganhou
o apelido de Cachaça para diferenciar de outros "Carlos"
da turma e por causa de sua bebida preferida. Sua última
participação ativa na Mangueira foi em 1948, quando a escola
foi a 1ª a colocar som no desfile, para o samba-enredo ”Vale
de São Francisco”.
Em
dezembro de 1980 lançou pela Ed. José Olympio, em co-autoria
com Marília T. Barbosa da Silva e Arthur L. Oliveira Filho, o
livro “Fala Mangueira”. Em 1997, ao completar 95 anos, foi
homenageado, na quadra Mangueira por ser o único fundador vivo
da Agremiação.
O
único disco solo de Cachaça é de 1976 e inclui pérolas como
"Quem Me Vê Sorrindo" (com Cartola) e "Juramento
Falso".
Carlos
Cachaça foi pouco interpretado pelos cantores da era do rádio.
"Não Quero Mais Amar a Ninguém" (com Cartola e Zé
da Zilda) é uma exceção. Foi gravado por Aracy de Almeida em
1937 e regravado por Paulinho da Viola em 1973, no LP “Nervos
de Aço” (Odeon). Época em que vários dos seus sambas passam
a ser "redescobertos".
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