Fundo de Quintal

Final dos anos 80. Área da Leopoldina, quadra do Cacique de Ramos, nascia ali o grupo Fundo de Quintal. O Fundo de Quintal pelo seu estilo de compor e de fazer samba começou sua carreira profissional no final dos anos 70, quando Beth Carvalho e seu produtor Rildo Hora, foram ao Cacique de Ramos e convidaram o grupo para participar como músicos no disco chamado Pé no Chão. A carreira profissional se iniciou 1980 e, hoje, o Fundo de Quintal faz parte da cultura do samba, influenciando toda uma geração de sambistas.

O Fundo de Quintal é um dos grupos mais respeitados no mundo do samba. Responsável por 90% das músicas que são cantadas em qualquer boa roda de pagode, ele acaba criando um movimento dentro do outro: o de veneradores da verdadeira batucada.

Quando Almir Guineto, Jorge Aragão, Neoci, Sombrinha, Bira Presidente e Ubirani fundaram o Fundo de Quintal, no bloco carnavalesco Cacique de Ramos, há 21 anos, mais precisamente em 20 de janeiro de 1980, com certeza não imaginavam que músicas como “Boca sem Dente”, “Momento Infeliz”, “Castelo de Cera”, “A Amizade” e centenas de outras canções fossem virar hits obrigatórios em qualquer boa roda de samba. Na verdade, todos eles começaram sem  pretensão de virar fenômeno do samba ou preferência nacional. Mas viraram mesmo assim.

Arlindo Cruz e Valter 7 Cordas também fizeram parte deste time seleto de bambas mas, assim como Almir Guineto, Jorge Aragão, Neoci e Sombrinha, deixaram o Fundo de Quintal, após participar dos primeiros CDs do grupo para encarar carreira solo.

As referências a Noel Rosa, Paulinho da Viola, Dona Ivone Lara, Nelson do Cavaquinho, Candeia e Pixinguinha e o lema estampado na quadra do Cacique (“Samba é Cultura”) acabaram se espalhando pelo país todo graças ao Fundo de Quintal. A batucada dos rapazes chamou a atenção de Beth Carvalho, que virou madrinha do grupo. Ela e o produtor Rildo Hora foram ao Cacique de Ramos conferir o pagode mais comentado da época. Acabaram convidando a rapaziada para participar do disco Pé no Chão, como músicos.

Almir Guineto, ainda na época em que fazia parte do Fundo de Quintal, foi o responsável pela introdução do banjo (instrumento destinado à música country norte-americana) nas rodas de samba. Por causa da sua acústica e do som bem mais alto comparado ao cavaco, o banjo passou a ser um dos instrumentos mais usados nos pagodes. Assim como o tantã e o repique de mão, que também foram introduzidos no samba pelos integrantes do Fundo.

Sem saber, começavam ali, num fundinho de quintal, um movimento que influenciaria todos os grupos que surgiram alguns anos depois. Anderson Leonardo, vocalista do Molejo, Dudu Nobre e Waguinho foram criados (e até carregados no colo) pelos integrantes do Fundo de Quintal. E não é à toa que atualmente os veteranos do Fundo de Quintal (FDQ) são apontados pela crítica como o “grupo de samba do século”.

O sucesso não se limitou ao Brasil. O Fundo levou seu samba para os Estados Unidos, Egito, Japão, Alemanha, França e África do Sul. O grupo traz na bagagem quase todos os prêmios Sharp a que concorreram. O prêmio, que existe há 12 anos, já rendeu ao grupo dez troféus (sendo sete consecutivos) de “Melhor Conjunto de Samba”.

 Integrantes
Ademir Batera (bateria)
Cléber Augusto (violão e voz)
Mário Sérgio (cavaco e voz)
Ronaldinho (banjo e voz)
Sereno (Tantã)
Bira Presidente (pandeiro)
Ubirany (repique de mão)

Discografia

Papo de Samba (2001)



Fundo de Quintal Ao Vivo, Simplicidade (2000)

Nosso Grito (2000)

Fundo de Quintal e Convidados (1998)

Livre Para Sonhar (1997)

Nas Ondas do Partido (1996)

Palco Iluminado (1995)

Carta Musicada (1994)

A Batucada Dos Nossos Tantãs (1993)

É Ai Que Quebra a Rocha (1991)

Fundo de Quintal Ao Vivo (1990)

Ciranda do Povo (1989)

O Show Tem Que Continuar (1988)

Do Fundo do Nosso Quintal (1987)

O Mapa da Mina (1986)

Divina Luz (1985)

Seja Sambista Também (1984)

Nos Pagodes da Vida (1983)

Samba é no Fundo do Quintal, vol. 2 (1981)

Samba é no Fundo do Quintal, vol. 1 (1980)

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